Assim é a política nacional. Os mais velhos dizem que sempre foi assim. Promessas, promessas e mais promessas. O anúncio de uma obra é instantâneo. Fazer a obra são “outros quinhentos”.
Prazos não são cumpridos. Pontes e viadutos no meio do nada. Os recursos financeiros saem de tudo que é canto como que por encanto. Só no papo, lógico.
Anúncios gigantescos em jornais e revistas. Espaço publicitário na televisão. Até placas com intenção de obras são inauguradas, pomposamente.
Tudo no papel, tudo no ar. Nada é real. Real é apenas o dinheiro do contribuinte gasto para festas, recepções e anúncios cinematográficos.
Agora, por exemplo, o Presidente Lula reuniu a imprensa e disse que iria construir um milhão de casas. Assim mesmo, sem mais, nem menos. Um milhão de casas!
Coincidentemente, já estamos em processo eleitoral deflagrado. O presidente já anunciou a sua candidata. Então, o plano habitacional é o PAC da Dilma. Plano de Aceleração de Candidatura da Dilma.
Mas disse mais o presidente Lula, naquele tom definitivo e próprio dos enviados dos deuses e predestinados. “Não me cobrem prazos!”.
Quer dizer, disse por que quis, tudo que quis, como quis e ainda fica brabo se alguém pergunta: “quanto, como e quando?”
Mas vamos aos fatos e às perguntas objetivas. Com que dinheiro, com que terrenos? Segundo o plano, estados e municípios deverão apresentar e doar terrenos para a construção.
Estados e municípios também deverão fazer aportes financeiros, infraestrutura e desoneração fiscal em tributos como ICMS, ITBI, ISS, ITCD, além de agilização na aprovação de projetos, alvarás, autorizações e licenças.
Os gênios palacianos esquecem que nos termos propostos, com a participação de estados e municípios, quer para modificação e criação de leis, quer para a doação de terrenos, faz-se necessária discussão, tramitação e aprovações legais.
Quanto aos terrenos a coisa não é assim tão simples. Há dispositivos legais de avaliação e desapropriação, por exemplo. Sem contar a especulação.
Mas voltando ao mágico de Brasília. Claro que um negócio desse porte – um milhão de casas, vai gerar um belo cadastro nacional. Muito útil em ano eleitoral.
Só para lembrar: a carência habitacional brasileira é de oito milhões de moradias. Trabalho dobrado para o Tribunal Eleitoral que deverá fiscalizar para que o cadastro não seja meio de captação de votos.
Sentado em cima de montanhas de dinheiro, fruto da maior carga tributária do planeta, mesmo assim o presidente Lula quer fazer uma revolução com dinheiro alheio!
Um milhão de casas em um ano é o que quer o Presidente. Lembrou disso agora, depois de seis anos de governo. Na véspera da próxima eleição presidencial.
Puxa, Presidente Lula, não seja modesto. Faz logo dois milhões de casas!
Crônicas e Comentários sobre Política e Economia, Cotidiano e Comportamento, Cultura e Personalidades
27 março 2009
20 março 2009
181 Diretorias e 81 "Anões"
181 diretores e 81 “anões”
Esse tragicômico despertar do gigante adormecido – refiro-me ao Senado – e suas 181 diretorias e seus 81 “anões”, é apenas mais um episódio no conjunto da espoliação de um povo escravizado na sua ignorância.
Diferente não é na Câmara dos Deputados, nas Assembléias Legislativas e na maioria das Câmaras de Vereadores. Nos Tribunais de Justiça e de Contas. E nos executivos municipais, estaduais e federal!
Os sucessivos escândalos relacionados à apropriação de bens e dinheiro público têm em comum um fato, uma característica, que merece mais reflexões e análises.
Objetivamente, refiro-me à indiferença e omissão de autoridades e instituições cuja tarefa precípua seria justamente observar a impropriedade de determinadas operações, despesas e a desproporção de valores.
Sucedem-se as transações expressivas e suspeitas como se não houvesse outro brasileiro na outra extremidade do balcão, do negócio, da operação. Uma autoridade, uma chefia superior, ou uma instituição, responsáveis pela conferência e vigilância. E o que ocorre?
Ocorre que tudo é ignorado, olimpicamente, por uma razão muito singela: é o dinheiro dos outros, público ou privado, é dinheiro dos outros. E o dinheiro dos outros, safadamente, é doce de gastar, dilapidar e usurpar!
Como explicar e admitir que ninguém mais observe, com olhos de razão e ponderação, a desproporção de valores, de despesas e do número de servidores?
Aliás, nos dias atuais não requer muito estudo, escolaridade, conhecimento, leitura de jornais e classificados, compra em supermercados, para se saber o preço médio e razoável de qualquer coisa.
Do mesmo modo, é de se supor que se um “João qualquer” se apresentar com um cartão de crédito corporativo do Governo, da Câmara ou do Senado, deva merecer mais atenção cívica e ética do respectivo vendedor ou prestador de serviços.
Também, como explicar a sucessão dos negócios que redundam em escândalos - não no ato da operação como seria de se esperar, mas muito depois e quase sempre por motivos alheios, a exemplo de traições políticas, perda de gratificações, alijamento de licitações, inveja, sexo, politicagem, entre outros exemplos?
Se já não há mais respeito à propriedade privada e pública, se a locupletação é generalizada, se a manutenção e ampliação de privilégios ofensivos à realidade nacional são argüidos e equiparados constitucional e descaradamente, qual é, ou deveria ser, o núcleo de nossa indignação?
Se o nosso dinheiro, fruto de trabalho e recolhimento de impostos, aos olhos e desejos de governantes, autoridades e seus asseclas públicos e privados, resume-se ao simples “dinheiro dos outros”, qual deveria ser o centro de nossa reação?
O que nos esta como razão de indignação e reação? O gigantismo do Estado e o mau-caratismo dos representantes políticos são dois bons assuntos para se debater.
Se não pudermos resolver os dois ao mesmo tempo, a diminuição de um já ajudaria a reduzir a influência do outro. E, conseqüentemente, diminuir o tamanho do assalto continuado!
Esse tragicômico despertar do gigante adormecido – refiro-me ao Senado – e suas 181 diretorias e seus 81 “anões”, é apenas mais um episódio no conjunto da espoliação de um povo escravizado na sua ignorância.
Diferente não é na Câmara dos Deputados, nas Assembléias Legislativas e na maioria das Câmaras de Vereadores. Nos Tribunais de Justiça e de Contas. E nos executivos municipais, estaduais e federal!
Os sucessivos escândalos relacionados à apropriação de bens e dinheiro público têm em comum um fato, uma característica, que merece mais reflexões e análises.
Objetivamente, refiro-me à indiferença e omissão de autoridades e instituições cuja tarefa precípua seria justamente observar a impropriedade de determinadas operações, despesas e a desproporção de valores.
Sucedem-se as transações expressivas e suspeitas como se não houvesse outro brasileiro na outra extremidade do balcão, do negócio, da operação. Uma autoridade, uma chefia superior, ou uma instituição, responsáveis pela conferência e vigilância. E o que ocorre?
Ocorre que tudo é ignorado, olimpicamente, por uma razão muito singela: é o dinheiro dos outros, público ou privado, é dinheiro dos outros. E o dinheiro dos outros, safadamente, é doce de gastar, dilapidar e usurpar!
Como explicar e admitir que ninguém mais observe, com olhos de razão e ponderação, a desproporção de valores, de despesas e do número de servidores?
Aliás, nos dias atuais não requer muito estudo, escolaridade, conhecimento, leitura de jornais e classificados, compra em supermercados, para se saber o preço médio e razoável de qualquer coisa.
Do mesmo modo, é de se supor que se um “João qualquer” se apresentar com um cartão de crédito corporativo do Governo, da Câmara ou do Senado, deva merecer mais atenção cívica e ética do respectivo vendedor ou prestador de serviços.
Também, como explicar a sucessão dos negócios que redundam em escândalos - não no ato da operação como seria de se esperar, mas muito depois e quase sempre por motivos alheios, a exemplo de traições políticas, perda de gratificações, alijamento de licitações, inveja, sexo, politicagem, entre outros exemplos?
Se já não há mais respeito à propriedade privada e pública, se a locupletação é generalizada, se a manutenção e ampliação de privilégios ofensivos à realidade nacional são argüidos e equiparados constitucional e descaradamente, qual é, ou deveria ser, o núcleo de nossa indignação?
Se o nosso dinheiro, fruto de trabalho e recolhimento de impostos, aos olhos e desejos de governantes, autoridades e seus asseclas públicos e privados, resume-se ao simples “dinheiro dos outros”, qual deveria ser o centro de nossa reação?
O que nos esta como razão de indignação e reação? O gigantismo do Estado e o mau-caratismo dos representantes políticos são dois bons assuntos para se debater.
Se não pudermos resolver os dois ao mesmo tempo, a diminuição de um já ajudaria a reduzir a influência do outro. E, conseqüentemente, diminuir o tamanho do assalto continuado!
13 março 2009
Quebra de Confiança - ocaso da República
O Brasil é uma república. A palavra república vem do latim “res publica”. Significa coisa pública, que é de todos.
Liberdade, participação dos cidadãos, submissão às leis e ação limitada do estado são algumas características da república.
O regime republicano brasileiro vigora desde 1889. Embora passado tanto tempo, a república brasileira ainda tem um grande “inimigo”. A corrupção!
Nossa idéia mais comum sobre corrupção está relacionada a desvio de dinheiro público, ou coisas materiais, por um funcionário, um administrador ou um político desonesto. Basicamente, sempre relacionada às coisas públicas, não privadas. Mas esse não é o maior crime do corrupto.
Seu maior crime é “matar a confiança”. A confiança é o núcleo do ideal republicano. A confiança é o principal bem em comunidade. A corrupção elimina a confiança de um cidadão no outro.
De modo que a nossa indignação está erradamente focada na questão do dinheiro. Imprensa e judiciário, principalmente, também cometem o mesmo erro.
Mas porque toleramos a corrupção se ela degrada os bons costumes sociais, e, principalmente, o alicerce da república?
Histórias de outras épocas e nações falam de cidadãos que se orgulhavam da república e davam suas vidas por ela.
Hoje impera o individualismo. Em detrimento do engajamento público e político, a vida privada se ampliou. Trabalho, lazer e valores éticos são medidos a partir do indivíduo. E não do interesse social.
A idéia e a prática da coletividade para nós é uma abstração, um sacrifício. Nada que exija sacrifícios e custos pessoais tem chance de prosperar.
Perdemos a compreensão e a dimensão do interesse público e social. Não acreditamos no coletivo, nem no ideal republicano.
Significa dizer que costumes (ética, não corrupção, ideais públicos) não são mais garantidores e fundadores da república.
E se a república tem um ideal coletivo e valoriza o bem comum, o que significa o compromisso de todos com todos, a corrupção é sua negação.
A corrupção realiza a degradação de bons costumes e “rouba” bens indivisíveis como a virtude, o direito e o ideal comunitário, valores que nos enriquecem coletivamente.
O principal prejuízo causado pela corrupção é a quebra de confiança. Seja a confiança de uma pessoa na outra, seja a confiança nas autoridades e nos demais representantes da sociedade.
Sem confiança não há república. Hoje, atual e infelizmente, nossa república é só de nome. Uma miragem. Uma farsa!
Urgentemente precisamos reinventar o respeito ao próximo e ao interesse coletivo. Recuperar ética e socialmente o ideal de que há algo em comum entre nós.
Liberdade, participação dos cidadãos, submissão às leis e ação limitada do estado são algumas características da república.
O regime republicano brasileiro vigora desde 1889. Embora passado tanto tempo, a república brasileira ainda tem um grande “inimigo”. A corrupção!
Nossa idéia mais comum sobre corrupção está relacionada a desvio de dinheiro público, ou coisas materiais, por um funcionário, um administrador ou um político desonesto. Basicamente, sempre relacionada às coisas públicas, não privadas. Mas esse não é o maior crime do corrupto.
