24 abril 2007

Yeda e o Homem Invisível

A governadora do estado pediu ao novo secretário de segurança pública que se mantenha “invisível”, na medida das possibilidades. Trata-se de um pedido de realização impossível.

Antecipo que não examinarei a questão do ponto de vista da fraqueza humana, relacionado a um dos sete pecados capitais, qual seja, a vaidade. Ainda que na política um pecado aceitável, eis que inerente ao meio e à “sobrevivência” do sujeito.

Mas o pedido refere-se a uma (in)visibilidade total ou parcial, relativa ou absoluta? Cabe esclarecer estas diferenças.

A “invisibilidade” pretendida deverá ocorrer relativamente aos níveis de visibilidade da própria governadora? Ou será relativamente aos demais secretários? Afinal, todos investidos e revestidos de profundas e iguais responsabilidades de gestão.

Mas o quê, realmente, determina o grau de visibilidade de uma autoridade pública? A personalidade da própria ou os fatos que lhe dizem respeito? Ou, ainda, as circunstâncias eventuais, positivas e negativas, que caracterizam a inconstância da prestação de nosso serviço público?

No caso em questão, me aparece óbvio que são os fatos e as atribuições da Secretaria da Justiça e da Segurança que determinam sua visibilidade.

O povo elegeu a segurança pública como seu maior drama e tem expectativa de soluções governamentais. Consequentemente, se compreende porque seus responsáveis diretos sejam objetos da mídia.

Como já estamos no fundo do poço mesmo, significa agregar que qualquer ato positivo se reveste de simpatia popular.

Bem, e quanto às demais secretarias, qual poderia mostrar-se capaz de disputar os holofotes da imprensa? Saúde? Provavelmente. Nem preciso justificar. Uma tragédia governamental. Educação? Pouco provável. Já não comove ninguém, contaminada pela desesperança.

Aliás, em relação a estas três tarefas públicas, diga-se, de passagem, a população reage diferentemente. E os governantes (e os políticos, em geral) na mesma proporção.

O desastre educacional não gera conseqüências políticas relativamente aos seus (ir) responsáveis porque o prejuízo não tem dimensão instantânea. Quantificável em número e (falta de) qualidade apenas gerações seguintes.

A saúde apenas comove aquele que diretamente envolvido, ou como profissional, ou como cidadão objeto de uma doença que exija a prestação de serviços públicos. Trata-se de uma indignação localizada e personalizada. Esvai-se com o tempo. Por isto não muda nada.

Já a demanda por segurança é diferente. Virou uma síndrome, uma epidemia, um contágio universal. Ainda que não diretamente atingido, o cidadão se sente potencialmente alvo fácil e imediato.

Antes de demitir algum próximo secretário, a governadora precisa compreender que são as particularidades das crises setoriais e as expectativas populares que determinam a intensidade dos holofotes.

Mas, e os holofotes na Governadora como ficam? Infelizmente, tocante aos papéis e responsabilidades da governadora é de se supor - a realidade indica - que poucas notícias positivas serão possíveis.

Notadamente relacionada às finanças e a incapacidade estatal de dar conta das demandas públicas, atuais, reprimidas e supervenientes, a crise (estrutural) perpassa a capacidade gerencial da governadora. Terreno árido e sem luzes!

10 abril 2007

Janelas Quebradas

O assunto diz respeito à ação da polícia, da justiça e da comunidade. Conhecido no meio jurídico e acadêmico, raramente vem a público de forma simples e direta.

Depois de muitos anos de criminalidade crescente, os Estados Unidos apresentam expressiva redução de criminalidade. E a que se deve isso? Em 1982, estudiosos americanos estabeleceram uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade.

Janelas quebradas. Este foi o exemplo de desordem que utilizaram. Se uma janela de uma casa, prédio ou fábrica fosse quebrada, e não fosse imediatamente consertada, as pessoas poderiam concluir que ninguém se importava com isso. E mais: que não havia autoridade responsável pela manutenção.

Na seqüência, outras janelas seriam quebradas. As pessoas concluiriam que ninguém seria responsável por aquele prédio, nem pela rua. Assim, começaria a decadência do bairro e daquela comunidade.

Outros exemplos poderiam ser equiparados às “janelas quebradas”. Lixo crescente na rua. Terrenos sujos e abandonados. Crianças e adolescentes desordeiros, sem repreensão dos adultos. Ocupação de frentes de lojas e bares, bebedeiras, brigas e desordens. Depredações, pichações, desrespeito aos proprietários e vizinhos.

Conclusão: a desordem, mesma pequena, levaria à desordem maior. E mais tarde ao crime. Ou seja, a tolerância com pequenos delitos e contravenções conduziria à criminalidade.

No mesmo estudo, os autores afirmaram, também, que a relação de causalidade entre desordem e criminalidade era mais forte do que a relação entre criminalidade e a pobreza, minorias raciais, desemprego e falta de oportunidades.

Em Nova Iorque, a tolerância com a desordem e os pequenos ilícitos foi determinante para a progressiva decadência urbana. Os (maus) exemplos estavam no crescimento das gangues, na ocupação de parques, praças e metrôs por desocupados e sem-teto, nas pichações de prédios públicos e particulares, principalmente. Mas o exemplo mais significativo de tolerância e não repressão ocorria no metrô. Muitos não pagavam a passagem. Pulavam as catracas. Eram as “janelas quebradas” de Nova Iorque.

Assim, com base na teoria das janelas quebradas (broken windows theory), foi adotada a política criminal de "tolerância zero", notadamente na gestão do prefeito Rudolf Giuliani.

Sistematicamente, as forças policiais da cidade realizaram, caso a caso, região por região, o combate à desordem e aos pequenos delitos. Foi restaurada, inclusive, a integração polícia-comunidade através do patrulhamento a pé. E desde 1994, os índices criminais vêm diminuindo.

Mas esta prática preventiva e repressiva não foi uma questão consensual na comunidade. Muitos críticos argumentavam que a polícia perseguia apenas os pobres, os necessitados e as minorias.

Mas, diante dos resultados visíveis e favoráveis à Polícia e à maioria da população, os críticos perdiam a razão. O problema não era a condição das pessoas, mas sim o seu comportamento.

Até então, a desordem também crescera, se expandira e fora tolerada, porque vários desvios comportamentais foram considerados como expressão de liberdade e direitos individuais.

Porém, lenta, mas seguramente, prevaleceu a compreensão de que o desejo e a necessidade por ordem e segurança não podiam ser entendidos como uma lesão aos direitos individuais.

Assim, os valores comunitários positivos se contrapunham ao crescimento da desordem e da criminalidade. O desejo de ordem e paz era comum a todas as classes sociais e grupos étnicos.

E nós, brasileiros, combatemos a desordem e os pequenos delitos? Creio que é o caso de refletirmos e aprendermos com a experiência de Nova Iorque.

03 abril 2007

Pornografia Política e o Apagão da Vergonha

Tirem as crianças da sala. Desliguem a TV. O noticiário tem mostrado cenas e discursos pornográficos. Pornografia política.

O Presidente Lula continua inovando. Depois da esmola pública, também chamada de Bolsa-Família, agora criou o Bolsa-Oposição.

Trata-se da compra dos partidos de oposição sob o discurso de um governo de coalizão política. A mercadoria negociada são 36 ministérios e secretarias especiais.

De verdade, é a distribuição grosseira de cargos com o único fim de neutralizar as críticas ao marasmo governamental e anular as tentativas de esclarecimentos dos escândalos e da malversação do dinheiro público.

Aliás, é tanto escândalo que tem fila. Os escândalos têm que tirar senha para serem esclarecidos. Mas como agora não haverá mais CPI, nem investigação alguma, tudo ficará calmo. Como nos cemitérios.

Mas não foram só os partidos de oposição que se renderam. As principais categorias sindicais também. E os estudantes “caras pintadas” preferem correr atrás do Bush.

Sem gatos e com queijo à vontade, alguns ratos afugentados já ensaiam sua volta ao poder. Uns já voltaram à cena (do crime) através do voto.

E os que ainda não conseguiram voltar, agora viraram consultores. No caso, nome chique e moderno para “traficante de influência”.

Sumiram também os “revolucionários de ontem”. Queimaram seus discursos. Sepultaram a coerência. Aliás, os revolucionários também estão na fila. Na fila de milionárias indenizações por danos pessoais e profissionais sofridos durante a ditadura.

Resumindo, de novo os cidadãos e eleitores são desrespeitados. Há um descumprimento dos papéis institucionais reservados aos partidos. Isto é, uns de governar, e outros de fazer oposição e fiscalizar, principalmente.

Fica aquela sensação incômoda de quebra de confiança e delegação, confirmando a máxima popular de permanente desconfiança em relação aos políticos.

Claro que os defensores do governo dirão que se trata de formar uma maioria no Congresso, capaz e suficiente para promover um conjunto de reformas importantes para a nação. Compreensível e importante, é verdade!

Mas qual é o conjunto de reformas inadiáveis para a nação? Qual é a natureza das reformas e quem são seus possíveis perdedores (pagadores) ou vencedores (beneficiários)?

Este é o debate que deveria anteceder a formação das alianças partidárias. A definição do conjunto das reformas e o balanço de perdas e ganhos sociais, possibilitando uma visão de conjunto, suficiente para a compreensão e avaliação do povo, e, sobretudo, para a responsabilização partidária.

