Apesar de você
Ah, o tempo... “O tempo é o senhor da razão”, teria dito o escritor frances Marcel Proust (1871-1922). Tantas anunciadas promessas, doces ilusões e cantadas virtudes esvaindo-se como o pó ao vento.
Compreendo os governantes. Afinal, para a manutenção do “status quo” apelam aos recursos possíveis. Mas, entre estes alguns são intoleráveis porque absolutamente deseducadores, notadamente quando o destinatário é um povo humilde e de baixa escolaridade. São inaceitáveis a falta da verdade, o ufanismo e o messianismo.
Exacerbadas as divergências, simpatizantes e governantes reproduzem condutas dos tempos ditatoriais, censurando a imprensa e sugerindo aos discordantes o caminho do exílio voluntário.
Como já fizeram em rede social ao postar foto de um passaporte, com recomendação aos insatisfeitos que, então, saiam do país. Ato equivalente ao “Ame ou Deixe-o” patrocinado pelos militares nos anos 70.
Exemplar razão de contestação pública é a realização da Copa do Mundo de Futebol, sua lei especial e seus bilionários estádios. Desnecessário repetir o mantra “Padrão FIFA”, tamanho o escândalo do superfaturamento, da orgia de gastos, o vexame dos prazos e obras inacabadas e a absoluta contradição relativamente às demandas e carências do povo brasileiro.
Ironicamente, está se reproduzindo outro fato do tempo da ditadura. Em 1970, havia um dilema entre os adversários do regime. Torcer a favor da seleção brasileira seria prestar um apoio político aos militares. Torcer contra era um dever patriótico. Afinal, parafraseando o socialista alemão Karl Marx (1818-1883), o futebol é o “ópio do povo”.
Hoje, estamos diante da mesma circunstância. Torcer contra seria uma forma de denúncia e contestação. Torcer a favor seria legitimar o governo e suas duvidosas práticas. E, indiretamente, seus candidatos, haja vista a coincidência (?) entre a Copa e as eleições nacionais.
Quando Chico Buarque cantou “Apesar de Você”, em 1970, a razão e circunstância eram outras. Mas, hoje, a reproduzida pretensão de hegemonia governamental e compulsória concordância são as mesmas.
Dizia Chico: “Hoje você é quem manda, falou, tá falado, não tem discussão. A minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão, viu? Você que inventou esse estado e inventou de inventar toda a escuridão, você que inventou o pecado esqueceu-se de inventar o perdão”.
Manterei minhas críticas, mas torcerei pela seleção e desejo que tudo ocorra sem transtornos sociais. E por quê? Porque o Brasil e seu povo são maiores que um governo e um partido, de quem, circunstancialmente, podemos divergir. Seja em tempo de ditadura, que dirá em tempo de democracia.
Afinal, a soma de nossas virtudes é maior que a soma de nossos erros.
Crônicas e Comentários sobre Política e Economia, Cotidiano e Comportamento, Cultura e Personalidades
21 maio 2014
O Choro é LIvre
O choro é livre
Os que exercem os poderes de Estado, em todos os níveis de representação – ocupantes de cargos em comissão, diretores de estatais, vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores, e a própria presidente da república, expõem espontânea e publicamente seus cargos e suas pessoas.
Essa exposição se torna ainda mais acentuada quando há críticas e investigações acerca dos seus atos administrativos, acusações e suposições de envolvimento em corrupção e irregularidades de gestão.
Comumente, essa exposição pública se dá através dos meios de comunicação. Mas, também por intermédio e decorrência das ações do parlamento e dos órgãos policiais e de justiça. Daí que quando ocorrem estes eventos de “pegação no pé”, costumam reclamar e alegar perseguição político-partidária. Pura choradeira!
Quem exerce o poder são os mandatários. Mandatário é o homem público encarregado dos atos de gestão, bens e interesses públicos. Mandante é o cidadão. Assim sendo, a qualquer tempo os mandantes podem verificar, averiguar e questionar as condutas dos mandatários.
Ademais, não bastasse sua legitimidade, a desconfiança produz um cidadão mais vigilante e que tem o direito de imiscuir-se nas atividades dos governantes e administradores públicos.
Então, pergunta-se: há exageros de parte da população e da imprensa nas críticas e na divulgação dos atos duvidosos de nossos representantes?
Este assunto não é novo. Inclusive, desde sempre, é objeto de recurso às altas cortes judiciais. Na Suprema Corte dos Estados Unidos, onde são comuns os processos e as demandas judiciais acerca de imagem e ofensa pessoais, foi afirmado: "Algum grau de abuso é inseparável do devido uso de qualquer objeto e, em nenhum caso, isso é mais verdadeiro que no caso da imprensa”.