Seu maior crime é “matar a confiança”. A confiança é o núcleo do ideal republicano. A confiança é o principal bem em comunidade. A corrupção elimina a confiança de um cidadão no outro.
De modo que a nossa indignação está erradamente focada na questão do dinheiro. Imprensa e judiciário, principalmente, também cometem o mesmo erro.
Mas porque toleramos a corrupção se ela degrada os bons costumes sociais, e, principalmente, o alicerce da república?
Histórias de outras épocas e nações falam de cidadãos que se orgulhavam da república e davam suas vidas por ela.
Hoje impera o individualismo. Em detrimento do engajamento público e político, a vida privada se ampliou. Trabalho, lazer e valores éticos são medidos a partir do indivíduo. E não do interesse social.
A idéia e a prática da coletividade para nós é uma abstração, um sacrifício. Nada que exija sacrifícios e custos pessoais tem chance de prosperar.
Perdemos a compreensão e a dimensão do interesse público e social. Não acreditamos no coletivo, nem no ideal republicano.
Significa dizer que costumes (ética, não corrupção, ideais públicos) não são mais garantidores e fundadores da república.
E se a república tem um ideal coletivo e valoriza o bem comum, o que significa o compromisso de todos com todos, a corrupção é sua negação.
A corrupção realiza a degradação de bons costumes e “rouba” bens indivisíveis como a virtude, o direito e o ideal comunitário, valores que nos enriquecem coletivamente.
O principal prejuízo causado pela corrupção é a quebra de confiança. Seja a confiança de uma pessoa na outra, seja a confiança nas autoridades e nos demais representantes da sociedade.
Sem confiança não há república. Hoje, atual e infelizmente, nossa república é só de nome. Uma miragem. Uma farsa!
Urgentemente precisamos reinventar o respeito ao próximo e ao interesse coletivo. Recuperar ética e socialmente o ideal de que há algo em comum entre nós.
06 março 2009
Governo rico, povo pobre
O gigantismo do estado brasileiro (governo federal e estados) é evidenciado pelo número de órgãos, empresas e funcionários públicos, tudo e todos assentados, apoiados e garantidos por uma imensa arrecadação e concentração tributária e aparelhamento burocrático. Lógica, inevitável e consequentemente, é um estado perdulário, incompetente e corrupto.
O estado cada vez mais rico, e o povo cada vez mais pobre. Não é a toa que o agravamento de diferenças sociais e injustiças se sucedem e aumentam, dia após dia.
Em todos os quadrantes da nação, uma acirrada luta pela sobrevivência, ilustrada e confirmada pelas estatísticas feitas de miséria, desemprego, drogadição, crimes e mortes em série.
Enquanto isso, homens públicos de sorrisos fartos e pagos com dinheiro público nos falam de uma reforma tributária.
Já sabemos, de antemão, que não diminuirá o grande e concentrado poder da União, um monumento ao desprezo dos ideais republicanos e a independência de estados e municípios.
Aliás, é uma vergonha a romaria de governadores e prefeitos para Brasília, onde trocam abraços, mimos, fotos e “tapinhas” nas costas com as autoridades políticas e burocráticas. E mendigam migalhas.
Fossem lideranças autênticas e politicamente comprometidas, lutariam pela independência tributária de suas comunidades e o alívio nos impostos que o povo paga.
Se ao menos os empresários se dedicassem com mais afinco à denúncia e esclarecimento do povo. Afinal, sob pena de prisão, são obrigados a recolher pesados tributos sobre mercadorias que ainda não venderam. Ou que venderam a prazo. Ou, então, sobre vendas que nunca serão pagas devido à inadimplência e os calotes.
Invés divulgar e organizar a resistência cívica nacional, ficam pedindo prorrogação de prazos de recolhimento, um subterfúgio que não resolve.
De modo que o grande desafio que a sociedade tem pela frente é sua auto-educação tributária. Praticamente, ninguém sabe quanto está pagando de tributos aos governos municipais, estaduais e federal.
Por exemplo, num rancho de R$500,00 será que o consumidor supõe que possa estar pagando PIS, COFINS, IPI, CSLL, IRPJ, totalizando uns R$300,00 que pertencem ao Governo Federal? Isso sem contar o INSS e o PIS-PASEP. E mais R$100,00 de ICMS que pertencem ao Estado e Municípios.
Ou seja, sobram menos de R$100,00 para o empresário pagar seus fornecedores e funcionários. E ainda ter sua margem de lucro para uso pessoal e reinvestimento na empresa.
Pergunto: quem sabe o que significam essas siglas todas (existem mais de 100 impostos, taxas e contribuições!) e para onde vai o dinheiro?
Já está provado com estudos e pesquisas que o governo é um guloso que quer mais, e mais, e sempre mais, e que para sua gula e cardápio cria os mais variados argumentos e necessidades. Ainda que falsos!
No dia em que a maioria das pessoas compreender o significado de cada sigla de tributo e o destino do dinheiro, e souber analisar o comportamento dúbio e omisso das autoridades e dos políticos, talvez a mudança possa começar e o nosso povo enriquecer.
Sim, por que hoje apenas o governo é rico. O povo é pobre. E a cada dia que passa, é cada vez mais pobre. E no meio da pobreza generalizada crescem os vales-disso e daquilo.
Uma forma barata de comprar a simpatia, o silêncio e a consciência dos pobres, as maiores vítimas da concentração tributária.
O estado cada vez mais rico, e o povo cada vez mais pobre. Não é a toa que o agravamento de diferenças sociais e injustiças se sucedem e aumentam, dia após dia.
Em todos os quadrantes da nação, uma acirrada luta pela sobrevivência, ilustrada e confirmada pelas estatísticas feitas de miséria, desemprego, drogadição, crimes e mortes em série.
Enquanto isso, homens públicos de sorrisos fartos e pagos com dinheiro público nos falam de uma reforma tributária.
Já sabemos, de antemão, que não diminuirá o grande e concentrado poder da União, um monumento ao desprezo dos ideais republicanos e a independência de estados e municípios.
Aliás, é uma vergonha a romaria de governadores e prefeitos para Brasília, onde trocam abraços, mimos, fotos e “tapinhas” nas costas com as autoridades políticas e burocráticas. E mendigam migalhas.
Fossem lideranças autênticas e politicamente comprometidas, lutariam pela independência tributária de suas comunidades e o alívio nos impostos que o povo paga.
Se ao menos os empresários se dedicassem com mais afinco à denúncia e esclarecimento do povo. Afinal, sob pena de prisão, são obrigados a recolher pesados tributos sobre mercadorias que ainda não venderam. Ou que venderam a prazo. Ou, então, sobre vendas que nunca serão pagas devido à inadimplência e os calotes.
Invés divulgar e organizar a resistência cívica nacional, ficam pedindo prorrogação de prazos de recolhimento, um subterfúgio que não resolve.
De modo que o grande desafio que a sociedade tem pela frente é sua auto-educação tributária. Praticamente, ninguém sabe quanto está pagando de tributos aos governos municipais, estaduais e federal.
Por exemplo, num rancho de R$500,00 será que o consumidor supõe que possa estar pagando PIS, COFINS, IPI, CSLL, IRPJ, totalizando uns R$300,00 que pertencem ao Governo Federal? Isso sem contar o INSS e o PIS-PASEP. E mais R$100,00 de ICMS que pertencem ao Estado e Municípios.
Ou seja, sobram menos de R$100,00 para o empresário pagar seus fornecedores e funcionários. E ainda ter sua margem de lucro para uso pessoal e reinvestimento na empresa.
Pergunto: quem sabe o que significam essas siglas todas (existem mais de 100 impostos, taxas e contribuições!) e para onde vai o dinheiro?
Já está provado com estudos e pesquisas que o governo é um guloso que quer mais, e mais, e sempre mais, e que para sua gula e cardápio cria os mais variados argumentos e necessidades. Ainda que falsos!
No dia em que a maioria das pessoas compreender o significado de cada sigla de tributo e o destino do dinheiro, e souber analisar o comportamento dúbio e omisso das autoridades e dos políticos, talvez a mudança possa começar e o nosso povo enriquecer.
Sim, por que hoje apenas o governo é rico. O povo é pobre. E a cada dia que passa, é cada vez mais pobre. E no meio da pobreza generalizada crescem os vales-disso e daquilo.
Uma forma barata de comprar a simpatia, o silêncio e a consciência dos pobres, as maiores vítimas da concentração tributária.
26 fevereiro 2009
A Era da Ignorância
Tanto em volume quanto em divulgação, nunca foram tantas as alternativas e oportunidades de acesso a educação, ao saber, a cultura, a escolarização e a produção científica.
O conhecimento acumulado acerca da existência humana e do meio-ambiente é fantástico e imenso. A racionalidade e a ciência prosperam e asseguram uma vida melhor.
Passo a passo, crendices e superstições dão lugar ao saber científico e metodológico. Mais e mais pessoas vão além de um conhecimento que tinham e que adquiriram em seus meios de origem social.
Porém, a plena receptividade, a compreensão, o estabelecimento e o desenvolvimento dessas mensagens ainda dependem do esforço e empenho pessoal e individual. Daí que assistimos e vivenciamos um incrível paradoxo.
Ao mesmo tempo em que avançamos grandiosamente na produção e divulgação do saber científico, nunca foi tão grande o número de pessoas (com)partilhando superstições e explicações simplistas, erradas e idiotas. Como se verdade fosse!
A fartura, exuberância e instantaneidade dos modernos meios de comunicação, a exemplo de celulares multimídia e da própria internet, garantem sua propagação.
Bem, podemos dar um “desconto” e admitir, como bem demonstra a história em todos os períodos e sociedades, que a cultura científica sempre foi restrita e elitista.
E que sempre houve uma “competição” da ciência com a cultura popular, rica em simplificações ingênuas e travestidas em conhecimento popular e senso comum.
Um bom exemplo da massificação da ignorância é a crescente oferta e divulgação dos manuais de astrologia e auto-ajuda, com práticas e garantias de “sucesso pessoal, no amor e nas finanças”.
Também prospera o fundamentalismo religioso. Explicações sobre a origem do universo, da vida, da humanidade, que ignoram e contrariam, sem cerimônia, a biologia, a antropologia, a arqueologia e a história, entre outras ciências.
Isso sem falar na “indústria” religiosa, o comércio da fé e seus teólogos da prosperidade, que expurgam “demônios” e abençoam carteiras de trabalho.
Repetindo, haja vista a fartura tecnológica e o acesso universal, muitas pessoas propagam a ignorância, preconceitos e a falsa ciência, sem restrições e sem constrangimentos. Como se houvesse uma genialidade natural, uma geração espontânea do saber.
Mas com tantos corações carentes de afeto, ouvidos ávidos de atenção e estômagos vazios, não é surpresa a supremacia da ignorância, da mistificação e do curandeirismo.
O conhecimento acumulado acerca da existência humana e do meio-ambiente é fantástico e imenso. A racionalidade e a ciência prosperam e asseguram uma vida melhor.
Passo a passo, crendices e superstições dão lugar ao saber científico e metodológico. Mais e mais pessoas vão além de um conhecimento que tinham e que adquiriram em seus meios de origem social.
Porém, a plena receptividade, a compreensão, o estabelecimento e o desenvolvimento dessas mensagens ainda dependem do esforço e empenho pessoal e individual. Daí que assistimos e vivenciamos um incrível paradoxo.
Ao mesmo tempo em que avançamos grandiosamente na produção e divulgação do saber científico, nunca foi tão grande o número de pessoas (com)partilhando superstições e explicações simplistas, erradas e idiotas. Como se verdade fosse!
A fartura, exuberância e instantaneidade dos modernos meios de comunicação, a exemplo de celulares multimídia e da própria internet, garantem sua propagação.
Bem, podemos dar um “desconto” e admitir, como bem demonstra a história em todos os períodos e sociedades, que a cultura científica sempre foi restrita e elitista.
E que sempre houve uma “competição” da ciência com a cultura popular, rica em simplificações ingênuas e travestidas em conhecimento popular e senso comum.