Está bem, vou parar de reclamar. Vamos às notícias boas. Vem aí uma nova atração. Uma televisão pública e estatal, que não vai “puxar o saco” do governo, e que custará apenas 250 milhões. Te cuida, Faustão. Vem aí o Domingão do Lulla.

A outra notícia boa é que o IBGE refez as contas sobre o PIB brasileiro. Mudou alguns critérios de cálculo e chegou à conclusão de que o Brasil cresceu. Mais do que no tempo do FHC. Agora, além do Haiti, passamos à frente do Paraguai e El Salvador.

Tchan, tchan, tchan! Notícia boa sempre me faz lembrar da música das vitórias do Airton Senna. Que saudades daquelas manhãs de domingo. Saudade de tanta coisa!

27 março 2007

Bakunin, Orwell e os Porcos

“Tão logo se tornem governantes ou representantes do povo(...) não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana." Bakunin

Mikhail Alexandrovich Bakunin (1814-1876) não era um adivinho, mas um estudioso das estruturas de poder e da natureza da condição humana; inspirado, possivelmente, nos exercícios e abusos de poder de Cromwell(Inglaterra) e da Revolução Francesa.

Bakunin é o principal pensador e propagador do Anarquismo. Uma teoria política que almeja criar uma sociedade que funciona sem hierarquias políticas, econômicas e/ou sociais. Os anarquistas defendem a ausência de governos, na suposição de que um sistema social só funciona com a maximização da liberdade individual e da igualdade social, metas auto relacionadas

Bakunin defendia que o esforço revolucionário deveria ser concentrado na destruição das "coisas" (leia-se Estado), e não das "pessoas". Afirmava que a centralização da autoridade e do Estado criavam um obstáculo ao desenvolvimento das pessoas e das nações.

Rompido com comunistas e socialistas, haja vista seu viés autoritário, Bakunin lidera a criação de grupos anarquistas em vários países do mundo, pregando o anti-autoritarismo, o mutualismo e o princípio descentralizador.

Uma de suas afirmativas: "Assim, (...)chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana."

E o que tem os porcos a ver com isto? É tempo de (re)ler a Revolução dos Bichos(1945), de George Orwell(1903-1950).

Para Compreender a Violência

Nós estamos no fundo do poço. Há quem diga que já passamos do fundo do poço. É verdade! Basta relacionarmos os inúmeros episódios recentes de violência explícita, tais como a morte do índio pataxó (queimado por jovens de classe média), o jornalista Tim Lopes (torturado e queimado por bandidos), a série de crianças estupradas e assassinadas, os ônibus incendiados com passageiros dentro, os ataques no Rio de Janeiro e em São Paulo. É uma lista sem fim e sem limites de crueldade.

E qual tem sido nossa reação ao crime organizado e à violência em geral? Abaixo-assinados, passeatas, criação de ongs, entre outras atitudes passageiras e sem objetividade prática. Notícias de jornal e tv que noutro dia dão lugar às notícias mais recentes (novos crimes).

Em comum, nossas reações têm o pedido de paz. Paz? Paz, não! Queremos justiça, ação policial, condenações, prisões. Queremos e precisamos da ação do Estado (ação municipal, estadual e federal).

Mas, sobre os pedidos de paz, façamos uma reflexão. Ainda que a maioria não seja afeita a raciocínios de natureza filosófica, isto é, àquelas elocubrações que pretendem a compreensão e/ou constituição racional das coisas que nos cercam.

A professora paulista Marilena Chauí (USP), em um antigo estudo sobre a violência, já observava que vários “dispositivos” e atitudes contribuem para ocultar a violência real e suas razões. Entre eles, destacava:

(1) um sistema jurídico que localiza a violência apenas nos crimes contra a propriedade e a vida;

(2) um sistema sociológico que considera a violência um momento no qual os grupos sociais "atrasados (eles)" entram em contato com grupos sociais "modernos (nós)". É o momento em “os desadaptados (eles)" tornam-se violentos;

(3) a vigência de uma distinção entre um "nós brasileiros não-violentos" e um "eles violentos". “Eles" são todos aqueles que, "atrasados" e deserdados, empregam a força contra a propriedade e a vida de "nós brasileiros não-violentos";

(4) e uma prática de distinção entre o essencial e o acidental: a sociedade brasileira não seria violenta. A violência seria apenas um acidente na superfície social sem tocar em seu fundo essencialmente não-violento. Isto explica, inclusive, porque os meios de comunicação se referem à violência com as palavras "surto", "onda", "epidemia", "crise", isto é, palavras que indicam algo passageiro e acidental.

Conseqüentemente, as desigualdades e as exclusões, o autoritarismo que regula todas as relações sociais, a corrupção, o racismo, o sexismo, as diversas formas de intolerâncias, não são consideradas formas de violência.

Isto é, a sociedade brasileira não é percebida (e não se auto-percebe) como estruturalmente violenta e por isso a violência aparece como um fato esporádico superável.

Esporádico e superável? Afinal, somos ou não somos violentos? E o que você acha? Pare, pense e reflita! Talvez ainda haja tempo de realmente salvarmos nossa pátria.

Jesus Cristo Vende!

O oscarizado cineasta James Cameron (Titanic, Exterminador do Futuro I e II, Aliens) resolveu dar o golpe do baú, a exemplo do autor do livro Código da Vinci. Afinal, fé e religião são ótimos produtos comerciais. Vendem fácil.

Recentemente, Cameron anunciou o seu documentário "O Túmulo de Jesus", apresentado no canal Discovery. O documentário é sobre uma possível descoberta do túmulo de Jesus e da sua família num local próximo de Jerusalém. Cameron pretende provar que Jesus Cristo não ressuscitou.

O arqueólogo israelita Amos Kloner já declarou que o documentário não constitui prova científica. Disse mais: "Jesus e seus parentes eram uma família da Galiléia, sem laços com Jerusalém. O túmulo encontrado pertencia a uma família de classe média do século primeiro".

Mas o chumbo grosso contra Cameron vem dos religiosos, como também ocorreu com o escritor Dan Brown, autor d’O Código Da Vinci.

Autoridades religiosas de Israel e da igreja católica afirmam que “as provas” de Cameron não conferem com a doutrina cristã e que a ressurreição de Cristo é um dos pilares da fé cristã.

Ademais, os católicos, os protestantes e os ortodoxos não reconhecem descendência alguma de Jesus Cristo. Sorte de James Cameron é que a inquisição já não existe.

Jogada de marketing ou não, a verdade é que o revisionismo histórico sempre houve. No caso da religião, os historiadores (e curiosos) são estimulados e provocados pelos evangelhos apócrifos.

Esses evangelhos (apócrifo significa não autêntico e/ou de origem desconhecida) são documentos que foram rejeitados pela Igreja por ocasião da consolidação dos principais ensinamentos doutrinários, a fim de favorecer o crescimento e a popularização do cristianismo.

Como sempre, é tudo uma questão de perspectiva, de ponto de vista. Ironicamente, os moradores da região - onde foram encontrados os túmulos - estão satisfeitos, prevendo os bons efeitos do turismo. Sim, por que qualquer história sobre Jesus Cristo vende bem. Fé e religião à parte, é grana no bolso o que move o mundo!

Aliás, a propósito da existência e origem de Jesus, tem uma história muito engraçada. Vários representantes de países se reuniram para discutir sobre onde realmente nascera Jesus. Cada qual defendia que Jesus tinha nascido em seu respectivo país. E apresentava três provas/argumentos.

1) Que Jesus era judeu: assumiu os negócios do pai, viveu em casa até os 33 anos e tinha certeza de que a mãe era virgem, e a mãe tinha certeza de que ele era Deus;

2) Que Jesus era irlandês: nunca foi casado, nunca teve emprego fixo e seu último pedido foi uma bebida;

3) Que Jesus era porto-riquenho: o nome dele era Jesus, sempre teve problemas com a lei e a mãe dele não sabia quem era o seu pai;

4) Que Jesus era italiano: falava com as mãos, tomava vinho em todas as refeições e trabalhou no comércio;

5) Que Jesus era californiano: nunca cortou o cabelo, andava descalço e inventou uma nova religião;

6) Que Jesus era francês: nunca trocava de roupa, não lavava os pés e não falava inglês;

7) Que Jesus era brasileiro: nunca tinha dinheiro, vivia fazendo milagres e se ferrou na mão do governo.

Deboche e Fingimento

Vocês viram? Aumento de 26,49% para deputados, ministros, presidente, vice-presidente! Vai respingar também no bolso dos deputados estaduais (sim, elles tem uma lei que garante ¾ do salário dos deputados federais). Ah, e ainda tem todo o Poder Judiciário - federal e estadual. Também quer seu pedaço do filé mignon!

Pior é o fingimento, o deboche. A conversa começou com 92%, lá por novembro e dezembro. É o bode na sala. Depois vão recuando, recuando, e fica por 26,49%. Podiam ter arredondado para 27%, né?

Aí você reclama e elles falam dos seus direitos, que está na lei, etecétera e tal. Este papo de direito é conversa para enrolar o povo.

Direitos transformados em instrumentos de benefícios privados não são direitos. Direitos que não se estendem à população. Privilégios é o que são!

Pergunte para qualquer aposentado sobre quantos salários ele contribuiu e o que realmente está ganhando, atualmente. Aí não existe lei, nem direito adquirido. Só existe para elles.

Estes “Poderes de Estado” constituem-se, hoje, em ilhas de privilégios. Oligarguias modernas! O Estado brasileiro foi “capturado” e o povo “escravizado”. Está sob controle político e econômico de elites corporativas.