Adicionalmente, pode-se invocar princípios de direito que justificam as ações públicas, pessoais, partidárias e de imprensa. Na fase preliminar e investigativa, “in dubio pro societate”. Na fase de julgamento, mantidas as dúvidas de autoria e responsabilidade, “in dubio pro reo”!
Ou ainda, como disse Lorde Acton, o professor e historiador inglês John Dalberg (1834-1902): "Não há pior heresia que a de crer que o poder santifica quem o tem". Talvez você não conheça ou recorde Lord Acton, mas conhece sua frase mais famosa: “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente!”.
Nem os reis, nem os papas escapam às regras e, por isso, Lord Acton não os considerava merecedores de melhor tratamento. Às vezes, pode ser ingrata e injusta a submissão política a estes critérios e julgamentos. Em todo o caso, esse processo quase “inquisitivo” é bom para o funcionamento do sistema representativo e republicano.
Melhor que o comportamento daqueles que deixam de tomar uma atitude crítica e estimulam a omissão. Ou, então, e pior, criticam quem toma uma atitude.
Os que exercem os poderes de Estado, em todos os níveis de representação – ocupantes de cargos em comissão, diretores de estatais, vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores, e a própria presidente da república, expõem espontânea e publicamente seus cargos e suas pessoas.
Essa exposição se torna ainda mais acentuada quando há críticas e investigações acerca dos seus atos administrativos, acusações e suposições de envolvimento em corrupção e irregularidades de gestão.
Comumente, essa exposição pública se dá através dos meios de comunicação. Mas, também por intermédio e decorrência das ações do parlamento e dos órgãos policiais e de justiça. Daí que quando ocorrem estes eventos de “pegação no pé”, costumam reclamar e alegar perseguição político-partidária. Pura choradeira!
Quem exerce o poder são os mandatários. Mandatário é o homem público encarregado dos atos de gestão, bens e interesses públicos. Mandante é o cidadão. Assim sendo, a qualquer tempo os mandantes podem verificar, averiguar e questionar as condutas dos mandatários.
Ademais, não bastasse sua legitimidade, a desconfiança produz um cidadão mais vigilante e que tem o direito de imiscuir-se nas atividades dos governantes e administradores públicos.
Então, pergunta-se: há exageros de parte da população e da imprensa nas críticas e na divulgação dos atos duvidosos de nossos representantes?
Este assunto não é novo. Inclusive, desde sempre, é objeto de recurso às altas cortes judiciais. Na Suprema Corte dos Estados Unidos, onde são comuns os processos e as demandas judiciais acerca de imagem e ofensa pessoais, foi afirmado: "Algum grau de abuso é inseparável do devido uso de qualquer objeto e, em nenhum caso, isso é mais verdadeiro que no caso da imprensa”.
Adicionalmente, pode-se invocar princípios de direito que justificam as ações públicas, pessoais, partidárias e de imprensa. Na fase preliminar e investigativa, “in dubio pro societate”. Na fase de julgamento, mantidas as dúvidas de autoria e responsabilidade, “in dubio pro reo”!
Ou ainda, como disse Lorde Acton, o professor e historiador inglês John Dalberg (1834-1902): "Não há pior heresia que a de crer que o poder santifica quem o tem". Talvez você não conheça ou recorde Lord Acton, mas conhece sua frase mais famosa: “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente!”.
Nem os reis, nem os papas escapam às regras e, por isso, Lord Acton não os considerava merecedores de melhor tratamento. Às vezes, pode ser ingrata e injusta a submissão política a estes critérios e julgamentos. Em todo o caso, esse processo quase “inquisitivo” é bom para o funcionamento do sistema representativo e republicano.
Melhor que o comportamento daqueles que deixam de tomar uma atitude crítica e estimulam a omissão. Ou, então, e pior, criticam quem toma uma atitude.
Freud Explica
Freud explica
Repercute mais um caso de racismo. Ecoa menos pelo ato em si, mais pela inovadora reação do atleta em questão. Estamos de acordo sobre a importância de atos e legislações que inibam, coíbam e punam a sucessão destas atitudes que ofendem a integridade e dignidade humana.
Entretanto, entendo que essas atitudes ofensivas e odiosas, a exemplo de milhares que a história fartamente demonstra em todos os quadrantes, estão menos relacionadas a questão de nossas cores corpóreas, e muito mais às origens étnicas, nacionais e sociais.
A discriminação por etnias, povos, nacionalidades e estratos sociais é secular e interminável. Com acontecimentos gravíssimos como foram os vários genocídios.
Índios e habitantes nativos foram e são, desde sempre, discriminados em todos os países. Europeus de várias nações, russos e alemães, por exemplo, ainda hoje discriminam seus iguais e nacionais.
Evidentemente, o núcleo de nossas contradições comportamentais (em relação aos outros) está diretamente relacionada à visão que temos de nós mesmos. Como não poderia deixar de ser, acreditamos que somos melhores que os outros. Falso ou verdadeiro, não importa. Ato de defesa pessoal psicológica ou real, também, não importa.