Um bom exemplo da massificação da ignorância é a crescente oferta e divulgação dos manuais de astrologia e auto-ajuda, com práticas e garantias de “sucesso pessoal, no amor e nas finanças”.
Também prospera o fundamentalismo religioso. Explicações sobre a origem do universo, da vida, da humanidade, que ignoram e contrariam, sem cerimônia, a biologia, a antropologia, a arqueologia e a história, entre outras ciências.
Isso sem falar na “indústria” religiosa, o comércio da fé e seus teólogos da prosperidade, que expurgam “demônios” e abençoam carteiras de trabalho.
Repetindo, haja vista a fartura tecnológica e o acesso universal, muitas pessoas propagam a ignorância, preconceitos e a falsa ciência, sem restrições e sem constrangimentos. Como se houvesse uma genialidade natural, uma geração espontânea do saber.
Mas com tantos corações carentes de afeto, ouvidos ávidos de atenção e estômagos vazios, não é surpresa a supremacia da ignorância, da mistificação e do curandeirismo.
20 fevereiro 2009
Opinião e Julgamento Sumário
Parafraseando no nosso quase unânime e verborrágico presidente, que cunhou a pérola semântica e demagógica “do nunca antes!”, quero dizer, também, que nunca antes houve tanta opinião e julgamento sumário.
E nem me refiro às corriqueiras conversas de esquina, dos fofoqueiros de plantão ou de vizinhas ao pé da cerca, de cuia e vassoura na mão.
A maioria das notícias é apresentada como opinião. Sem provas formais, indícios e suspeitas se tornam evidências incontestáveis e os suspeitos julgados, culpados e condenados. Ou absolvidos. Tudo em 30 segundos!
Não são apenas os renovados escândalos políticos e econômicos, de representantes e autoridades constituídas, instituídas e “prostituídas”.
Mas também no âmbito social, no mundo das pessoas sem poder e sem representação, ocorrem as precipitações de condenação e absolvição.
Dizem que se trata de um fenômeno mundial, fruto da aldeia global e multimídia. Aliás, hoje em dia tudo é pós-moderno, apesar do viés medieval!
Veja fato recente como a brasileira “mutilada” na Suíça. Tudo indica que haverá reversão total das versões pré-enunciadas e anunciadas. Até o experiente Itamaraty “embarcou”!
Tardiamente, os pais afirmaram que a filha sofre de uma doença (Lúpus) que causa alucinações. Bem antes, entretanto, colegas de trabalho da brasileira já haviam dito que a ultrassonografia que ela enviara sobre sua gravidez se tratava de uma imagem copiada da internet.
O fato é que entre a notícia inicial e as informações mais recentes ocorreram muitas acusações, condenações e absolvições prévias, de pessoas comuns, de altas autoridades, partido político suíço e nacionalidades.
Outro exemplo: e aqui entre nós, o que pensar e dizer sobre o suicídio do jovem assessor do governo gaucho, em Brasília. Andava triste e deprimido, dizem seus amigos e familiares, visto que não mais suportava a imputação criminosa que lhe fora feita na CPI do DETRAN, ainda que sem provas, nem processo, nem condenação judicial.
Descontadas e perdoadas as precipitações comuns a todos nós, a verdade é que vivemos uma profunda crise ética acerca da manipulação das palavras e a (des)construção da verdade.
O sacrifício da verdade tem fraudado nossas boas e necessárias expectativas comunitárias. Afinal, qual a motivação de participação e credibilidade se não é dita e pretendida a verdade? Ou, então, se é fomentado o preconceito?
O pior fruto da ausência da verdade, ou da existência da mentira, é a conseqüente hierarquia e supremacia da intolerância.
E não é por falta de recomendações e lições. Exemplarmente, em 26 de agosto de 1789, os franceses já escreviam na sua Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão que toda pessoa é considerada inocente até prova em contrário, e que ninguém poderá ser condenado por suas idéias, mas somente por seus atos.
Também o filósofo alemão Hegel (1770-1831) já dissera que a transformação sumária do suspeito em culpado e sua condenação à morte sem direito de defesa, é uma morte efetuada sob a forma do espetáculo público.
E nem me refiro às corriqueiras conversas de esquina, dos fofoqueiros de plantão ou de vizinhas ao pé da cerca, de cuia e vassoura na mão.
A maioria das notícias é apresentada como opinião. Sem provas formais, indícios e suspeitas se tornam evidências incontestáveis e os suspeitos julgados, culpados e condenados. Ou absolvidos. Tudo em 30 segundos!
Não são apenas os renovados escândalos políticos e econômicos, de representantes e autoridades constituídas, instituídas e “prostituídas”.
Mas também no âmbito social, no mundo das pessoas sem poder e sem representação, ocorrem as precipitações de condenação e absolvição.
Dizem que se trata de um fenômeno mundial, fruto da aldeia global e multimídia. Aliás, hoje em dia tudo é pós-moderno, apesar do viés medieval!
Veja fato recente como a brasileira “mutilada” na Suíça. Tudo indica que haverá reversão total das versões pré-enunciadas e anunciadas. Até o experiente Itamaraty “embarcou”!
Tardiamente, os pais afirmaram que a filha sofre de uma doença (Lúpus) que causa alucinações. Bem antes, entretanto, colegas de trabalho da brasileira já haviam dito que a ultrassonografia que ela enviara sobre sua gravidez se tratava de uma imagem copiada da internet.
O fato é que entre a notícia inicial e as informações mais recentes ocorreram muitas acusações, condenações e absolvições prévias, de pessoas comuns, de altas autoridades, partido político suíço e nacionalidades.
Outro exemplo: e aqui entre nós, o que pensar e dizer sobre o suicídio do jovem assessor do governo gaucho, em Brasília. Andava triste e deprimido, dizem seus amigos e familiares, visto que não mais suportava a imputação criminosa que lhe fora feita na CPI do DETRAN, ainda que sem provas, nem processo, nem condenação judicial.
Descontadas e perdoadas as precipitações comuns a todos nós, a verdade é que vivemos uma profunda crise ética acerca da manipulação das palavras e a (des)construção da verdade.
O sacrifício da verdade tem fraudado nossas boas e necessárias expectativas comunitárias. Afinal, qual a motivação de participação e credibilidade se não é dita e pretendida a verdade? Ou, então, se é fomentado o preconceito?
O pior fruto da ausência da verdade, ou da existência da mentira, é a conseqüente hierarquia e supremacia da intolerância.
E não é por falta de recomendações e lições. Exemplarmente, em 26 de agosto de 1789, os franceses já escreviam na sua Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão que toda pessoa é considerada inocente até prova em contrário, e que ninguém poderá ser condenado por suas idéias, mas somente por seus atos.
Também o filósofo alemão Hegel (1770-1831) já dissera que a transformação sumária do suspeito em culpado e sua condenação à morte sem direito de defesa, é uma morte efetuada sob a forma do espetáculo público.
13 fevereiro 2009
Prometeu e o Abutre
Na identificação e conceituação de (quase) tudo, e sempre, a perspectiva e a proximidade são fatores determinantes. Também, e ao fim, ainda se acrescenta um juízo de valor otimista ou pessimista.
Mas se perspectiva e proximidade são fatores objetivos e mensuráveis, os juízos de otimismo e pessimismo são sujeitos e influenciados por motivações e interpretações pessoais e/ou grupais.
Dito isso, quero contestar o ufanismo governamental e seu séquito obediente e nababesco.
São poucos os países no mundo que tem uma distância e uma convivência tão injusta entre sua riqueza real e potencial e a pobreza material e pessoal dos seus habitantes.
Se no passado, em outra circunstância histórica, o Estado foi responsável por ondas de progresso social e industrializante, hoje é o principal fator de atraso e travamento do desenvolvimento nacional.
A nação está sufocada em seu potencial de crescimento social e econômico por um Estado não funcional, perdulário nos seus gastos, inoperante e incompetente nos investimentos produtivo e educacional.
A excessiva e inesgotável centralização estatal retroalimenta sua insaciável voracidade tributária e determina, na mesma proporção, as negociatas, falcatruas e a corrupção.
O Brasil parece Prometeu. Um gigante acorrentado a uma rocha pelos grilhões e condenado a ter seu fígado devorado por um abutre que o debilita continuamente.
No papel do abutre devorador está o Estado (governo federal, principalmente). Prometeu é o povo brasileiro. O fígado é seu bolso e seu futuro.
Dia e noite, noite e dia o “abutre” suga o bolso dos cidadãos acorrentados às centenas de grilhões tributários, fiscais e regulatórios e uma burocracia vigilante e persecutória.
Mas a dependência e os grilhões também são psicológicos. Diariamente, o povo apela e quer que o Estado resolva pequenos problemas locais.
Irônica e paradoxalmente o povo insiste em cobrar serviços desse mesmo e falido Estado, que lhe faz pequenas concessões com “uma mão” e lhe retira mais com a “outra mão”. O centralismo contaminou a sociedade.
Se não dermos um basta ao abutre, e nos libertarmos da ignorância e dos grilhões, continuaremos acorrentados.
Na mitológica história grega, Prometeu e seu irmão Epimeteu foram encarregados pelos deuses para criar homens e animais.
Esgotados os recursos disponíveis, ficara pendente a determinação da superioridade humana. Prometeu, então, destina o domínio do fogo aos humanos. Mas para isso roubara o fogo, exclusividade dos deuses.
Como castigo a Prometeu, Zeus, o senhor do Olimpo e deus supremo, ordenou que fosse acorrentado ao monte Cáucaso, onde todos os dias um abutre ia dilacerar seu regenerável fígado. Esse castigo devia durar 30.000 anos!
Mas se perspectiva e proximidade são fatores objetivos e mensuráveis, os juízos de otimismo e pessimismo são sujeitos e influenciados por motivações e interpretações pessoais e/ou grupais.
Dito isso, quero contestar o ufanismo governamental e seu séquito obediente e nababesco.
São poucos os países no mundo que tem uma distância e uma convivência tão injusta entre sua riqueza real e potencial e a pobreza material e pessoal dos seus habitantes.
Se no passado, em outra circunstância histórica, o Estado foi responsável por ondas de progresso social e industrializante, hoje é o principal fator de atraso e travamento do desenvolvimento nacional.
A nação está sufocada em seu potencial de crescimento social e econômico por um Estado não funcional, perdulário nos seus gastos, inoperante e incompetente nos investimentos produtivo e educacional.
A excessiva e inesgotável centralização estatal retroalimenta sua insaciável voracidade tributária e determina, na mesma proporção, as negociatas, falcatruas e a corrupção.
O Brasil parece Prometeu. Um gigante acorrentado a uma rocha pelos grilhões e condenado a ter seu fígado devorado por um abutre que o debilita continuamente.
No papel do abutre devorador está o Estado (governo federal, principalmente). Prometeu é o povo brasileiro. O fígado é seu bolso e seu futuro.
Dia e noite, noite e dia o “abutre” suga o bolso dos cidadãos acorrentados às centenas de grilhões tributários, fiscais e regulatórios e uma burocracia vigilante e persecutória.
Mas a dependência e os grilhões também são psicológicos. Diariamente, o povo apela e quer que o Estado resolva pequenos problemas locais.
Irônica e paradoxalmente o povo insiste em cobrar serviços desse mesmo e falido Estado, que lhe faz pequenas concessões com “uma mão” e lhe retira mais com a “outra mão”. O centralismo contaminou a sociedade.
Se não dermos um basta ao abutre, e nos libertarmos da ignorância e dos grilhões, continuaremos acorrentados.
Na mitológica história grega, Prometeu e seu irmão Epimeteu foram encarregados pelos deuses para criar homens e animais.
Esgotados os recursos disponíveis, ficara pendente a determinação da superioridade humana. Prometeu, então, destina o domínio do fogo aos humanos. Mas para isso roubara o fogo, exclusividade dos deuses.