Brasília é uma festa só! Não sei o que o pessoal enxerga em Nova York, Berlim, Tóquio. Lugar nenhum chega aos pés de Brasília. É o paraíso na terra. É tudo gente sem pecado. Vão direto pro céu. Para o paraíso. Nem param no portão de São Pedro (agora vem o Papa e elles estarão na primeira fila!).

Omissão por omissão, pior é aquele metalúrgico famoso. Lembra? Que se fez na vida contestando o sistema, os ricos, os usineiros (agora os seus novos heróis nacionais! Teus não! Heróis delle, do Lulla).

Todo seu discurso, objeto de sua carreira, ascensão e glória (pessoal) foi para o ralo. Bem, a gente compreende. É tudo passado. O que importa é o futuro. Não o seu. Não o do povo. O futuro delles.

Mas no fundo a culpa de tudo isto é nossa. Desde sempre, reclamamos da política e dos políticos. Deve ser porque sempre prometeram mundos e fundos. Deve ser também porque sempre acreditamos nas promessas. Ou fazíamos de conta que acreditávamos. E de tanto fazer de conta já não sabemos mais se acreditamos ou não.

O mais grave é que os próprios políticos também já não sabem mais o que fazem e qual é seu real papel. O jogo político, a promessa não cumprida, o faz-de-conta nos jornais e na TV, tudo se transformou num grande jogo e encenação.

Políticos e eleitores, governantes e cidadãos, ninguém mais sabe se é espectador ou ator. Fazer e/ou deixar de fazer, cumprir e/ou não cumprir, fiscalizar e/ou não fiscalizar, agir e/ou omitir-se, fingir e/ou não fingir que faz, cumpre e fiscaliza, que diferença faz para o político e a política se a sociedade conjuga os mesmos verbos no mesmo tempo? Então, resumindo, o negócio (delles) é aproveitar a festa. Você não foi convidado!

A verdade é que nós perdemos a noção/a razão de que deve haver sempre uma relação entre os fins e os meios. Estamos nos tornando cínicos. Comportamos-nos como condenados a aceitar determinado jogo e realidade porque não podemos mudá-la. Pior: sabemos que isto está errado e que não deve/deveria ser assim.

A realidade deixou de ser um desafio e virou um destino. Sociedade e política vivem o auto-engano. O alimento do auto-engano é o círculo vicioso.

Em sua segunda campanha presidencial, em 1919, Rui Barbosa já dizia: “consideram o nosso país e o nosso povo como um país de resignação ilimitada e eterna indiferença, povoado por uma ralé (...), concebidos e gerados para a obediência".

12 março 2007

A Alegria do Futebol: A Epopéia Colorada

Não sei quem estava mais tenso neste domingo pela manhã: se torcedores colorados ou gremistas. Sim, porque quando se trata de Grêmio e Inter, não importa qual dos dois, ou quem seja o adversário, ambos estão sempre em campo, um direta, e o outro indiretamente, travestido sob o uniforme do adversário do momento.
E assim, nesta condição, revezam-se gremistas e colorados, ora torcendo pelo próprio time, ora “secando” o rival. Não importa em que local do planeta! Se futebol de campo, jogo de peteca, ou jogo de botão!
E assim sucedeu-se desde cedo. O Japão era apenas o distante e geográfico local do jogo. O verdadeiro jogo foi jogado no Rio Grande do Sul. Aqui pipocavam os foguetes e os rojões. Nunca houve tantas camisetas do Barcelona nas ruas de todas as cidades gaúchas. Inclusive, cidades gaúchas fora do Estado. Sim, só os gaúchos têm cidades fora do Rio Grande do Sul.
Nunca um vilão teve tamanha chance de virar herói. Refiro-me ao Ronaldinho Gaúcho, ex-amor dos gremistas. Como diziam, ultimamente, era sua chance de sair da calçada da lama para a calçada da fama do Olímpico. Mas não foi o que aconteceu.
O que aconteceu é o que você viu e eu vi também. Os atletas colorados ignoraram o prestígio, a fama e a média salarial dos galácticos e esperaram, pacientemente, o contra-ataque fatal.
Claro que, como gremista que sou, poderia tentar desfazer e dizer que o Barcelona não entrou em campo, que não jogou, etecetera e tal, ou que o goleiro espanhol defendeu apenas uma bola durante a partida inteira. A segunda ele deixou passar! Mas são detalhes secundários: o Internacional venceu!
Findo o jogo, pensei nas inúmeras “flautas” que haveremos de suportar. Claro que ainda serão menores que as nossas. Afinal, o Grêmio continua bicampeão das Américas e com dois carimbos japoneses no passaporte.
Findo o jogo, repito, comecei a lembrar, um a um, de dezenas e dezenas de amigos, ex-colegas de trabalho, irmãos, sobrinhos, todos colorados. Uns mais fanáticos, outros menos. Fiquei pensando na profunda alegria de que deveriam estar acometidos naquele momento mágico. Abraçados uns aos outros, chorando, gritando, agitando sua orgulhosa e rubra bandeira, enfeitando o carro para a derradeira e inevitável carreata.
Então, comecei a realizar vários telefonemas de congratulações. E, vejam só – me perdoem os gremistas mais fanáticos do que eu, mas senti uma alegria crescente. A cada telefonema que eu dava, e a cada resposta trêmula de emoção colorada do outro lado da linha, confesso, também eu fiquei feliz. E (re)descobri que a idéia central da felicidade e da alegria está no seu compartilhamento. Não importa a motivação. Pode ser até um jogo de futebol!

Miojo e Filosofia

Recentemente, morreu o criador das massas tipo miojo, o japonês e fundador do grupo Nissin, Momofuku Ando. Segundo pesquisa de opinião, trata-se de uma das grandes invenções dos últimos 100 anos.

Sim, isto mesmo. Estou falando daquela massinha básica que você faz em casa quando a mulher não está, ou quando os pais não estão, incrementada com aquele guizadinho e o molho de anteontem. Sucesso de culinária entre os cada vez mais freqüentes moradores solitários, marca de nossa época de filhos independentes, mulheres e homens solteirões, separados e viúvos longevos.

Mas as massas rápidas têm uma significação mais ampla, mais marcante. Simbolizam, sobretudo, a celeridade absoluta de nossa época, a pressa e impaciência que nos comandam, de vídeos e fotos instantâneas, de amizades virtuais e orkutianas, de namoros e casamentos de três minutos.

Impaciência e pressa que reinam até mesma à mesa de refeições. Foram-se os tempos de famílias reunidas para preparar e degustar a refeição coletivamente, a celebração da amizade e da vida, entre sorrisos, histórias e reminiscências familiares.

Reuniões à mesa do jantar, também, por que não dizer, já que a mensagem e as palavras nem sempre são doces, para “a lavação de roupa suja”. Talvez não queiramos assumir, mas parece que as massas rápidas ajudaram, além de “acelerar” o tempo, a (não) resolver nossas diferenças pela não reunião.

Nada contra “seu” Momofuku Ando e sua criação, mas nossa próxima janta bem que poderia ser à base de muitas colheres de conversação, pitadas de sorriso e alegria, e com muito tempero de vida!

Eu Quero um Dia do Homem

Mas agora eu quero um Dia do Homem para que possamos, também, nos libertar de tantas “pragas” e condicionamentos.

Quinta-feira é o dia internacional da mulher. Data símbolo de inúmeros direitos e conquistas femininas. Uma breve viagem no tempo é suficiente para mostrar os notáveis progressos que elas fizeram, notadamente aqueles de natureza econômica e social, capazes de determinar e ampliar sua auto-suficiência.

Reduzidas as desigualdades econômicas e educacionais entre homens e mulheres, permanecem, no entanto, as “atribuições masculinas”, que também podem ser transformadas.

Não me refiro à diferença natural, genética e biológica, mas à conta do que recai sobre os homens, adicionalmente, sobre consciência e ombros, tamanhas as históricas diferenças culturais e comportamentais.

Também sofremos a tirania dos costumes. Queremos, pois, nos livrar de algumas obrigações; não propriamente das obrigações, mas de seu peso, de sua significação.

Ainda não superamos a “obrigação” juvenil e competitiva que exige provas diárias de nossa capacidade de sedução, de conquista da fêmea. Obrigação diretamente ligada aos nossos níveis de auto-estima estética, psicológica e biológica. Isto sem falar em (falta de) dinheiro.

Alguém faz idéia do peso das obrigações íntimas, de corresponder, por exemplo, às ditas fantasias femininas? Não importa se estamos falando de coisas reais ou irreais. Elas também “existem” nas fantasias e discursos masculinos, agindo sobre nosso corpo, condicionando ações e reações.

Ainda somos “cornos” se nossas parceiras nos deixam, optando por outro companheiro, não importam as razões. Afinal, este rótulo latino-americano trata de uma perda amorosa, ou, objetivamente, de uma perda de posse e poder, logo, de desvalorização e queda hierárquica no mundo dos machos?

Bem, é verdade que já lavamos roupas, trocamos fraldas, cuidamos dos filhos... Mas ainda sofremos o estigma do homem-provedor, a obrigação de dar certo, a tarefa de “levar dinheiro para casa”.

Conhecem a sensação que se apodera de um homem que convive com uma mulher que ”ganha mais do que ele?” Se o homem não tiver coragem de confessar, pergunte a uma mulher!.

De outra parte, imagine, na cabeça e corpo deste mesmo homem, “deste mundo”, a significação devastadora do desemprego.