Como castigo a Prometeu, Zeus, o senhor do Olimpo e deus supremo, ordenou que fosse acorrentado ao monte Cáucaso, onde todos os dias um abutre ia dilacerar seu regenerável fígado. Esse castigo devia durar 30.000 anos!
06 fevereiro 2009
Sonhar e aventurar
A renovação da utopia e o congraçamento universal são as marcas da organização e realização do Fórum Social Mundial, recém encerrado em Belém do Pará.
Um evento de contraposição à inevitabilidade histórica, ou ao dito fim da história. Um delírio coletivo aos olhos e coração de um conservador!
Politicamente conscientes ou não, conservadores acreditam que “a vida é assim mesmo, que as pessoas são o que são, e que os governos são todos iguais, enfim, o mercado é que sabe.”
Mas é possível crer em “outro mundo”. Povos e governos experimentam ao longo de suas existências diversas teorias políticas e econômicas, alternando sucessos e fracassos.
Historicamente, nos dois extremos das experiências recentes encontramos o capitalismo e o comunismo, teorias ainda em busca de uma síntese. Imaginava-se essa síntese realizada no Estado de Bem-Estar Social tipo europeu, o famoso welfare-state.
Infelizmente, as alterações geopolíticas na Europa modificaram dramaticamente aquela realidade, submetendo-a a graves distúrbios sócio-econômicos alavancadas pelo massivo desemprego.
De modo que, mesmo sob protestos reina o capitalismo com todos os seus defeitos. E no núcleo de tudo, o egoísmo, isso que alguns denominam de inevitabilidade da condição e natureza humana.
Ultimamente, a mundializacão da economia e a concentracão do capital afetam e comprometem a unidade e coesão social dos povos. A supremacia dos mercados parece agravar as desigualdades econômicas.
Consequentemente, a imperfeição do modelo dominante legitima a revolta e a agitação popular. São incertezas e contradições que demandam um esforço e exercício de mobilização, resistência, organização e construção de alternativas.
Todavia, vacinados contra tiranetes e demagogos, há de se lembrar sempre que não podemos prescindir do exercício da liberdade, tolerância e solidariedade.
E no exercício dos pensamentos e dos ideais almejados já fluem algumas utopias reunidas. Vejamos:
As relações econômicas devem estar a serviço da pessoa, e não a pessoa a serviço da economia. A economia é objeto da pessoa e esta seu sujeito, e não a economia sujeito da pessoa e esta seu objeto.
A liberdade de autodeterminação não pode se limitar a capacidade e autonomia de consumo, mas alcançar à idéia de um sentido próprio a vida, de sua consagração positiva.
Resumo das utopias reunidas: trata-se de alimentar a esperança de que a razão e a solidariedade podem superar o instinto predador. Não custa sonhar e se aventurar!
“Aventurar-se causa ansiedade, mas deixar de arriscar-se é perder a si mesmo. Aventurar-se no sentido mais amplo é precisamente tomar consciência de si próprio.”, dizia o teólogo e filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855).
Um evento de contraposição à inevitabilidade histórica, ou ao dito fim da história. Um delírio coletivo aos olhos e coração de um conservador!
Politicamente conscientes ou não, conservadores acreditam que “a vida é assim mesmo, que as pessoas são o que são, e que os governos são todos iguais, enfim, o mercado é que sabe.”
Mas é possível crer em “outro mundo”. Povos e governos experimentam ao longo de suas existências diversas teorias políticas e econômicas, alternando sucessos e fracassos.
Historicamente, nos dois extremos das experiências recentes encontramos o capitalismo e o comunismo, teorias ainda em busca de uma síntese. Imaginava-se essa síntese realizada no Estado de Bem-Estar Social tipo europeu, o famoso welfare-state.
Infelizmente, as alterações geopolíticas na Europa modificaram dramaticamente aquela realidade, submetendo-a a graves distúrbios sócio-econômicos alavancadas pelo massivo desemprego.
De modo que, mesmo sob protestos reina o capitalismo com todos os seus defeitos. E no núcleo de tudo, o egoísmo, isso que alguns denominam de inevitabilidade da condição e natureza humana.
Ultimamente, a mundializacão da economia e a concentracão do capital afetam e comprometem a unidade e coesão social dos povos. A supremacia dos mercados parece agravar as desigualdades econômicas.
Consequentemente, a imperfeição do modelo dominante legitima a revolta e a agitação popular. São incertezas e contradições que demandam um esforço e exercício de mobilização, resistência, organização e construção de alternativas.
Todavia, vacinados contra tiranetes e demagogos, há de se lembrar sempre que não podemos prescindir do exercício da liberdade, tolerância e solidariedade.
E no exercício dos pensamentos e dos ideais almejados já fluem algumas utopias reunidas. Vejamos:
As relações econômicas devem estar a serviço da pessoa, e não a pessoa a serviço da economia. A economia é objeto da pessoa e esta seu sujeito, e não a economia sujeito da pessoa e esta seu objeto.
A liberdade de autodeterminação não pode se limitar a capacidade e autonomia de consumo, mas alcançar à idéia de um sentido próprio a vida, de sua consagração positiva.
Resumo das utopias reunidas: trata-se de alimentar a esperança de que a razão e a solidariedade podem superar o instinto predador. Não custa sonhar e se aventurar!
“Aventurar-se causa ansiedade, mas deixar de arriscar-se é perder a si mesmo. Aventurar-se no sentido mais amplo é precisamente tomar consciência de si próprio.”, dizia o teólogo e filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855).
20 janeiro 2009
A Praga do Desemprego
O desemprego atinge níveis recordes em grandes cidades e áreas metropolitanas. Próximos a 20% em algumas regiões.
Também cresce a precarização das condições de trabalho e o incremento do subemprego. São milhões de pessoas que ganham apenas um salário mínimo.
Um salário mínimo é insuficiente para uma pessoa suprir suas necessidades básicas, tais como alimentação, saúde, educação, vestuário e moradia. E menos ainda para suprir as necessidades de uma família!
Também contribuem para o “quadro da dor” a expressiva migração às áreas metropolitanas, o déficit habitacional e a desigualdade de renda.
De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), da ONU, o Brasil figura entre os países com maior desigualdade de renda.
A renda dos 10% mais ricos da população brasileira é 65,8 vezes maior do que a renda dos 10% mais pobres.
Dados do IBGE confirmam que a camada 1% mais rica da população tem o mesmo volume de dinheiro dos 50% mais pobres.
A falta de trabalho, emprego e renda afetam a dignidade do sujeito e sua cidadania. Desemprego e desigualdade de renda resultam em pobreza e indigência.
Conseqüentemente, se constitui um círculo vicioso. Exclusão do trabalho, da saúde e da educação. Resultado: marginalidade social!
Esta tragédia sócio-econômica exige uma reação da sociedade brasileira. As mudanças não ocorrem por acaso!
Transformações acontecem pela realização de ações, movimentos e ações políticas capazes de influenciar e provocar mudanças na sociedade e nas ações de governos.
Sem este ânimo coletivo, por omissão reforçamos o clientelismo estatal e a imobilidade da sociedade.
Crescimento econômico e políticas compensatórias não são suficientes. Importa realizar programas de investimento em capital humano e em capital social.
Infelizmente, os governantes não privilegiam políticas públicas próprias, nem precipitam a radical reforma do Estado.
Apenas prosseguem com suas ladainhas egocêntricas, suas obras de aparência e o empreguismo de seus amigos e parentes.
Também cresce a precarização das condições de trabalho e o incremento do subemprego. São milhões de pessoas que ganham apenas um salário mínimo.
Um salário mínimo é insuficiente para uma pessoa suprir suas necessidades básicas, tais como alimentação, saúde, educação, vestuário e moradia. E menos ainda para suprir as necessidades de uma família!
Também contribuem para o “quadro da dor” a expressiva migração às áreas metropolitanas, o déficit habitacional e a desigualdade de renda.
De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), da ONU, o Brasil figura entre os países com maior desigualdade de renda.
A renda dos 10% mais ricos da população brasileira é 65,8 vezes maior do que a renda dos 10% mais pobres.
Dados do IBGE confirmam que a camada 1% mais rica da população tem o mesmo volume de dinheiro dos 50% mais pobres.
A falta de trabalho, emprego e renda afetam a dignidade do sujeito e sua cidadania. Desemprego e desigualdade de renda resultam em pobreza e indigência.
Conseqüentemente, se constitui um círculo vicioso. Exclusão do trabalho, da saúde e da educação. Resultado: marginalidade social!
Esta tragédia sócio-econômica exige uma reação da sociedade brasileira. As mudanças não ocorrem por acaso!
Transformações acontecem pela realização de ações, movimentos e ações políticas capazes de influenciar e provocar mudanças na sociedade e nas ações de governos.
Sem este ânimo coletivo, por omissão reforçamos o clientelismo estatal e a imobilidade da sociedade.
Crescimento econômico e políticas compensatórias não são suficientes. Importa realizar programas de investimento em capital humano e em capital social.
Infelizmente, os governantes não privilegiam políticas públicas próprias, nem precipitam a radical reforma do Estado.
Apenas prosseguem com suas ladainhas egocêntricas, suas obras de aparência e o empreguismo de seus amigos e parentes.
10 janeiro 2009
O paradoxo entre política (nacional) e economia (mundial)
A crise financeira mundial em curso, e que a todos afeta, direta ou indiretamente, ainda produzirá muitos estudos, procedimentos e diagnósticos no futuro próximo.
Entre as razões objetivas e subjetivas da crise é possível detectar aspectos de difícil solução/conciliação e que podem ter contribuído para sua explosão e dimensão.
Por exemplo, há evidentes conflitos e divergências operacionais entre a política (nacional!) e a economia dentro de um cenário de mundialização/globalização (da economia!).
A rigor, o espaço e o exercício da política é amplamente realizado no âmbito nacional, enquanto a economia, suas decisões e inflexões, opera extraterritorial e mundialmente.
Um exemplo de conflito fica evidente na contraposição dos interesses de empresas multinacionais, ou nacionais com vocação importadora/exportadora, interessadas no livre comércio e no movimento de capitais, mas sujeitas e influenciadas por legislação e sindicatos protecionistas e submetidas às condições da política nacional.
Regra geral, significa dizer que a política nacional atua como um freio à tendência mundial do livre e abundante comércio.
Nesse paradoxo de vontades, política e economia acabam por opor forças e anular esforços. Consequentemente, travam um “diálogo” impossível.
Atores e ações em torno da mundialização da economia têm dificuldades de se contrapor aos movimentos e processos políticos internos nacionalistas e protecionistas.
Os movimentos e processos políticos nacionais têm compromissos e ambições que vão além dos aspectos econômicos e financeiros, de modo que, quase sempre, incompatíveis com as vontades e tendências globalizantes.
Esse conflito de interesses (e representações) gera uma dialética própria, dominada pela política nacional, porém com grandes prejuízos aos projetos de ampliação do livre comércio mundial, por sua dificuldade e incapacidade de interlocução e superação.
Com certeza, a superação desse difícil paradoxo integra a agenda dos chefes de estado através das reuniões dos famosos grupos (G-8), agora G-20, com a participação de China, Brasil e Índia.
Essa reunião de nações tem no horizonte os grandes desafios econômicos e sociais da atualidade. Mas, em verdade, é a política nacional de cada nação levada ao cenário e confronto mundial.
De modo que, face à atual crise, se mantém todas as expectativas, embora pessimistas, de que oportunamente possam advir medidas conciliatórias e eficazes para contenção dos “estragos” que algumas políticas nacionais provocam no cenário mundializado da economia.
Entre as razões objetivas e subjetivas da crise é possível detectar aspectos de difícil solução/conciliação e que podem ter contribuído para sua explosão e dimensão.
Por exemplo, há evidentes conflitos e divergências operacionais entre a política (nacional!) e a economia dentro de um cenário de mundialização/globalização (da economia!).
A rigor, o espaço e o exercício da política é amplamente realizado no âmbito nacional, enquanto a economia, suas decisões e inflexões, opera extraterritorial e mundialmente.
Um exemplo de conflito fica evidente na contraposição dos interesses de empresas multinacionais, ou nacionais com vocação importadora/exportadora, interessadas no livre comércio e no movimento de capitais, mas sujeitas e influenciadas por legislação e sindicatos protecionistas e submetidas às condições da política nacional.
Regra geral, significa dizer que a política nacional atua como um freio à tendência mundial do livre e abundante comércio.
Nesse paradoxo de vontades, política e economia acabam por opor forças e anular esforços. Consequentemente, travam um “diálogo” impossível.
Atores e ações em torno da mundialização da economia têm dificuldades de se contrapor aos movimentos e processos políticos internos nacionalistas e protecionistas.
Os movimentos e processos políticos nacionais têm compromissos e ambições que vão além dos aspectos econômicos e financeiros, de modo que, quase sempre, incompatíveis com as vontades e tendências globalizantes.
Esse conflito de interesses (e representações) gera uma dialética própria, dominada pela política nacional, porém com grandes prejuízos aos projetos de ampliação do livre comércio mundial, por sua dificuldade e incapacidade de interlocução e superação.
Com certeza, a superação desse difícil paradoxo integra a agenda dos chefes de estado através das reuniões dos famosos grupos (G-8), agora G-20, com a participação de China, Brasil e Índia.
Essa reunião de nações tem no horizonte os grandes desafios econômicos e sociais da atualidade. Mas, em verdade, é a política nacional de cada nação levada ao cenário e confronto mundial.
De modo que, face à atual crise, se mantém todas as expectativas, embora pessimistas, de que oportunamente possam advir medidas conciliatórias e eficazes para contenção dos “estragos” que algumas políticas nacionais provocam no cenário mundializado da economia.
07 janeiro 2009
02 janeiro 2009
Um novo ano mais decente
Toma conta do corpo e da alma um sentimento de esperança e otimismo. Porque queremos crer, e precisamos crer, que será melhor o ano que se avizinha.
Querendo ou não, é chegado aquele momento do ano em que nos submetemos ao delírio geral e coletivo. Nessa hora, por mais racionais que sejamos, somos todos um pouco esotéricos e também aficcionados na numerologia.
Afinal, “cremos” que deva ser possível transformar uma coisa em outra coisa melhor com a simples troca de números.
Como se o tempo - que não existe, e só existe porque nos o inventamos para dar sentido e demarcar nossas épocas - pudesse se reconstituir como destino na própria mudança numérica.
Nesse momento mágico, nosso otimismo e esperança são absolutamente cegos, mudos e surdos às circunstâncias atuais que nos cercam.
Circunstâncias cotidianas da vida real feita de desemprego, miséria, inveja, fome, mentiras, desestruturação do senso coletivo, assassinatos em massa, trânsito mortal e deseducação.
Longe daqui, mas perto de nossos corações e nossa solidariedade, o ano novo é “homenageado” com bombardeios “em nome de Deus”, entre judeus e palestinos. Ano e vida nova à intolerância étnica e religiosa!
Em 2009, exemplarmente, espero que todos possamos exercitar o espírito da tolerância e o exercício da moderação como formas de diminuir e evitar os fanatismos.
Que os idealistas (utópicos) e os realistas (equivocados) se façam suscetíveis a argumentação, reflexão e revisão de suas idéias e condutas, de modo a compatibilizar seus ideais com os alheios pensares e direitos.
Que a transformação de nossas crenças não seja retrato de muitas (antigas) experiências, mas, sim, reflexo de receptividade às novas idéias. Em 2009, espero que tenhamos mais humor, ironia e autocrítica!
Mas o exercício da tolerância e da moderação também têm seus custos. Não oferece garantias e exige prudência.
Moderação e tolerância se constituem em novas posições. É natural que gerem reações e efeitos contrários, nem sempre previsíveis.
De modo que minha esperança em relação a 2009 é que sejamos mais reagentes e atrevidos em torno e em defesa do que consideramos valores essenciais.
As inverdades e as injustiças estão por ai contaminando o tecido social. Mesmo quando não estivermos totalmente seguros de nossas ações, sejamos corajosos.
E enquanto não tivermos liberdade, atitude, ação e representação massiva e organizada, vamos fazendo a pequena “guerra” e a rebeldia local.
E se ao cabo das “guerrilhas” de 2009, ainda não alcançarmos e determinarmos um mundo melhor e mais justo, que seja ao menos mais decente!
Querendo ou não, é chegado aquele momento do ano em que nos submetemos ao delírio geral e coletivo. Nessa hora, por mais racionais que sejamos, somos todos um pouco esotéricos e também aficcionados na numerologia.
Afinal, “cremos” que deva ser possível transformar uma coisa em outra coisa melhor com a simples troca de números.
Como se o tempo - que não existe, e só existe porque nos o inventamos para dar sentido e demarcar nossas épocas - pudesse se reconstituir como destino na própria mudança numérica.
Nesse momento mágico, nosso otimismo e esperança são absolutamente cegos, mudos e surdos às circunstâncias atuais que nos cercam.
Circunstâncias cotidianas da vida real feita de desemprego, miséria, inveja, fome, mentiras, desestruturação do senso coletivo, assassinatos em massa, trânsito mortal e deseducação.
Longe daqui, mas perto de nossos corações e nossa solidariedade, o ano novo é “homenageado” com bombardeios “em nome de Deus”, entre judeus e palestinos. Ano e vida nova à intolerância étnica e religiosa!
Em 2009, exemplarmente, espero que todos possamos exercitar o espírito da tolerância e o exercício da moderação como formas de diminuir e evitar os fanatismos.
Que os idealistas (utópicos) e os realistas (equivocados) se façam suscetíveis a argumentação, reflexão e revisão de suas idéias e condutas, de modo a compatibilizar seus ideais com os alheios pensares e direitos.
Que a transformação de nossas crenças não seja retrato de muitas (antigas) experiências, mas, sim, reflexo de receptividade às novas idéias. Em 2009, espero que tenhamos mais humor, ironia e autocrítica!
Mas o exercício da tolerância e da moderação também têm seus custos. Não oferece garantias e exige prudência.
Moderação e tolerância se constituem em novas posições. É natural que gerem reações e efeitos contrários, nem sempre previsíveis.
De modo que minha esperança em relação a 2009 é que sejamos mais reagentes e atrevidos em torno e em defesa do que consideramos valores essenciais.
As inverdades e as injustiças estão por ai contaminando o tecido social. Mesmo quando não estivermos totalmente seguros de nossas ações, sejamos corajosos.
E enquanto não tivermos liberdade, atitude, ação e representação massiva e organizada, vamos fazendo a pequena “guerra” e a rebeldia local.
E se ao cabo das “guerrilhas” de 2009, ainda não alcançarmos e determinarmos um mundo melhor e mais justo, que seja ao menos mais decente!
A inveja como fator de atraso
O gigantismo do estado brasileiro ensina diariamente a (má) lição do intervencionismo e do dirigismo aos demais entes federados e retarda o desenvolvimento sócio-econômico da nação.
Parcela da sociedade passiva, e outra parcela “comprada” com “vales e bolsas”, ignoram a dimensão do equívoco ideológico. Ideológico?
O excesso legislativo e administrativo estatal é sinônimo de burocracia, incompetência, desperdício e corrupção. Mas há algo mais perturbador.
Sob o manto retórico de um igualitarismo impossível e irreal, e sob uma pretensa legitimidade e legalidade adquirida, vigora um sentimento humano comum e inconfesso, ora e aqui como fator de atraso social e econômico da sociedade: a inveja!
A ignorância intelectual e a inocente(?) mentalidade retrógrada fundada em teorias políticas e econômicas insepultas animam a tola convicção de que um Estado eficiente(?) e (pseudo)igualitarista transformará a nação!
Paranóicos e esquizofrênicos que ainda (a)creditam nosso atraso às outras nações e invocam, em alto e convicto tom, os refrões da outrora moda, a exemplo de FMI’s, Consenso(s) de Washington, Alca’s, neoliberalismos e imperialismos.
Em síntese, a pretexto de defender o povo e preservar as riquezas da nação, defendem um Estado exageradamente interventor e dirigista, que resulta obviamente ineficiente, gigantesco e perdulário.
Ignoram as leis básicas da economia. Não sabem sobre trocas voluntárias, lucro, formação de preços e valor, e a própria oferta e demanda.
Não resistiriam a um divã os ditos e nobres “sentimentos” e precipitariam o humano: a inveja! Sorrateira e dissimulada até mesmo no moderno discurso do politicamente correto, socialmente responsável e ambientalmente sustentável.
Ou então, ora em nome da ecologia, ora em nome da economia popular, ora em nome da estética urbana. Meros pretextos!
A onipresença e potência do Estado determinam a inibição criativa dos empreendedores, figuras essenciais para a criação de riqueza e empregos em qualquer sociedade, em qualquer época.
Não é a toa que todos os espasmos(!) desenvolvimentistas privados enfrentam óbices estatais de toda natureza.
Inveja. É isso que há em comum acerca de assuntos obstados como privatizações de empresas públicas, concessões de serviços públicos, permissões para exploração mineral, obras privadas em espaços de interesse público, entre outras hipóteses de intervenção privada, a exemplo dos pedágios gaúchos, o pontal do Estaleiro Só(Porto Alegre) e outras obras idealizadas e não realizadas.
Parcela da sociedade passiva, e outra parcela “comprada” com “vales e bolsas”, ignoram a dimensão do equívoco ideológico. Ideológico?
O excesso legislativo e administrativo estatal é sinônimo de burocracia, incompetência, desperdício e corrupção. Mas há algo mais perturbador.
Sob o manto retórico de um igualitarismo impossível e irreal, e sob uma pretensa legitimidade e legalidade adquirida, vigora um sentimento humano comum e inconfesso, ora e aqui como fator de atraso social e econômico da sociedade: a inveja!
A ignorância intelectual e a inocente(?) mentalidade retrógrada fundada em teorias políticas e econômicas insepultas animam a tola convicção de que um Estado eficiente(?) e (pseudo)igualitarista transformará a nação!
Paranóicos e esquizofrênicos que ainda (a)creditam nosso atraso às outras nações e invocam, em alto e convicto tom, os refrões da outrora moda, a exemplo de FMI’s, Consenso(s) de Washington, Alca’s, neoliberalismos e imperialismos.
Em síntese, a pretexto de defender o povo e preservar as riquezas da nação, defendem um Estado exageradamente interventor e dirigista, que resulta obviamente ineficiente, gigantesco e perdulário.
Ignoram as leis básicas da economia. Não sabem sobre trocas voluntárias, lucro, formação de preços e valor, e a própria oferta e demanda.
Não resistiriam a um divã os ditos e nobres “sentimentos” e precipitariam o humano: a inveja! Sorrateira e dissimulada até mesmo no moderno discurso do politicamente correto, socialmente responsável e ambientalmente sustentável.
Ou então, ora em nome da ecologia, ora em nome da economia popular, ora em nome da estética urbana. Meros pretextos!
A onipresença e potência do Estado determinam a inibição criativa dos empreendedores, figuras essenciais para a criação de riqueza e empregos em qualquer sociedade, em qualquer época.
Não é a toa que todos os espasmos(!) desenvolvimentistas privados enfrentam óbices estatais de toda natureza.
Inveja. É isso que há em comum acerca de assuntos obstados como privatizações de empresas públicas, concessões de serviços públicos, permissões para exploração mineral, obras privadas em espaços de interesse público, entre outras hipóteses de intervenção privada, a exemplo dos pedágios gaúchos, o pontal do Estaleiro Só(Porto Alegre) e outras obras idealizadas e não realizadas.
19 dezembro 2008
A "captura" do Estado
“Captura”, assim entre aspas, significa, politicamente, e na administração pública, principalmente, a subordinação, a submissão, o “seqüestro” da coisa pública, da função de estado, do órgão de estado, aos interesses corporativos e privados.
A prática da “captura” se opera num campo de ação, numa faixa de atuação muito tênue, onde pode se confundir com atos de omissão, de prevaricação e de corrupção ativa e passiva.