Bem, fico feliz pelas mulheres e suas conquistas. Mas agora eu quero um Dia do Homem, para que possamos, também, nos libertar de tantas “pragas” e condicionamentos e, principalmente, saber conviver com esta nova mulher e as novas formas de sentir e compreender “as coisas”.

O Inferno é Logo Ali, Depois da Curva

(sobre juventude, desigualdade e desemprego)

A adolescência e juventude são períodos no qual a convivência pública toma o lugar, ainda que não totalmente, das relações familiares. São os novos grupos de relacionamento. Período novo de experiências e descobertas. Além de ampliar as perspectivas pessoais, trata-se, essencialmente, da constituição do sujeito e sua aceitação social.

Entretanto, não o que estamos vendo. Um número cada vez maior de jovens promove um estreitamento de suas relações e dos espaços passíveis de ocupação e circulação. Inclusive, os mais frágeis e suscetíveis à competição e à violência desenvolvem novas formas de isolamento, gerando preocupações clínicas aos pais.

Na verdade, trata-se de uma resposta racional e biológica ao “mundo” herdado, “um mundo” decadente, “um mundo” onde não é (mais) possível viver (mais). Objetivamente, trata-se de um processo de isolamento e defesa dos privilégios que os outros invejam e gostariam de (ob)ter, por bem ou por mal.

Qual a explicação? Pesquisas confirmam o que já sabíamos no dia-a-dia, nas notícias de jornal, nas filas do desemprego, etc..., isto é, a dificuldade de ascensão social, de mobilidade social. A mobilidade social – ascender(subir) de uma classe social para outra de nível superior – está diretamente associada à questão educacional e ao (des)emprego. Resumo: a desigualdade é a marca da sociedade brasileira.

O quadro é perturbador porque está diretamente associado à incerteza que recai sobre o futuro da juventude. O desemprego provoca o que os cientistas sociais chama de “transversalidade”: a experiência com a polícia/trabalho/desemprego.

Somos uma sociedade doente. Criminalidade, violência e desorganização social são as evidências. Proliferam novas formas de dominação, há um crescimento dos sentimentos de medo e insegurança, há o estímulo de uma “cultura do excesso”, etc... Fatores que afetam negativamente a organização social e comprometem a comunidade. Reina e governa a tensão.

Alimentamos conflitos e discriminações assentadas em classes sociais, em questões de gênero, raciais, religiosas, tocante à opção sexual, ao estilo, às idéias regionais, ao comportamento. Já discriminamos as pessoas, inclusive, face ao seu local de moradia.

Somos uma sociedade hipócrita. Muito competitiva e não solidária. Não é a toa que crescem certas seitas e religiões que oferecem aos jovens uma nova ideologia, uma espiritualidade, uma identidade, uma opção de inclusão social.

Se não é o inferno, o que será?

Escravos Tributário-Legislativos e a Covardia Cívica

A Receita Federal (SRF) anunciou mais um recorde de arrecadação. Em 2006, os brasileiros recolheram R$ 392 bilhões em impostos e tributos federais(não falei em impostos estaduais e municipais). O anunciante e orgulhoso funcionário da Receita destacava a eficiência do fisco e o desempenho da economia(sic). Deveria ter demonstrado vergonha de fazer tal anúncio!

Escravizado pelo sistema legal e tributário, e sem representação política confiável e inovadora, a população sofre e vê, dia após dia, a corrupção disseminada e seu dinheiro escorrendo pelo ralo governamental.

Os governos não têm sido capazes de articular-se com a sociedade, de enfrentar os focos de desperdício de dinheiro público, de acabar com estruturas burocráticas e arcaicas, de estabelecer uma relação moderna, eficaz e descentralizada.

Governo e políticos, em geral, discursam sobre o otimismo e a esperança. Puro ilusionismo. Pura anestesia. Pura enganação. Não há espetáculo do crescimento. Só o PAC. Programa de Aceleração da Catástrofe. O único e deprimente espetáculo é o do crescimento da arrecadação tributária.

Há várias situações em que se justifica a presença extraordinária dos governos, além dos tradicionais “saúde-educação-segurança”. Por exemplo, na superação de desigualdades sociais e regionais. Neste sentido, admite-se a correspondente e necessária arrecadação adicional de tributos, suficientes para o custeio específico.

Mas devemos ter em mente que os impostos devem guardar nexo causal e coerência. Ademais, os impostos não são eternos. A sociedade deve, sempre, repensar os tipos de impostos e adequá-los ao seu tempo, à sua capacidade de pagamento e ao tamanho do estado(União, Estado e Município) que necessita. Hoje, mais do que nunca, a sociedade está no seu limite de resistência físico-psicológica-contributiva.

Uma vez que lhes está reservada a competência de mudar as leis e influir nos rumos dos governos e a definição da pauta político-econômica, é lastimável a inoperância e a omissão dos políticos e seus partidos, auto-proclamados representantes do povo.

Aliás, neste quadro de escravidão tributária e legislativa, abusos e corrupção, a que estamos submetidos, qualquer nação já estaria em situação de desobediência civil e greve geral, entre outras reações populares.

Mas, os aspectos mais surpreendentes são o alastramento e a imensidão do silêncio e da omissão. Não só representantes empresariais e sindicais, mas todos nós, cidadãos, estamos amordaçados por alguma circunstância e inevitabilidade poderosa e constrangedora. Somos, de fato, uma nação? Será covardia cívica?

Infelizmente, somos escravos tributários e legislativos. Escravos sem amor à liberdade e sem capacidade de indignação. Talvez não sejamos merecedores da liberdade!

21 dezembro 2006

EM DEFESA DO ESTADO

Diante do discurso e prática generalizada de redução/desmonte do aparelho de Estado, falar sobre o serviço público requer, necessariamente, reelaborar os conceitos básicos do Estado.

A compreensão da coletividade, no passado, em torno da necessidade da criação/manutenção do Estado ultrapassou aquelas necessidades primárias de segurança e ordem social, e alcançou, nas últimas décadas, um caráter civilizatório das relações e expectativas sociais. Imprescindível e atual.

Nossa compreensão e o entendimento acerca da precariedade das atuais estruturas e da importância de determinadas reformas, não inibe, entretanto, nossas discordâncias em relação a deliberada e grosseira confusão que opera o desmonte do estado e rotula os servidores, em geral, como os responsáveis pela falência do aparelho.

O “modus operandi” de condução, realização e finalização das reformas inadiáveis do estado brasileiro exige mais democracia, mais transparência, e, principalmente, uma compreensão mais clara, mais abrangente, do modelo de estado mínimo que necessitamos, atual e moderno, sem dúvida, mas, sobretudo, comprometido com um conjunto de mudanças sociais que integrem todos os brasileiros, social e economicamente.

Inaceitável e intolerável, pois, a dilapidação do patrimônio público e a desmoralização dos servidores, em ilusão e confissão ingênua dos seus autores de que a “mão invisível do mercado” possa resolver as graves disparidades da nação.

Resta positivo, entretanto, que deste conflito de interesses, emergirá, com certeza, um novo conceito de servidor público e um novo conceito de cidadão, este ora redenominado “melhor cliente do Estado”. Atendimento de demandas, qualidade, rapidez e eficácia, passarão a ser critérios de aferição da qualidade dos serviços públicos.

O modelo de gerenciamento da coisa pública passa, necessariamente, de autoritário para participativo, essencialmente democrático. A improvisação se torna proibitiva, prevalecendo o planejamento, a organização e a estratégia de ação. O grande desafio do Estado moderno será o gerenciamento de todos os seus recursos materiais e financeiros, mas, principalmente, dos seus recursos humanos.

As diferenças de qualidade e eficiência dos serviços públicos - entre os diversos níveis de organizações de Estado - serão determinadas pela qualidade desta relação de poder, e de exercício de poder, entre a população, os agentes políticos e os servidores públicos.

Ao defendermos o Estado, não podemos deixar de observar as graves transformações que o mundo vivencia, e ao patrocinarmos esta defesa, reconhecer as imensas responsabilidades que nos alcançam, muito além das corporações e dos interesses pessoais.

O povo escravizado

“Resulta que encontra-se escravizada a sociedade por uma ditadura parlamentar, em todos os níveis da organização do Estado brasileiro”.

A política e sua (des/dis)função é um assunto chato e recorrente. Mas inevitável. A contínua incapacidade do setor público de realizar melhorias expressivas na oferta de bens e serviços públicos, notadamente nas áreas de saúde, educação e segurança, associada à crescente concentração e elevação tributária, têm aumentado o nível de repúdio, queixas e pressões da sociedade relativamente ao Parlamento. Objetivamente, trata-se da constatação de que a sociedade está desamparada e abandonada à própria sorte e às eventuais soluções tópicas e passageiras, quando não oportunistas.

O comportamento e a omissão dos políticos - parlamentares e executivos, depósitários formais e legais da esperança popular, já extrapolou o limite da tolerância. O mais irritante é que fazem um jogo de cena. São favoráveis a investimentos nas áreas de saúde, educação e segurança, bem como à redução da carga tributária. Entretanto, é um discurso para “manutenção de imagem pessoal”, tipo “todos defendem, logo preciso defender também”, haja vista que não há repercussões e soluções objetivas, nem comprometimentos sérios com estas transformações.

Esta não solução e inércia está relacionada ao permanente empenho de parlamentares em “ficar de bem com o Governo” visando a obtenção e liberação de favores e verbas oficiais, ou evitar a hostilização política. Não lhes é “conveniente e oportuno” causar constrangimentos ao governo.

Importa relacionar também como elemento que contribui para o estado de inércia parlamentar o fato de que estes assuntos e temas não têm apelo eleitoral – embora devessem ter!, determinando a hegemonia retórica, política e eleitoral de assuntos pontuais e de demanda localizada.

Enquanto isto, sucedem-se os abusos no setor público. Gastos incontroláveis, estagiários e serviços terceirizados às centenas, propaganda e publicidade de monopólios estatais e atividades-meio, auto-promoção e remuneração abusiva, ressarcimentos de despesas que ofendem a inteligência popular, a exemplo do pagamento de 96 diárias anuais e R$1,00 por km rodado, de nossa Assembléia Legislativa do Estado.

Nestes termos, combinada a natureza da omissão e as razões de conveniência pessoal dos parlamentares, resulta que encontra-se escravizada a sociedade por uma ditadura parlamentar, em todos os níveis da organização do Estado brasileiro, seja no âmbito dos Municípios, dos Estados e da União.

Qualquer expectativa de mudanças sérias e estruturais do Estado Brasileiro, em todos os níveis, somente será possível com a participação ativa da sociedade civil. Aliás, um bom começo seria a fixação de faixas salariais para vereadores e deputados estaduais, a extinção do Senado Federal e a redução expressiva do número de Deputados da Câmara Federal e Assembléias Legislativas. E a revisão dos direitos adquiridos, principalmente àqueles relacionados às aposentadorias e pensões.

Afinal, os moradores do Condomínio Brasil podem e devem adequar suas expectativas condominiais à sua realidade e capacidade contributiva, o que pode significar o adiamento/eliminação de obras não essenciais, o corte de serviços terceirizados, a demissão/substituição do zelador e demais funcionários, a redução dos benefícios do síndico, a opção por soluções gerais mais econômicas, etc e tal. Ou não podem?

14 dezembro 2006

Bolsa-Oposição - II

O Governo Lula consolida a participação do PMDB(e quem mais vier) na sua base de apoio, ofertando-lhe maiores e inúmeras vantagens materiais na estrutura administrativa do poder de Estado. Negócio bom para as partes. O PMDB obtém mais poder e disponibilidade orçamentária(e de nomeações), enquanto que o PT amplia sua base de apoio no Congresso, na expectativa de aprovar seus projetos.

Prejudicados apenas os representados, isto é, os eleitores de ambas as partes. Em primeiro lugar, porque há um descumprimento e desrespeito dos papéis institucionais reservados aos mencionados partidos; isto é, um de governar, e o outro de fazer oposição e fiscalizar. Em segundo lugar, fica aquela sensação incômoda de quebra de confiança e delegação, confirmando a máxima popular de permanente desconfiança.

Bem, este é um lado da “coisa”. De outro lado, argumentaria um hipotético defensor governamental que trata-se apenas de consolidar uma maioria congressual, capaz e suficiente para promover um conjunto de reformas inadiáveis e importantes para a nação.

Mas qual é o conjunto de reformas inadiáveis e importantes para a nação? Qual é a natureza das reformas e quem são seus possíveis “perdedores”(pagadores) ou “vencedores”(beneficiários)? Há reformas consensuais num país com tantas disparidades, com tantos “feudos”? Quais são as rupturas necessárias para a viabilização de um país mais justo?

No meu entendimento, este é o debate que deveria anteceder a formação das alianças. A definição do conjunto das reformas e o balanço de perdas e ganhos sociais, possibilitando uma visão de conjunto, suficiente para a compreensão e avaliação do povo, e, sobretudo, a responsabilização partidária.

Por enquanto, a depor contra a iniciativa das partes, é nosso histórico político-partidário. Sabem todos que a prática política tem os olhos (e a conduta) voltados para o futuro, isto é, o político não é o que tem sido, nem é o que foi ontem, mas é o que pode vir a ser. Importa-lhe a sobrevivência, custe o que custar

Réquiem para Fidel

“O que sempre fez do Estado um verdadeiro inferno na terra

foram precisamente as tentativas para transformá-lo num paraíso.”

Friedrich Hoelderlin

Uma das passagens mais comovedoras da história mundial recente, foi, sem dúvida, a derrubada da ditadura cubana de Fulgêncio Batista, perpetrada por um grupo de jovens idealistas, liderados por Fidel Castro (1959).

Fraudadas as expectativas de justiça e igualdade pelos tiranos europeus, o sonho do socialismo renovava-se na pequena ilha, até então lugar de veraneio e exploração comercial norte-americana.

Rapidamente, Fidel e Guevara, companheiros de primeira hora, transformaram-se em ícones mundiais da juventude e das elites intelectuais, ainda traumatizadas pelos efeitos das guerras recentes, a frustração soviética, e desejantes de um período de paz e justiça social.

Correu o tempo, mais de 40 anos, o mundo experimentou diversas mudanças, sociais, políticas, econômicas e culturais, principalmente. Entre estas mudanças, as mais significativas foram a desconstituição da União Soviética e a queda do Muro de Berlim, sepultando, definitivamente, a idéia do partido único e o dirigismo estatal; ou, em outras palavras, o fim do comunismo.

Mas o tempo parara em Cuba. Apesar das inúmeras desculpas oficiais, tipo embargo econômico, “a morte do padrinho soviético”, o perigo norte-americano, perpetrou-se uma ditadura personalista e reacionária, a exemplo dos decadentes e decaídos modelos europeus, embora mantido o discurso juvenil e a pretensão socializante.

Descontado o regime e o estilo jurássico, ainda assim persistia, e persiste, em alguns meios políticos e intelectuais uma tolerância com Fidel, por conta de propalados indicadores de educação e saúde do país. No entanto, a realidade é que faz muito tempo, mais de 20 anos, que as ilusões perderam-se em meio às atrocidades e abusos cometidos em nome do regime político.

Não faz muito tempo, haja vista a notícia do fuzilamento de três dissidentes/fugitivos do regime, Cuba e Fidel voltaram às manchetes, perdendo seus últimos simpatizantes. E, recentemente, a pá de cal. Diante da notícia da grave enfermidade de Fidel, noticiou-se a transferência do poder ao seu irmão Raul Castro, seu sucessor natural. Quer dizer, monárquico, dinástico. Pobre povo cubano. Materialmente falta-lhe tudo, mas falta-lhe, ultimamente, a indignação e a rebeldia.

Mas ainda assim, com a prenunciada morte de Fidel, não lhe faltarão as homenagens póstumas prestadas pelos seus súditos, que insistem em permanecer algemados ao passado, tiranizados por uma ilusão discursiva e uma prática cínica e cruel. Paz, liberdade e prosperidade, ideais humanos e universais, sempre patrocinaram e gestaram tiranos.

Como bem ensina o poeta alemão Friedrich Hoelderlin(1770-1843), escolado nas experiências de antanho: “o que sempre fez do Estado um verdadeiro inferno na terra foram precisamente as tentativas de transformá-lo num paraíso”.

30 novembro 2006

Bolsa-Oposição

O Presidente Lula continua inovando. O auto-declarado maior governo da história do Brasil, que aperfeiçoou e legitimou a esmola pública, auto-denominado maior programa mundial de distribuição de renda (o que é a falta de vergonha e auto-crítica!), agora cria o Bolsa-Oposição, projeto de cooptação dos partidos de oposição (que oposição? faz-me rir!), sob a retórica de um governo de coalizão política.
O ineditismo lulista é que não há um mísero projeto nacional que justifique tal iniciativa. Ademais, é público e notório que trata-se de distribuição grosseira de ministérios e cargos públicos com o único fim de neutralizar as críticas ao marasmo governamental e anular quaisquer tentativas de continuidade nos esclarecimentos dos escândalos e na malservação do dinheiro público. E no esclarecimento dos escândalos que ainda estão na fila(ongs, fundos de pensão, a empresa do lulinha, etc).
Por mais que os amigos do rei argumentem em contrário (mais pelo fato de serem amigos do rei do que pelos fatos), a economia real não aponta para o crescimento ou possibilidade de crescimento. Para a criação de novos postos de trabalho e, muito menos, para o aumento da massa salarial.
De outra parte, enquanto que os trabalhadores aceitam qualquer coisa para não sofrerem a marginalização e/ou desemprego, o sistema financeiro privado e estatal produz lucros ininterruptos e abundantes, mas, sobretudo, concentrando a riqueza e o poder nas mãos de pouquíssimas pessoas e empresas, notadamente rentistas.
Afinal, a política ortodoxa e conservadora do Banco Central garante o retorno das aplicações nos papéis da dívida pública do governo. Retorno garantido e bem superior a qualquer investimento produtivo. É o que denominam de "governabilidade"!
Enquanto atende a banca internacional e nacional, submetendo toda a nação ao assalto sistemático e renunciando às políticas públicas (sérias e honestas!) de distribuição de renda, o rei prega em campos alheios, qual mendigo, uma "globalização econômica solidária". Melhor seria começar pela própria casa!
Sumiram todos os “revolucionários” de ontem. Queimaram seus discursos. Sepultaram a coerência. Cooptados, agora tratam de cooptar a própria democracia. Ou melhor, o que resta dela.