É a tomada do poder político nas diversas esferas públicas e sua transformação em valor econômico privado.
Observação: quando se fala aqui em Estado, se está referindo aos níveis municipais, estaduais e federais.
Mas assim como há formas sofisticados, há formas muito simplórias de “captura”. Por exemplo, o nepotismo. O nepotismo, você sabe, é a ocupação de cargos públicos por parentes de autoridades públicas.
Mais recentemente, haja vista legislação proibindo a prática do nepotismo direto, seus autores optaram por nepotismo cruzado.
Isto é o seguinte: autoridade de órgão X indica seu afilhado para a autoridade do órgão Y, que por sua vez apresenta o seu afilhado para o órgão X. Não importa o nível (municipal, estadual ou federal) do cargo do padrinho e o de destino do afilhado.
Regra geral, o indicado é um familiar bem próximo. Esposas e maridos, filhos e filhas, irmãos e irmãs, sobrinhos e sobrinhas, pais e mães, netos e netas, noras e genros, tios e tias, e, às vezes, até a vovozinha ganha uma chance para “melhorar” sua aposentadoria. A administração pública virou uma grande família!
Uma vez instalados nas estruturas de poder, ficam muito a vontade para seu exercício, influência e ampliação. Não é a toa que há tantos casos de políticos e administradores públicos que fazem seus sucessores políticos em família.
Já houve um tempo em que havia um certo pudor, uma vergonha, por assim dizer, nessa prática. Hoje reina a omissão da crítica e cobrança popular, tudo com uma perspectiva de levar sua própria vantagem no momento oportuno.
As eventuais posições político-partidárias de oposição, que deveriam ser os primeiros a exercitar a denúncia e a crítica, também se omitem.
Afinal, sempre é bom ficar de bem com o governante ou com aquele deputado. E depois, o sujeito (parente) indicado apenas quer trabalhar e ganhar o seu. E dizem até que é boa gente e competente!
Mas, e o povo o que acha disso? Limita-se aos comentários à boca pequena, piadinhas e ironias. Resta-lhe adaptar-se ao meio, ou no meio, como preferem alguns mais espertos. Otário..., são os outros!
“Captura” do estado, patrimonialismo, nepotismo, são faces da mesma moeda. É a imbricação promíscua entre o interesse particular e o setor público.
Houve um tempo que diziam que era coisa de “partidos e gente de direita”. Hoje já não há mais partidos, nem oposição, nem gente direita (com perdão do trocadilho), nem à esquerda.
São as novas oligarquias. É a nova ideologia!
A prática da “captura” se opera num campo de ação, numa faixa de atuação muito tênue, onde pode se confundir com atos de omissão, de prevaricação e de corrupção ativa e passiva.
É a tomada do poder político nas diversas esferas públicas e sua transformação em valor econômico privado.
Observação: quando se fala aqui em Estado, se está referindo aos níveis municipais, estaduais e federais.
Mas assim como há formas sofisticados, há formas muito simplórias de “captura”. Por exemplo, o nepotismo. O nepotismo, você sabe, é a ocupação de cargos públicos por parentes de autoridades públicas.
Mais recentemente, haja vista legislação proibindo a prática do nepotismo direto, seus autores optaram por nepotismo cruzado.
Isto é o seguinte: autoridade de órgão X indica seu afilhado para a autoridade do órgão Y, que por sua vez apresenta o seu afilhado para o órgão X. Não importa o nível (municipal, estadual ou federal) do cargo do padrinho e o de destino do afilhado.
Regra geral, o indicado é um familiar bem próximo. Esposas e maridos, filhos e filhas, irmãos e irmãs, sobrinhos e sobrinhas, pais e mães, netos e netas, noras e genros, tios e tias, e, às vezes, até a vovozinha ganha uma chance para “melhorar” sua aposentadoria. A administração pública virou uma grande família!
Uma vez instalados nas estruturas de poder, ficam muito a vontade para seu exercício, influência e ampliação. Não é a toa que há tantos casos de políticos e administradores públicos que fazem seus sucessores políticos em família.
Já houve um tempo em que havia um certo pudor, uma vergonha, por assim dizer, nessa prática. Hoje reina a omissão da crítica e cobrança popular, tudo com uma perspectiva de levar sua própria vantagem no momento oportuno.
As eventuais posições político-partidárias de oposição, que deveriam ser os primeiros a exercitar a denúncia e a crítica, também se omitem.
Afinal, sempre é bom ficar de bem com o governante ou com aquele deputado. E depois, o sujeito (parente) indicado apenas quer trabalhar e ganhar o seu. E dizem até que é boa gente e competente!
Mas, e o povo o que acha disso? Limita-se aos comentários à boca pequena, piadinhas e ironias. Resta-lhe adaptar-se ao meio, ou no meio, como preferem alguns mais espertos. Otário..., são os outros!
“Captura” do estado, patrimonialismo, nepotismo, são faces da mesma moeda. É a imbricação promíscua entre o interesse particular e o setor público.
Houve um tempo que diziam que era coisa de “partidos e gente de direita”. Hoje já não há mais partidos, nem oposição, nem gente direita (com perdão do trocadilho), nem à esquerda.
São as novas oligarquias. É a nova ideologia!
12 dezembro 2008
Orçamento Público ou "Caixa Preta"
Uma referência comum em qualquer programa partidário de governo, principalmente no período eleitoral, diz respeito ao compromisso de democratização do orçamento público, tanto do ponto de vista de sua publicidade/divulgação quanto de sua feitura.
De fato, comparados os níveis de transparência orçamentária desde 1990 aos dias de hoje, se percebe que muita coisa mudou para melhor.
Outrora representados apenas por volumosos livros e pastas, hoje as informações também estão disponíveis em meio eletrônico nos “sites” da Casa Legislativa e do Poder Executivo.
O orçamento é a expressão real do estado organizado (união, estados e municípios), de sua dimensão econômica, social e política, e se constitui em objeto e meio de ação.
Mas, isso ainda não garante a necessária transparência, haja vista que a maioria das pessoas não consegue entender o que ali está (d)escrito.
Consequentemente, é necessária a adoção de meios e dados mais acessíveis à linguagem popular, de modo informativo e qualitativo.
Também, é obrigação dos partidos, dos políticos e dos governantes, fazer com que a comunidade se interesse e entenda os números e as informações contidas no orçamento.
Se as informações são apresentadas de modo a favorecer análises comparativas, além de conter um painel completo das finanças, o conjunto adquire qualidade e veracidade.
Consequentemente, relevante é a participação da comunidade e a transparência existente na elaboração, na execução e na fiscalização do gasto público.
Regra geral, essa ação democrática e popular vai detectar e propiciar reformas da administração pública, a exemplo de mais eficiência e menos burocracia.
Assim como pode denunciar/constatar onerosas e ineficientes funções e tarefas. E a ocorrência de corrupção!
Enfim, a participação eficaz e permanente da sociedade e do Poder Legislativo pode assegurar maior correção, justiça social e eficácia das políticas públicas.
Mas há um grave senão. Infelizmente e regra geral, em quase todas as Casas Legislativas, em todos os níveis de governo, o orçamento público é votado tardia e açodadamente.
Normalmente, a culpa é do Poder Executivo que atrasa propositalmente sua remessa ao Poder Legislativo para encurtar o debate público e parlamentar e “forçar-acelerar” sua aprovação.
Por isso, enquanto não houver maior divulgação, esclarecimentos e debate público, bem como clareza e exatidão na execução orçamentária, permanecerá o rótulo pejorativo de “peça de ficção” e “caixa-preta”!
De fato, comparados os níveis de transparência orçamentária desde 1990 aos dias de hoje, se percebe que muita coisa mudou para melhor.
Outrora representados apenas por volumosos livros e pastas, hoje as informações também estão disponíveis em meio eletrônico nos “sites” da Casa Legislativa e do Poder Executivo.
O orçamento é a expressão real do estado organizado (união, estados e municípios), de sua dimensão econômica, social e política, e se constitui em objeto e meio de ação.
Mas, isso ainda não garante a necessária transparência, haja vista que a maioria das pessoas não consegue entender o que ali está (d)escrito.
Consequentemente, é necessária a adoção de meios e dados mais acessíveis à linguagem popular, de modo informativo e qualitativo.
Também, é obrigação dos partidos, dos políticos e dos governantes, fazer com que a comunidade se interesse e entenda os números e as informações contidas no orçamento.
Se as informações são apresentadas de modo a favorecer análises comparativas, além de conter um painel completo das finanças, o conjunto adquire qualidade e veracidade.
Consequentemente, relevante é a participação da comunidade e a transparência existente na elaboração, na execução e na fiscalização do gasto público.
Regra geral, essa ação democrática e popular vai detectar e propiciar reformas da administração pública, a exemplo de mais eficiência e menos burocracia.
Assim como pode denunciar/constatar onerosas e ineficientes funções e tarefas. E a ocorrência de corrupção!
Enfim, a participação eficaz e permanente da sociedade e do Poder Legislativo pode assegurar maior correção, justiça social e eficácia das políticas públicas.
Mas há um grave senão. Infelizmente e regra geral, em quase todas as Casas Legislativas, em todos os níveis de governo, o orçamento público é votado tardia e açodadamente.
Normalmente, a culpa é do Poder Executivo que atrasa propositalmente sua remessa ao Poder Legislativo para encurtar o debate público e parlamentar e “forçar-acelerar” sua aprovação.
Por isso, enquanto não houver maior divulgação, esclarecimentos e debate público, bem como clareza e exatidão na execução orçamentária, permanecerá o rótulo pejorativo de “peça de ficção” e “caixa-preta”!
05 dezembro 2008
Pedágios e a contradição cívica
O assunto do momento em nosso amado Rio Grande diz respeito aos pedágios. A existência dos pedágios, é bom lembrar, é conseqüência da falência financeira do Estado e sua já histórica incapacidade de realizar novos investimentos e obras de manutenção.
Porém, o empobrecimento e a incapacidade de atender as demandas públicas e realizar os investimentos necessários em infra-estrutura estão diretamente ligados ao elevadíssimo nível de espoliação tributária exercida pela União.
Daí pergunto: por que essa mobilização político-partidária e essa revolta cidadã relativamente aos pedágios não repercutem do mesmo modo tocante a exploração tributária exercida pela União? É uma evidente contradição comportamental e política!
Deu nos jornais. A Receita Federal anunciou outro recorde de arrecadação. Entre janeiro e outubro de 2008, os brasileiros recolheram R$ 576 bilhões em impostos e tributos federais (sem contar os tributos municipais e estaduais).
Um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. A crise financeira nunca alcança aos cofres do governo!
Significa dizer que o dinheiro que nos falta para estradas está em Brasília, escorrendo pelos ralos governamentais do desperdício e da corrupção disseminada, assentada sobre centenas de estruturas burocráticas e arcaicas!
Parte da resposta por essa contradição está na decadência qualitativa e ideológica da representação político-partidário.
A escravidão do povo e seus espasmos de indignação e revolta não repercutem em Brasília, nem comovem os líderes regionais, apenas preocupados com a pequena política e as intrigas eleitoreiras.
Tratam povo e contribuinte como otários. Não é a toa que discursam sobre o otimismo e a esperança. Puro ilusionismo. O único e deprimente espetáculo é o do crescimento da arrecadação tributária!
Não custa repetir um mantra do cidadão e contribuinte: tributos devem guardar nexo causal e coerência. E não são eternos!
Pedágios não são ruins. Paga quem usa e quando usa. O que está errado é a maioria dos demais tributos, sem eira nem beira!
A sociedade deve, sempre, repensar os tipos de tributos os e adequá-los ao seu tempo, à sua capacidade de pagamento e ao tamanho do estado (União, Estado e Município).
Hoje, mais do que nunca, a sociedade está no seu limite de resistência físico-psicológico-contributiva. Outra e qualquer nação já estaria em situação de desobediência civil!
Até parece que estamos todos amordaçados por alguma circunstância e inevitabilidade poderosa e constrangedora.
Repito o que já disse em outro artigo, provocativamente: somos, de fato, uma nação? será covardia cívica?
Infelizmente, somos escravos tributários e legislativos. Escravos sem amor à liberdade e sem capacidade de indignação!
Porém, o empobrecimento e a incapacidade de atender as demandas públicas e realizar os investimentos necessários em infra-estrutura estão diretamente ligados ao elevadíssimo nível de espoliação tributária exercida pela União.
Daí pergunto: por que essa mobilização político-partidária e essa revolta cidadã relativamente aos pedágios não repercutem do mesmo modo tocante a exploração tributária exercida pela União? É uma evidente contradição comportamental e política!
Deu nos jornais. A Receita Federal anunciou outro recorde de arrecadação. Entre janeiro e outubro de 2008, os brasileiros recolheram R$ 576 bilhões em impostos e tributos federais (sem contar os tributos municipais e estaduais).
Um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. A crise financeira nunca alcança aos cofres do governo!
Significa dizer que o dinheiro que nos falta para estradas está em Brasília, escorrendo pelos ralos governamentais do desperdício e da corrupção disseminada, assentada sobre centenas de estruturas burocráticas e arcaicas!
Parte da resposta por essa contradição está na decadência qualitativa e ideológica da representação político-partidário.
A escravidão do povo e seus espasmos de indignação e revolta não repercutem em Brasília, nem comovem os líderes regionais, apenas preocupados com a pequena política e as intrigas eleitoreiras.
Tratam povo e contribuinte como otários. Não é a toa que discursam sobre o otimismo e a esperança. Puro ilusionismo. O único e deprimente espetáculo é o do crescimento da arrecadação tributária!
Não custa repetir um mantra do cidadão e contribuinte: tributos devem guardar nexo causal e coerência. E não são eternos!
Pedágios não são ruins. Paga quem usa e quando usa. O que está errado é a maioria dos demais tributos, sem eira nem beira!
A sociedade deve, sempre, repensar os tipos de tributos os e adequá-los ao seu tempo, à sua capacidade de pagamento e ao tamanho do estado (União, Estado e Município).
Hoje, mais do que nunca, a sociedade está no seu limite de resistência físico-psicológico-contributiva. Outra e qualquer nação já estaria em situação de desobediência civil!
Até parece que estamos todos amordaçados por alguma circunstância e inevitabilidade poderosa e constrangedora.
Repito o que já disse em outro artigo, provocativamente: somos, de fato, uma nação? será covardia cívica?
Infelizmente, somos escravos tributários e legislativos. Escravos sem amor à liberdade e sem capacidade de indignação!
28 novembro 2008
O Ovo da Serpente
Conflito de gerações e dessintonia entre pais e filhos é uma “guerra” antiga, atual e interminável. As rupturas e os desencontros são de toda ordem, natureza e dimensão. E sem limites geográficos de ocorrência.
A propósito de diferenças entre gerações que vão e que vêm, “corre” na internet, faz muito tempo, um texto muito expressivo (que reproduzo, reduzo e adapto parcialmente abaixo), e acerca do qual não há certeza de autoria.
A internet é pródiga em mensagens de todos os tipos, anônimos ou não, assumidos ou atribuídos. Afinal, trata-se de um gigantesco tsunami de palavras, imagens e sons, de autorias falsas e verdadeiras, de mentiras e verdades, de realismo e ilusionismo.
Naturalmente, à conta desse dilúvio verborrágico e imagético a grande maioria é lixo. Mas mesmo no lixo podemos encontrar sabedoria e pérolas. Reduzido e adaptado, leia:
“Somos a primeira geração de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos pais. E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos pais mais dedicados e compreensivos.
Mas, na tentativa de sermos os pais que queríamos ter, parece que passamos de um extremo ao outro.
Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos!
Os últimos que respeitaram os pais e os primeiros que aceitam que os filhos lhes faltem com o respeito!
Antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam as suas ordens e os tratavam com o devido respeito.
Mas, na medida em que as fronteiras hierárquicas entre pais e filhos foram-se desvanecendo, hoje, são os filhos quem, agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas idéias, suas preferências e sua forma de agir e viver. E, além disso, que os pais os patrocinem no que necessitam para tal fim!
Os papéis se inverteram: agora são os pais que têm de agradar a seus filhos para “ganhá-los”, e não o inverso, como no passado.
Isso explica o esforço que fazem pais e mães para serem os melhores amigos e "tudo dar" a seus filhos.
Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo ao ver os pais tão débeis e perdidos como eles.
Se o autoritarismo suplanta, a permissividade sufoca!
Apenas uma atitude firme e respeitosa evitará o afogamento das novas gerações no descontrole e no tédio. À deriva, sem parâmetros, nem destino!”
Concluo eu: muitas obras de ficção, como filmes, textos e livros, usam a expressão “o ovo da serpente” como uma metáfora para a constatação de um mal em incubação!
A propósito de diferenças entre gerações que vão e que vêm, “corre” na internet, faz muito tempo, um texto muito expressivo (que reproduzo, reduzo e adapto parcialmente abaixo), e acerca do qual não há certeza de autoria.
A internet é pródiga em mensagens de todos os tipos, anônimos ou não, assumidos ou atribuídos. Afinal, trata-se de um gigantesco tsunami de palavras, imagens e sons, de autorias falsas e verdadeiras, de mentiras e verdades, de realismo e ilusionismo.
Naturalmente, à conta desse dilúvio verborrágico e imagético a grande maioria é lixo. Mas mesmo no lixo podemos encontrar sabedoria e pérolas. Reduzido e adaptado, leia:
“Somos a primeira geração de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos pais. E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos pais mais dedicados e compreensivos.
Mas, na tentativa de sermos os pais que queríamos ter, parece que passamos de um extremo ao outro.
Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos!
Os últimos que respeitaram os pais e os primeiros que aceitam que os filhos lhes faltem com o respeito!
Antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam as suas ordens e os tratavam com o devido respeito.
Mas, na medida em que as fronteiras hierárquicas entre pais e filhos foram-se desvanecendo, hoje, são os filhos quem, agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas idéias, suas preferências e sua forma de agir e viver. E, além disso, que os pais os patrocinem no que necessitam para tal fim!
Os papéis se inverteram: agora são os pais que têm de agradar a seus filhos para “ganhá-los”, e não o inverso, como no passado.
Isso explica o esforço que fazem pais e mães para serem os melhores amigos e "tudo dar" a seus filhos.
Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo ao ver os pais tão débeis e perdidos como eles.
Se o autoritarismo suplanta, a permissividade sufoca!
Apenas uma atitude firme e respeitosa evitará o afogamento das novas gerações no descontrole e no tédio. À deriva, sem parâmetros, nem destino!”
Concluo eu: muitas obras de ficção, como filmes, textos e livros, usam a expressão “o ovo da serpente” como uma metáfora para a constatação de um mal em incubação!
21 novembro 2008
A greve do magistério e o X da questão
Falar sobre a relação “governo x magistério” se tornou uma cansativa repetição de constatações. Cansativa repetição porque não decorrem as medidas saneadoras e definitivas.
Basicamente assentada sobre questões salariais, a crise (permanente) revela a perda de controle sobre este contingente humano e suas perspectivas profissionais.
Enquanto os professores reclamam melhor tratamento salarial, correspondente à importância de suas funções, os sucessivos governos têm esgrimado com as históricas dificuldades financeiras estruturais.
Mas os governos vão além: atribuem à categoria a falta de dedicação, desídia, desvios de função, entre outros lapsos de conduta, a exemplo de partidarização do CPERS.
Porém, ainda que verdadeiras tais afirmativas, e disseminado na opinião pública o desgaste do professorado, entendo que o responsável principal ainda é o “patrão”, no caso específico, o governo.
Mas, então, por que o desgaste é maior entre o professorado? Por que se reclama mais dos professores do que dos governos? Por que não há uma grave crise social a cada greve?
O que impede a adesão/apoio de outros setores social e economicamente representativos? Por que, afinal, há uma profunda indiferença diante dessa grave e não resolvida questão pública?
A resposta que encontro para essas perguntas passa por uma compreensão capitalista de nossos papéis sociais. O que é isto?
Explico: nas greves e interrupções de outras categorias profissionais, com prejuízos materiais e financeiros da sociedade passíveis de medição e de conversão em moeda, a solidariedade advinda (ou a revolta social) sempre é rápida, contundente e eficaz.
Sim, e daí? Daí que greves na área da educação produzirão resultados somente constatáveis após anos. Após pesquisas e medições que apurem que em determinada época houve uma queda no nível de desempenho escolar. Enfim, um evidente período de retrocesso e prejuízo educacional!
Isso ocorre porque educação não produz resultados imediatos, não produz peças passíveis de quantificação no final da linha de produção.
Educação trabalha com crianças e adolescentes, “produz” operários, médicos, professores, advogados, músicos e filósofos. “Produz” gente!
O desafio da sociedade e do governo consiste na recuperação do sentido histórico e original do magistério escolar, e na garantia aos professores de realização na profissão.
Nossa indiferença social às demandas do magistério é uma fatura que vencerá logo ali adiante, no tempo. De antemão, já sabemos que será irresgatável, incalculável e dolorosa!
Parênteses: não reconheço legitimidade no governo federal para criar um piso nacional haja vista a hiperconcentração tributária da União e as diferenças regionais. Mais: atribuir aumento salarial cujo pagamento será com dinheiro alheio é um ato demagógico!
Basicamente assentada sobre questões salariais, a crise (permanente) revela a perda de controle sobre este contingente humano e suas perspectivas profissionais.
Enquanto os professores reclamam melhor tratamento salarial, correspondente à importância de suas funções, os sucessivos governos têm esgrimado com as históricas dificuldades financeiras estruturais.
Mas os governos vão além: atribuem à categoria a falta de dedicação, desídia, desvios de função, entre outros lapsos de conduta, a exemplo de partidarização do CPERS.
Porém, ainda que verdadeiras tais afirmativas, e disseminado na opinião pública o desgaste do professorado, entendo que o responsável principal ainda é o “patrão”, no caso específico, o governo.
Mas, então, por que o desgaste é maior entre o professorado? Por que se reclama mais dos professores do que dos governos? Por que não há uma grave crise social a cada greve?
O que impede a adesão/apoio de outros setores social e economicamente representativos? Por que, afinal, há uma profunda indiferença diante dessa grave e não resolvida questão pública?
A resposta que encontro para essas perguntas passa por uma compreensão capitalista de nossos papéis sociais. O que é isto?
Explico: nas greves e interrupções de outras categorias profissionais, com prejuízos materiais e financeiros da sociedade passíveis de medição e de conversão em moeda, a solidariedade advinda (ou a revolta social) sempre é rápida, contundente e eficaz.
Sim, e daí? Daí que greves na área da educação produzirão resultados somente constatáveis após anos. Após pesquisas e medições que apurem que em determinada época houve uma queda no nível de desempenho escolar. Enfim, um evidente período de retrocesso e prejuízo educacional!
Isso ocorre porque educação não produz resultados imediatos, não produz peças passíveis de quantificação no final da linha de produção.
Educação trabalha com crianças e adolescentes, “produz” operários, médicos, professores, advogados, músicos e filósofos. “Produz” gente!
O desafio da sociedade e do governo consiste na recuperação do sentido histórico e original do magistério escolar, e na garantia aos professores de realização na profissão.
Nossa indiferença social às demandas do magistério é uma fatura que vencerá logo ali adiante, no tempo. De antemão, já sabemos que será irresgatável, incalculável e dolorosa!
Parênteses: não reconheço legitimidade no governo federal para criar um piso nacional haja vista a hiperconcentração tributária da União e as diferenças regionais. Mais: atribuir aumento salarial cujo pagamento será com dinheiro alheio é um ato demagógico!