A socialização da ignorância e da miséria

A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e
só um caminho, e está sempre em desvantagem" Robert Musil em "O Homem sem Qualidades"

A razão de existir de um sistema político está diretamente relacionada com sua função de criar e melhorar a vida dos cidadãos. Pela mesma razão, há eleições livres, diretas e periódicas, com o voto do povo, de modo a verificar e julgar se realmente ocorre a melhoria da vida das pessoas.
Para que este sistema funcione bem é necessário que o cidadão saiba o que o governo tem feito para cumprir suas obrigações. Do mesmo modo, o eleitor/cidadão precisa saber o que o governo e a oposição defendem e objetivam. E muito mais: precisa conseguir analisar essas informações para poder julgar qual sua adequação, viabilização, consequência social e oneração financeira.
Mas há um problema grave para a realização deste ideal: a maioria da população brasileira não tem capacidade para entender e analisar estas informações. Isto quando as informações chegam até o cidadão. Normalmente, não chegam.
Consequentemente, os detentores do poder (de ocasião), aqui nominados governantes, tendem a corromper o sistema idealizado. Na recente eleição, por exemplo, a esmola (o governamental programa Bolsa Família) distribuída ao povo cumpriu um papel eleitoral fundamental pró-governo. A tal ponto que os escândalos e crimes contra a economia, o dinheiro público e a normalidade institucional não repercutirem, objetiva e eleitoralmente, no processo eleitoral.
Aliás, quem questionasse esses métodos – distribuição da esmola - era rotulado como elitista e inimigo do povo. Quem questionasse a eficácia da gestão pública era rotulado como pró-privatizações e entreguista. Ainda que o respectivo questionamento não fosse de ambição eleitoral, mas, sim, de teor técnico, econômico, sócio-educativo, jornalístico, ético, moral, entre outras abordagens possíveis.
Ultimamente, com as pesquisas indicando a vitória governamental, como de fato ocorreu, aqueles que queriam, querem e exigem o respeito às leis e às instituições – relativamente ao esclarecimentos dos sucessivos escândalos - eram e são nominados de golpistas, ansiosos pelo “terceiro turno”.
Com a (in)consciência política dos pobres sendo comprada em troca de moedas e a corrupção financiando a perpetuação no poder, caminhamos a passos largos e rápidos à absoluta mediocrização do debate político e da ação governamental responsável. Aliás, como consequência, não há mais nem oposição ideológica e institucional. O princípio da cooptação venceu.
Diante da legitimação do (mau)exemplo e do respectivo sucesso eleitoral, prevejo que será disseminado em todo território nacional a esmola como política pública. E sem os riscos de imputação de ação ilegal/imoral/cooptativa ou de exercício da demagogia. Para alegria dos governantes. Só não se reelege quem não quer. Bem, e quanto à ética e a moral, como valores públicos, já haviam ido ao brejo antes!
Em síntese, trata-se da desqualificação absoluta da política e da administração pública. Mas há quem goste da socialização da ignorância e da miséria!

16 novembro 2006

Lapsos de Memória

“Estes discursos têm em comum
a intenção de despolitização.”

Definitivamente, o poder (e a perspectiva de prorrogar o exercício do poder) transforma as pessoas, independentemente do seu grau de inteligência, erudição e consciência política.
Infelizmente, transforma para pior. Costumam esquecer o que prometeram. Sacrificar a coerência. Ignorar as lições da história. E, mais grave, subestimar a inteligência e a memória do cidadão.
Encerradas as eleições, mas sobrevivos os escândalos e esgotadas as desculpas (de colete), membros do governo e o próprio presidente Lula falam em desestabilização e “terceiro turno”, diante dos prováveis e continuados atos de oposição político-partidária.
Esquecem tudo o quanto a oposição sofrera no período militar e em sucessivas campanhas eleitorais – ou mesmo na falta de eleições. Naquelas ocasiões, militares e seus amigos civis argumentavam exatamente sob a mesma ótica, isto é, que as eleições – ou a vitória da oposição - iriam atrapalhar a paz nacional, a abertura política, a atração de investimentos financeiros, perturbar a estabilidade econômica, etc...
Estes discursos têm em comum a intenção de despolitização. Dão a entender que o melhor mesmo é não haver debates e contestações. E que tudo isto é para o bem do povo e a felicidade geral da nação.
É evidente que o processo democrático, em seu ápice, pode trazer perturbações de ordem social ou imprevistos de natureza econômico-financeira, haja vista a hegemonia da economia de mercado. Mas seu mérito incontestável está na regularidade do processo, na sua previsibilidade institucional, independentemente de quem seja o eventual detentor do poder.
Em qualquer momento, é legítimo às oposições desfraldarem as bandeiras que quiserem, sejam de contestação ou não ao poder instalado, sejam de desafio ou não à normalidade das coisas, submetendo-se, é lógico, à avaliação e julgamento popular.
Quem sempre fez o discurso da hierarquia dos princípios(sic) e a defesa do processo, não deve deixar-se levar por esta demagogia. Fosse o discurso de um general ou de um ditador de plantão, ou alguém à semelhança e arrogância de Collor (lembram o que dizia em 1989 do perigo Lula?), seria natural e previsível.

07 novembro 2006

Privatizações e a demagogia eleitoral

Nos últimos dias, no horário político-eleitoral, tanto na disputa presidencial quanto estadual, intensificaram-se as abordagens em torno das (voc)ações privatizantes e estatizantes dos candidatos e partidos em disputa.
Tanto Lula quanto Olívio atribuíram aos adversários, intensa e insistentemente, a vontade de levar adiante as privatizações. De imediato, no mesmo tom e repetição, tanto Alckmin quanto Yeda negaram tal hipótese,.
Lamentavelmente, a exploração eleitoreira deste tema e o nível de comprometimento das lideranças e dos partidos, em torno da manutenção das empresas públicas, é um sério e grave desserviço à nação.
A rigor, o debate deveria propiciar uma análise política, econômica e financeira séria e transparente sobre os custos da nação na manutenção destas empresas e seus níveis objetivos de contribuição ao desenvolvimento.
Em minha opinião, estamos atrasados no processo de privatização. Pagamos um preço imenso para manter estes feudos de privilégios, competitividade, produtos, preços e serviços discutíveis. Isto sem falar na notória e desavergonhada utilização e exploração político-partidária.
Várias empresas públicas atuam em setores em que a iniciativa privada faz mais e melhor e a custos menores. Empresas que hoje se pautuam pela eficiência e modernidade. Regra geral, as privatizações têm gerado resultados positivos para a sociedade e o governo. Seja na arrecadação de mais impostos, seja nos resultados para seus acionistas, seja na competitividade comercial no ambiente nacional e global.
Objetivamente, as privatizações ajudam a diminuir o tamanho do estado, reduzir o ônus contributivo do cidadão, mas, principalmente, liberam o setor público para realizar suas ações principais e necessárias, notadamente nas áreas de educação, saúde, segurança e infra-estrutura, as mais reclamadas pela sociedade.
A sempre lembrada preservação de interesses estratégicos não depende de exploração estatal. São interesses que podem e devem ser operados em termos de mercado privado e competitivo, nacional e mundial.
Este assunto estatização versus privatização não deveria mais nem constar da pauta. É uma pauta dos anos 50. Superada pela decadência dos modelos, pela aceleração do sistema mundial de trocas, pela globalização econômica e financeira, enfim, pela competitividade e abertura comercial mundial.
É lastimável que em pleno processo eleitoral presidencial e estadual estas idéias ultrapassadas e retrógradas antiprivatizantes adquiram força de voto.
Não bastasse nosso atraso no concerto mundial das principais nações do mundo, perdendo, sucessivamente, as grandes ondas de desenvolvimento, conclui-se que, a continuarmos neste impasse/passo e nestes níveis de idéias e debates, nossas dificuldades não diminuirão. Ao contrário, aumentarão.
Que rei sou eu?

Novamente, o Presidente Lula não sabia de nada. Neste ultimo escândalo, tão grave quanto os demais, os diretamente envolvidos são amigos pessoais do Presidente. Amigos de mais de 30 anos.
Ao dizer que não sabia de nada, de novo!!!, claro que o Presidente está nos tirando para bobos. Brincadeiras à parte, Presidente Lula, não quer que a gente acredite nisto, certo?
O mais incrível nesta cara-dura presidencial, é a sucessão de fatos relacionados à sua gente e seus amigos. Seu filho enriqueceu, seu irmão é lobista, seus ministros mais próximos dispensados e/ou arrolados como réus pelo Ministério Público. Mas o Presidente continua dizendo não saber de nada!
Agora, neste último episódio, além da Polícia Federal e do Ministério Público, também Lula quer saber de onde veio o dinheiro. Mas isto não é problema. É simples. Basta chamar seus companheiros de churrasco/ futebol e perguntar. Nem precisa mandar a Polícia Federal investigar. Pouparia tempo e dinheiro público. Afinal, são todos do PT. Basta convocar os companheiros e fazer as perguntas.
Poderia começar com o Presidente do Partido, Ricardo Berzoini. Depois o Freud Godoy, seu amigo de mais de 20 anos. Depois o Jorge Lorenzetti, grande amigo e churrasqueiro da família. Depois o Osvaldo Bargas, o marido da secretária particular do Presidente. Depois o diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso(Coitado do Banco do Brasil Não merece. Antes já fora aquele diretor de marketing).
Também pode chamar o Ministro da Justiça, Thomaz Bastos, e perguntar porque trocou os delegados da Policia Federal encarregados do caso e porque não deixou fotografar os R$1.700.000,00(hum milhão e setecentos mil reais) sobre a mesa.
Depois de um sincero bate-papo, afinal, repito, são todos amigos e companheiros, não haveria mais dúvidas. Faria-se justiça. O Presidente, finalmente, saberia de tudo. E todos dormiriam em paz. Alguns menos, óbvio!
Possivelmente, alguns chinelões dormiriam na cadeia. Outros, com certeza, mais espertos, em Miami ou alguma ilha do Caribe. E outros, no Congresso Nacional, “blindados” com suas prerrogativas e imunidade parlamentar.
Porque Rigotto perdeu

Necessário dizer, de antemão, que, invariavelmente, depois que os votos foram contados surgem e cabem todas as explicações possíveis para demonstrar e comprovar determinados resultados, eventualmente surpreendentes.
Especificamente, a surpresa(será que foi surpresa?) eleitoral foi a não passagem do Governador Germano Rigotto para o segundo turno das eleições para governador, apesar de todas as pesquisas que indicavam exatamente o contrário, isto é, que seria o primeiro dos dois habilitados.
Então, o que teria acontecido? Surgem hipóteses criativas, a exemplo daquela que cogita que eleitores de Rigotto teriam optado por Yeda para afastar Olívio, de modo a viabilizar um confronto entre Rigotto e Yeda, e o conseqüente apoio dos petistas à Rigotto. Não acredito.
Particularmente, eu prefiro acreditar que Rigotto foi castigado por sua omissão na opção presidencial. Rigotto preferiu ficar em cima do muro entre Lula e Alckmin, possivelmente convencido de que seria o governador reeleito e precisaria do eventual Presidente da República para encaminhar soluções para a grave crise gaúcha. A gauchada não costuma apoiar o “murismo”!
Rigotto não percebeu que esta eleição transfomara-se num debate ético, a rigor, um julgamento dos escândalos de Brasília. Mesmo não optando por ou outro presidenciável, o mais grave foi silenciar sobre os escândalos.
Rigotto ignorou o crescimento de Alckmin. Yeda não ignorou e atrelou sua imagem à de Alckmin. A associação entre as candidaturas de governador e presidente pode ser a explicação para a ascensão de Yeda. Nas últimas semanas de horário eleitoral gratuito, Yeda associou fortemente sua imagem a de Alckmin, ambos em crescimento, pequeno, suave, mas em crescimento constante nas pesquisas.
Claro que estes votos de Yeda não saíram só de Rigotto. Saíram, também, e muito, de Turra e Collares, ambos com desempenho muito aquém de seus currículos e partidos.
Finalmente, devemos admitir que, gostando ou não de Yeda, ela representa o novo nesta eleição. Sim, porque Collares, Olívio e Rigotto, ex-governadores, já tiveram sua oportunidade. E o partido de Turra já teve vários governadores. Além disto, Yeda distinguiu-se por um discurso mais objetivo que os demais. Mais consistente e menos adjetivado.
Ah, e nem falei na questão feminina. Nunca tivemos uma governadora!
Mofo Político

(...)enfim, governantes incapazes de empolgar o povo e renovar as esperanças. Em verdade, estão aquém das necessidades da nação.

A política sempre provoca a repetição e a renovação de algumas idealizações que não resistem a um exame e confrontação com a realidade. Por exemplo, confunde-se, regra geral, a democracia com o direito de votar, com a liberdade de ir e vir, com o direito de opinião. Embora fundamentais, tais direitos não são maiores, nem mais importantes, que o direito à saúde, educação, habitação, trabalho e segurança.
O Estado brasileiro, sob controle político e econômico de grupos não comprometidos com o destino do povo, opera arbitrariamente e com violência. Consequentemente, os marginalizados, pobres principalmente, resolvem seus conflitos do cotidiano fora do espaço público, sem direito e proteção do Estado. A violência, sistemática e crescente, fora dos limites e controles da lei, rege a tudo e a todos.
A pré-condição para a superação destas diferenças, notadamente as econômicas e sociais, é a democratização do Estado, a socialização da coisa pública, a popularização da justiça, de modo a reconhecer e concretizar em cada pessoa um cidadão.
Mas a realidade é outra: há falta de entusiasmo, falta de convicções, apatia política, enfim, governantes incapazes de empolgar o povo e renovar as esperanças. Em verdade, estão aquém das necessidades da nação.
Concorre para a desconfiança e apatia popular o fato de que o Estado já não responde pela sociedade como um todo. Mas o esvaziamento do Estado não significa que suas atribuições tenham-se esgotado, ou que suas responsabilidades sejam menores. Significa, objetivamente, a necessidade de uma reconceituação de competências, assentadas sobre novos modelos de gestão, eficácia e qualidade. Nada a ver com este Estado gigante, ineficiente, expropriador, corrupto e corruptor.
Creio que este é um ponto que os políticos ainda não entenderam. Daí este cheiro de mofo.



Lapsos de Memória

“Estes discursos têm em comum
a intenção de despolitização.”

Definitivamente, o poder (e a perspectiva de prorrogar o exercício do poder) transforma as pessoas, independentemente do seu grau de inteligência, erudição e consciência política.
Infelizmente, transforma para pior. Costumam esquecer o que prometeram. Sacrificar a coerência. Ignorar as lições da história. E, mais grave, subestimar a inteligência e a memória do cidadão.
Encerradas as eleições, mas sobrevivos os escândalos e esgotadas as desculpas (de colete), membros do governo e o próprio presidente Lula falam em desestabilização e “terceiro turno”, diante dos prováveis e continuados atos de oposição político-partidária.
Esquecem tudo o quanto a oposição sofrera no período militar e em sucessivas campanhas eleitorais – ou mesmo na falta de eleições. Naquelas ocasiões, militares e seus amigos civis argumentavam exatamente sob a mesma ótica, isto é, que as eleições – ou a vitória da oposição - iriam atrapalhar a paz nacional, a abertura política, a atração de investimentos financeiros, perturbar a estabilidade econômica, etc...
Estes discursos têm em comum a intenção de despolitização. Dão a entender que o melhor mesmo é não haver debates e contestações. E que tudo isto é para o bem do povo e a felicidade geral da nação.
É evidente que o processo democrático, em seu ápice, pode trazer perturbações de ordem social ou imprevistos de natureza econômico-financeira, haja vista a hegemonia da economia de mercado. Mas seu mérito incontestável está na regularidade do processo, na sua previsibilidade institucional, independentemente de quem seja o eventual detentor do poder.
Em qualquer momento, é legítimo às oposições desfraldarem as bandeiras que quiserem, sejam de contestação ou não ao poder instalado, sejam de desafio ou não à normalidade das coisas, submetendo-se, é lógico, à avaliação e julgamento popular.
Quem sempre fez o discurso da hierarquia dos princípios(sic) e a defesa do processo, não deve deixar-se levar por esta demagogia. Fosse o discurso de um general ou de um ditador de plantão, ou alguém à semelhança e arrogância de Collor (lembram o que dizia em 1989 do perigo Lula?), seria natural e previsível.
Estado e Sociedade

“O Estado existe e é organizado unicamente para servir a sociedade. Não o contrário!”

O presente processo eleitoral caracterizou-se ausência de um debate ideológico acerca da função atual do estado. Foram omitidas questões importantes da esfera da administração pública, notadamente relacionadas ao orçamento, sobretudo quanto à sua gestão e financiamento.
Uma característica comum aos candidatos, em geral, foi o desconhecimento/pouco caso sobre a natureza das receitas, seu custo social, a qualidade dos gastos públicos, o volume do desperdício, a composição e os custos do quadro de pessoal.
Se é verdade que temos que conviver com estas limitações pessoais e partidárias, verdade também é que não precisamos necessariamente nos conformar com esta desqualificação.
Para a viabilização/reconhecimento do Estado, são imprescindíveis as respostas para algumas perguntas, tipo: a sonegação fiscal é um ato de apropriação indébita ou um ato de defesa e sobrevivência comercial? Ou, ainda, um ato de defesa contra a expropriação de capital próprio pelo Estado? Não pedir nota fiscal, ou concordar com a extração de nota fiscal de menor valor, significa um ato ilegal ou uma prática de consenso social que rejeita os inúmeros e altos impostos?
Consequentemente, só há discursos sobre aumento de receita. E dos custos de manutenção e administração do aparelho de estado? Como pedir uma contrapartida da sociedade sem um amplo programa de enxugamento de custos? Refiro-me ao imediato fechamento de inúmeros órgãos, departamentos, setores estatais superados na atual e global estrutura social e econômica. O imediato desfazimento de milhares de imóveis que transformaram o estado em gigantesca incorporadora imobiliária. A imediata revisão e/ou rescisão de milhares de contratos de alugueis. Há dezenas e dezenas de áreas caóticas e superadas.
Ainda outro aspecto. E a questão das competências pessoais, das qualificações técnicas e de gestão, sempre ignoradas em favor da “feudalização partidária dos orgãos de estado”?
Válidas estas perguntas, renova-se uma questão: se não há uma contrapartida de bens e serviços públicos eficientes por que pagar os impostos?
Com o dinheiro público tomando rumos diversos ao interesses essenciais da população, para além da roubalheira – sim, isto aí que estamos vendo não é simples corrupção. O nome disto é roubalheira! - não é a toa que os brasileiros resolvam seus conflitos do cotidiano fora do espaço público. Também não é acaso que, paralela e conseqüentemente, a violência, sistemática e crescente, fora dos limites e controles da lei, rege a tudo e a todos.
Para convencer a opinião pública sobre a viabilidade e propósitos do estado, sobre suas novas(sic) atitudes, de modo a estabelecer uma relação de confiança com o cidadão, impõe-se uma honesta demonstração, principiando por não esquecer que o estado existe e é organizado unicamente para servir a sociedade. Não o contrário!
Assalto aos Depósitos Judiciais

“Acabou.
O último que sair apaga a luz!”