14 novembro 2008
446 - O Número Mágico da "Pilantropia"
Na república lulo-petista do mensalão, das cuecas recheadas com dólares, dos grampos ilegais, da farra dos cartões corporativos e das ONG’s de araque, o mais recente escândalo atende pelo número 446.
Outrora prática tão criticada pela então oposição, se trata de medida provisória publicada no Diário Oficial da União de 10 de novembro e assinada pelo Presidente Lula.
A pretexto de aperfeiçoar e descentralizar o modelo de concessão de benefícios tributários – e sob alegação de que precisa manter a continuidade do serviços sociais - a MP concede perdão bilionário e extingue recursos contra entidades filantrópicas que não cumpriram exigências e/ou cometeram fraude.
Entidades que praticam - e provam! - a benemerência social têm o direito de reivindicar isenção no pagamento da contribuição previdenciária e tributos, inclusive estaduais e municipais, além de receber repasses de verbas públicas. Para tal, recebem o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS.
Porém, em meio a muitas ações e entidades corretas, centenas são flagradas malversando e manipulando dinheiro público. São bilhões de reais por ano!
Para investigar, conter e processar as fraudes, crimes de corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa e tráfico de influência, surgiu a Operação Fariseu: uma força-tarefa composta por auditores da Receita Federal, do INSS, procuradores da República e policiais federais.
Sem contar os Ministérios da Saúde, Educação, e do Desenvolvimento Social, só no Ministério da Previdência Social (MPAS) são aproximadamente 1.700 processos e 597 instituições sob investigação. Com a MP 446, o Presidente Lula joga todo o trabalho investigativo e processual na lixeira!
Do conjunto de 49 artigos da MP, constam três artigos mais representativos do gigantesco trem da alegria. Reproduzo-os, literalmente:
“Art. 37. Os pedidos de renovação de CEBAS protocolizados, que ainda não tenham sido objeto de julgamento por parte do CNAS até a data de publicação desta Medida Provisória, consideram-se deferidos.
Parágrafo único. As representações em curso no CNAS propostas pelo Poder Executivo em face da renovação referida no caput ficam prejudicadas, inclusive em relação a períodos anteriores”.
Entendeu? Leia de novo. Resumindo: mesmo pendentes de análise e mérito, consideram-se deferidos e aprovados os pedidos. E no parágrafo único, joga no lixo as investigações e todo o passado suspeito da entidade requerente. Inacreditável!
“Art. 38. Fica extinto o recurso, em tramitação até a data de publicação desta Medida Provisória, relativo a pedido de renovação ou de concessão originária de CEBAS deferido pelo CNAS”.
Eu explico: de novo joga no lixo todas as investigações e contestações sobre escrituração das entidades e renovação de certificados suspeitos!
“Art. 39. Os pedidos de renovação de CEBAS indeferidos pelo CNAS, que sejam objeto de pedido de reconsideração ou de recurso pendentes de julgamento até a data de publicação desta Medida Provisória, consideram-se deferidos”.
Incrível. No mínimo, crime de responsabilidade. Releia e veja: converte “indeferido” em “deferido”!
Em síntese: se trata de uma ampla, geral e irrestrita anistia, apesar de todas as investigações e acusações realizadas por autoridades administrativas, policiais e judiciais.
Essa medida provisória é uma pérola anti-republicana. República, uma expressão tão ao gosto da autonominada esquerda no poder!
Outrora prática tão criticada pela então oposição, se trata de medida provisória publicada no Diário Oficial da União de 10 de novembro e assinada pelo Presidente Lula.
A pretexto de aperfeiçoar e descentralizar o modelo de concessão de benefícios tributários – e sob alegação de que precisa manter a continuidade do serviços sociais - a MP concede perdão bilionário e extingue recursos contra entidades filantrópicas que não cumpriram exigências e/ou cometeram fraude.
Entidades que praticam - e provam! - a benemerência social têm o direito de reivindicar isenção no pagamento da contribuição previdenciária e tributos, inclusive estaduais e municipais, além de receber repasses de verbas públicas. Para tal, recebem o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS.
Porém, em meio a muitas ações e entidades corretas, centenas são flagradas malversando e manipulando dinheiro público. São bilhões de reais por ano!
Para investigar, conter e processar as fraudes, crimes de corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa e tráfico de influência, surgiu a Operação Fariseu: uma força-tarefa composta por auditores da Receita Federal, do INSS, procuradores da República e policiais federais.
Sem contar os Ministérios da Saúde, Educação, e do Desenvolvimento Social, só no Ministério da Previdência Social (MPAS) são aproximadamente 1.700 processos e 597 instituições sob investigação. Com a MP 446, o Presidente Lula joga todo o trabalho investigativo e processual na lixeira!
Do conjunto de 49 artigos da MP, constam três artigos mais representativos do gigantesco trem da alegria. Reproduzo-os, literalmente:
“Art. 37. Os pedidos de renovação de CEBAS protocolizados, que ainda não tenham sido objeto de julgamento por parte do CNAS até a data de publicação desta Medida Provisória, consideram-se deferidos.
Parágrafo único. As representações em curso no CNAS propostas pelo Poder Executivo em face da renovação referida no caput ficam prejudicadas, inclusive em relação a períodos anteriores”.
Entendeu? Leia de novo. Resumindo: mesmo pendentes de análise e mérito, consideram-se deferidos e aprovados os pedidos. E no parágrafo único, joga no lixo as investigações e todo o passado suspeito da entidade requerente. Inacreditável!
“Art. 38. Fica extinto o recurso, em tramitação até a data de publicação desta Medida Provisória, relativo a pedido de renovação ou de concessão originária de CEBAS deferido pelo CNAS”.
Eu explico: de novo joga no lixo todas as investigações e contestações sobre escrituração das entidades e renovação de certificados suspeitos!
“Art. 39. Os pedidos de renovação de CEBAS indeferidos pelo CNAS, que sejam objeto de pedido de reconsideração ou de recurso pendentes de julgamento até a data de publicação desta Medida Provisória, consideram-se deferidos”.
Incrível. No mínimo, crime de responsabilidade. Releia e veja: converte “indeferido” em “deferido”!
Em síntese: se trata de uma ampla, geral e irrestrita anistia, apesar de todas as investigações e acusações realizadas por autoridades administrativas, policiais e judiciais.
Essa medida provisória é uma pérola anti-republicana. República, uma expressão tão ao gosto da autonominada esquerda no poder!
07 novembro 2008
O show da democracia norte-americana
O fenômeno Barack Obama é um assunto que demandará mais estudos e reflexões haja vista que é conseqüência de uma rara conjugação de inúmeros e contraditórios fatores históricos.
Não é a toa que ascende sob uma aura de esperança e revolução de comportamento nas relações internas e externas norte-americanas.
Porém, dado o nível de comprometimento das históricas e conservadoras forças sociais e econômicas do império do norte, só vendo para crer!
Mas o show da democracia norte-americana não se esgotou nessa memorável eleição presidencial. Enquanto a nação se dividia entre os partidários de democratas e republicanos, muitos estados e cidades norte-americanas tinham opções adicionais na cédula eleitoral.
Há muitas décadas, os Estados Unidos aproveitam as eleições para promover plebiscitos. No dia da eleição presidencial outras 153 consultas foram realizadas em 36 estados.
Entre tais, a mais badalada e complexa se realizou na Califórnia. Além de 11 outras diferentes questões sob julgamento dos californianos, estava em discussão a "proposta 8".
A “proposta 8” foi um pedido plebiscitário promovido por grupos conservadores e religiosos para anular a decisão da Suprema Corte da Califórnia que legalizara o casamento entre homossexuais. Venceu o voto contra o casamento!
Também na Flórida e no Arizona venceu a tese contra o casamento homossexual. Atualmente, só Massachusetts e Connecticut permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Enquanto isso, Dakota do Sul, Colorado e Califórnia (de novo) votaram sobre limitações no direito ao aborto. Aborto é um assunto recorrente em eleições norte-americanas.
No Arizona estava em votação a previsão e autorização do aumento de multas e punições para as pessoas que contratarem imigrantes ilegais.
Em Michigan foi aprovada a legalização do uso da maconha para fins médicos. Massachusetts e Califórnia decidiram sobre a descriminalização do uso da maconha.
Enquanto isso, em Washington a maioria apoiou a descriminalização da assistência médica para o suicídio de pacientes terminais (autoriza a eutanásia).
No Oregon os cidadãos opinaram sobre o acesso de estudantes estrangeiros aos estudos de sua língua nativa. E no Missouri resolveram sobre se o inglês se tornará a língua oficial do estado!
Já o povo de Massachusetts opinou sobre a proibição das corridas de cachorros. Ainda sobre animais, o povo da Califórnia julgou uma emenda constitucional que garante espaço vital mínimo aos animais de fazenda. No Nebraska e no Colorado os eleitores decidiram sobre a proibição de programas públicos que dêem preferência aos negros e às minorias.
E os cidadãos de San Francisco opinaram sobre a descriminalização ou não da prostituição. A vitória da "proposta K" impediria as forças policiais de prender prostitutas!
E você, meu caro cidadão brasileiro, não gostaria também de opinar sobre a proibição do fumo, jogatina oficial, acidentes de trânsito, uso de drogas, casamento de homossexuais, direito ao aborto, corrupção, pena de morte, eutanásia, ..., ???
Assunto não falta. Falta coragem e democracia!
Não é a toa que ascende sob uma aura de esperança e revolução de comportamento nas relações internas e externas norte-americanas.
Porém, dado o nível de comprometimento das históricas e conservadoras forças sociais e econômicas do império do norte, só vendo para crer!
Mas o show da democracia norte-americana não se esgotou nessa memorável eleição presidencial. Enquanto a nação se dividia entre os partidários de democratas e republicanos, muitos estados e cidades norte-americanas tinham opções adicionais na cédula eleitoral.
Há muitas décadas, os Estados Unidos aproveitam as eleições para promover plebiscitos. No dia da eleição presidencial outras 153 consultas foram realizadas em 36 estados.
Entre tais, a mais badalada e complexa se realizou na Califórnia. Além de 11 outras diferentes questões sob julgamento dos californianos, estava em discussão a "proposta 8".
A “proposta 8” foi um pedido plebiscitário promovido por grupos conservadores e religiosos para anular a decisão da Suprema Corte da Califórnia que legalizara o casamento entre homossexuais. Venceu o voto contra o casamento!
Também na Flórida e no Arizona venceu a tese contra o casamento homossexual. Atualmente, só Massachusetts e Connecticut permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Enquanto isso, Dakota do Sul, Colorado e Califórnia (de novo) votaram sobre limitações no direito ao aborto. Aborto é um assunto recorrente em eleições norte-americanas.
No Arizona estava em votação a previsão e autorização do aumento de multas e punições para as pessoas que contratarem imigrantes ilegais.
Em Michigan foi aprovada a legalização do uso da maconha para fins médicos. Massachusetts e Califórnia decidiram sobre a descriminalização do uso da maconha.
Enquanto isso, em Washington a maioria apoiou a descriminalização da assistência médica para o suicídio de pacientes terminais (autoriza a eutanásia).
No Oregon os cidadãos opinaram sobre o acesso de estudantes estrangeiros aos estudos de sua língua nativa. E no Missouri resolveram sobre se o inglês se tornará a língua oficial do estado!
Já o povo de Massachusetts opinou sobre a proibição das corridas de cachorros. Ainda sobre animais, o povo da Califórnia julgou uma emenda constitucional que garante espaço vital mínimo aos animais de fazenda. No Nebraska e no Colorado os eleitores decidiram sobre a proibição de programas públicos que dêem preferência aos negros e às minorias.
E os cidadãos de San Francisco opinaram sobre a descriminalização ou não da prostituição. A vitória da "proposta K" impediria as forças policiais de prender prostitutas!
E você, meu caro cidadão brasileiro, não gostaria também de opinar sobre a proibição do fumo, jogatina oficial, acidentes de trânsito, uso de drogas, casamento de homossexuais, direito ao aborto, corrupção, pena de morte, eutanásia, ..., ???
Assunto não falta. Falta coragem e democracia!
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