Por conta das dificuldades financeiras do Estado e a (re)novada incompetência administrativa dos governantes (que não têm coragem e ousadia para fechar Secretarias de Estado inúteis e estrategicamente defasadas, bem como extinguir cargos igualmente inúteis), a Assembléia Legislativa do Estado, em 29 de agosto, emendou a lei que autorizara o Poder Executivo a utilizar, emergencialmente(?), 70% dos recursos dos depósitos judiciais. Agora, poderá alocar 85% (cerca de R$728 milhões).
Os depósitos judiciais são valores recolhidos à conta da Justiça Estadual por uma das partes de um processo, enquanto se aguarda o debate e julgamento da causa (quem é o devedor, quem é o credor, qual o valor exato da demanda, etc...), ao final da qual o vencedor faz jus àquele depósito, no todo ou em parte.
Simplificando, trata-se de dinheiro que não é do Estado (nem do Poder Executivo, nem do Judiciário, nem do Legislativo), e talvez nunca venha a ser do Estado. Mas o Estado já se apropria(va) de parte da rentabilidade destes depósitos.
A um absurdo, a uma apropriação indébita menor, surge, agora, um absurdo maior, uma lei grotesca, com o unânime beneplácito parlamentar. O desfecho é previsível: no momento oportuno, o da reposição destes recursos ao fundo original, não haverá disponibilidade financeira.
Conseqüentemente, como de praxe, os credores ficarão a percorrer os (des)caminhos oficiais para buscar o que é seu. Desde sempre, é assim com os precatórios, as indenizações do DAER, com os descontos previdenciários indevidos, com as correções abaixo da lei, etc...etc...E o nome dos criadores do monstro, dos legisladores de soluções mágicas, será esquecido!
Sucedem-se, assim, os saques diários de uma estrutura pública (Estado e União) decadente, ensimesmada e socialmente injusta e inoperante. Cada vez mais criativos e variados, os alquimistas e gênios do assalto e suas gangues de apoio legal/legislativo aplicam suas mais recentes fórmulas de apropriação do alheio.
Acabou. O último que sair apaga a luz e fecha a porta!
Aerolula e o caixeiro-viajante


“(...) a internacionalização da economia, a necessidade de “fazer caixa”, (...) e, principalmente, o desemprego, determinaram que a agenda presidencial seja, essencialmente, comercial e internacional.”

No debate entre os candidatos a Presidente, surgiu novamente o assunto do super-avião, o comicamente denominado “aerolula”, adquirido às custas de milhões e milhões de dinheiro público.
É claro que Lula poderia ter encomendado um avião menor e mais barato à Embraer, a exemplo deste agora mais conhecido Legacy. Mas, enfim, são tantos amigos na fila de passageiros e a generosidade estatal deveras sensível, que umas poltronas a mais vêm bem!
Acerca de FHC se fazia muitas piadas, haja vista que permanecia mais em território estrangeiro que nacional. Aliás, o próprio Lula várias vezes utilizou-se, política e eleitoralmente, destes argumentos para criticar o então presidente. Mas, ultimamente, tem feito igual. Nada como o tempo, dizem os meteorologistas e os relojoeiros.
Provocações e piadas à parte, a verdade é que desde o fim do comunismo, simbolizado pela queda do Muro de Berlin e a definitiva ascensão das teorias do Consenso de Washington, os Presidentes dos ditos países em desenvolvimento, agora emergentes, entre os quais o brasileiro, viraram caixeiros-viajantes.
Explicando: a internacionalização da economia, a necessidade de “fazer caixa”, ampliar as exportações, vender estatais, privatizar serviços públicos, estabelecer parcerias, e, principalmente, a necessidade de enfrentar o desemprego, determinaram que a agenda presidencial seja, essencialmente, comercial e internacional. Esta é a realidade mundial desde 1989.
Outro aspecto, não necessariamente secundário, é que esta agenda comercial e internacional, dentro da aparente inevitabilidade histórica que vivenciamos, tem um papel fundamental no processo político e eleitoral interno. Afinal, ninguém perdoaria o Presidente nas omissões em torno dos esforços de captação de novos negócios.
É o ônus da ideologia dominante. Fazer o quê? Ou outro mundo será possível?
A enfermidade de Dona Esperança
(sobre a crise ético-política)

A esperança fraudulenta
é uma das maiores malfeitoras da humanidade."Ernst Bloch, em "O Princípio Esperança".

Incluo-me entre os cidadãos que estão desesperançados com a indiferença e a não indignação social ante o conjunto dos crimes praticados no decurso do presente governo.
Quanto ao cego comportamento coletivo, convèm lembrar que a história é farta nas demonstrações dos erros decorrentes na indevida proteção dos governantes flagrados em delito, em detrimento da hierarquia dos valores permanentes de uma nação.
Do mesmo modo, importa denunciar a idolatria. Líder nenhum é fiel e exclusivo depositário das lutas de um povo, de suas esperanças e desejos político-sociais.
Independentemente de nossas opções/opiniões políticas, ideológicas e partidárias - e mesmo que não tenhamos nenhuma, não podemos prescindir da crença num sistema de valores nacionais, regras constitucionais, dispositivos legais, conceitos éticos, entre outros de igual importância.
Estes valores são frutos do esforço coletivo, sofrimento e resignação, às vezes de várias gerações. Não podem ser contaminados pela fraqueza, incompetência e desonestidade de indivíduos que não estão, ou não estiveram, à altura de determinado cargo e/ou momento histórico da nação.
Quanto à militância e fidelidade partidária, o engajamento no processo eleitoral, enfim, a opção por um companheiro/candidato, não pode constituir-se em compromisso inalterável, uma vez confrontado com fatos graves e ilegais, imorais e anti-éticos, relevantes à nação.
Descontados os equívocos de nossas opções partidárias, que merecem revisão e repactuação, a exemplo dos - por nós atribuídos - defeitos de outras ideologias, aliás, todas em constante processo de mutação e transformação, não tolero a idéia, nem me conformo, em permitir que destruam o patrimônio de luta, resistência e esperança de várias gerações.
Em verdade, neste vai-vem da política, aprendemos a sentir o amargo sabor da verdade e da realidade. À medida que a utopia e a paixão dão lugar à compreensão acerca das fraquezas humanas e das vocações autoritárias dos grupelhos políticos, aprendemos a valorizar os instrumentos básicos de um Estado Democrático de Direito.
A aprender, também, é que na política, como no amor, por conta de nossa idealização, demoramos para ver os defeitos de nosso objeto amoroso.
Todavia, mantenhamos as esperanças. Com certeza, haveremos de encontrar e construir as soluções para nossa tragédia e seus impasses. A história ensina que cada geração tem uma experiência inédita. Não há repetição. Cada retrato da sociedade é próprio de sua época.

A crise e a (des) função do trabalho
(para uma reflexão e visão crítica das redes de proteção social)

O desesperançoso é que não têm utilidade para o sistema capitalista, nem para os defensores do socialismo.

Social, psicológica e historicamente, o trabalho é reconhecido como um elemento fundamental no processo de afirmação do ser humano. Sua relação com a vida e a sobrevivência vai muito além da questão da produção de bens e renda. A ocupação produtiva do indivíduo está diretamente relacionada a idéia de dar um sentido a própria existência.
Neste sentido, vivemos uma época de profunda contradição e depressão existencial, haja vista as alterações dos processos produtivos, das relações de comércio interno e externo, todas com graves repercussões no quadro das atividades laborais e de emprego.
Em contrapartida, crescem as redes de proteção social, oficiais e comunitárias. Governos e entidades assistenciais criam e apresentam os diversos programas de ajuda. A palavras chave são “bolsa, vale, programa, etc...”, a exemplo da bolsa alimentação, o vale-transporte, o vale-gás, a bolsa-escola, o programa de renda mínima, merenda e transporte escolar, entre outros, em todas as esferas da organização social e estatal. São formas indiretas de proteção e aumento da renda familiar.
Objetivamente, é tudo consequência de um processo de marginalização capitalista, sistema que vive uma crise de criatividade em sua capacidade de incorporação da força de trabalho. Consequentemente, milhares de famílias passam a viver e depender das redes de proteção social.
O que pode parecer como uma espécie de socialização forçada de benefícios, no pensar de outros parece um inquietante processo de (des) educação para o ócio, ou deseducação para o trabalho.
Ressalvado tratar-se de um ócio forçado, todos estes benefícios permitem às pessoas (sobre)viverem, claro que sem qualidade de vida, precária e resignadamente, e pior, por extensão, sem ver no trabalho uma necessidade.
As vítimas deste processo de exclusão e inutilização humana são, obviamente, os menos formal e profissionalmente educados e preparados para o trabalho. Este despreparo é gravíssimo por que impede/incapacita a mobilização destas massas populares para uma reação.
O desesperançoso é que não têm(estas massas populares) utilidade para o sistema capitalista, nem para os defensores do socialismo. Para uns não servem por que fora e inaptos no processo de criação de riquezas, e para outros por que incapazes de auto-crítica e construção de um projeto social reformador (ou revolucionário). Mais grave: em verdade, servem como massas de manobra, descompromissadas com quaisquer objetivos de um ou outro sistema político-econômico.