Essas reflexões nos conduzem às feridas narcísicas que nos infligiram três cientistas. Refiro-me a conhecida correlação entre Copérnico, Darwin e Freud.
O matemático e astrônomo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) demonstrou que o planeta Terra não era o centro do universo (teoria geocêntrica). Afirmou que a Terra girava em torno do Sol. Dedução de Freud: o homem não era o destinatário de uma centralidade celestial e divina, como pregava a igreja medieval.
O cientista e naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) desvendou outra ilusão humana. Abalou o mito da criação divina ao defender a tese de que somos parte de um longo processo evolutivo de várias espécimes e seres orgânicos. Seríamos uma evolução biológica dos macacos.
Finalmente, o próprio médico neurologista alemão (e criador da psicanalise) Sigmund Freud (1856-1939) é responsável pela terceira desilusão humana. Graças às suas observações e pesquisas clínicas, concluiu que o homem não é “dono” das suas próprias ações. Reflexos e ações inconscientes governam a determinação dos seus atos e decisões. Ou seja, não somos “governados” por nosso consciente.
Assim, entendo que os históricos atos de discriminação, de todas as discriminações, são frutos de nossa equivocada visão sobre nós mesmos. Ainda nos julgamos melhores que os outros.
Quando teremos plena consciência? Às vezes, “o outro” poderemos ser nós mesmos. Então, conheceremos o amargo sabor do próprio veneno!
Repercute mais um caso de racismo. Ecoa menos pelo ato em si, mais pela inovadora reação do atleta em questão. Estamos de acordo sobre a importância de atos e legislações que inibam, coíbam e punam a sucessão destas atitudes que ofendem a integridade e dignidade humana.
Entretanto, entendo que essas atitudes ofensivas e odiosas, a exemplo de milhares que a história fartamente demonstra em todos os quadrantes, estão menos relacionadas a questão de nossas cores corpóreas, e muito mais às origens étnicas, nacionais e sociais.
A discriminação por etnias, povos, nacionalidades e estratos sociais é secular e interminável. Com acontecimentos gravíssimos como foram os vários genocídios.
Índios e habitantes nativos foram e são, desde sempre, discriminados em todos os países. Europeus de várias nações, russos e alemães, por exemplo, ainda hoje discriminam seus iguais e nacionais.
Evidentemente, o núcleo de nossas contradições comportamentais (em relação aos outros) está diretamente relacionada à visão que temos de nós mesmos. Como não poderia deixar de ser, acreditamos que somos melhores que os outros. Falso ou verdadeiro, não importa. Ato de defesa pessoal psicológica ou real, também, não importa.
Essas reflexões nos conduzem às feridas narcísicas que nos infligiram três cientistas. Refiro-me a conhecida correlação entre Copérnico, Darwin e Freud.
O matemático e astrônomo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) demonstrou que o planeta Terra não era o centro do universo (teoria geocêntrica). Afirmou que a Terra girava em torno do Sol. Dedução de Freud: o homem não era o destinatário de uma centralidade celestial e divina, como pregava a igreja medieval.
O cientista e naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) desvendou outra ilusão humana. Abalou o mito da criação divina ao defender a tese de que somos parte de um longo processo evolutivo de várias espécimes e seres orgânicos. Seríamos uma evolução biológica dos macacos.
Finalmente, o próprio médico neurologista alemão (e criador da psicanalise) Sigmund Freud (1856-1939) é responsável pela terceira desilusão humana. Graças às suas observações e pesquisas clínicas, concluiu que o homem não é “dono” das suas próprias ações. Reflexos e ações inconscientes governam a determinação dos seus atos e decisões. Ou seja, não somos “governados” por nosso consciente.
Assim, entendo que os históricos atos de discriminação, de todas as discriminações, são frutos de nossa equivocada visão sobre nós mesmos. Ainda nos julgamos melhores que os outros.
Quando teremos plena consciência? Às vezes, “o outro” poderemos ser nós mesmos. Então, conheceremos o amargo sabor do próprio veneno!
16 abril 2014
Circulo Vicioso
Sempre reclamamos da política e dos políticos. Porque sempre prometeram mundos e fundos. Porque sempre acreditamos nas promessas. Ou fazíamos de conta que acreditávamos. E de tanto fazer de conta já não sabemos mais se acreditamos ou não.
A consequência preocupante deste comportamento histórico é que os próprios políticos também já não sabem mais o que fazem e qual é sua real tarefa.
O jogo político-eleitoral diário, a promessa não cumprida, as exigências da própria realidade, o faz-de-conta nos jornais e na TV, transformou tudo em jogo de poder e encenação teatral.
Políticos e eleitores, governantes e cidadãos, ninguém mais sabe se é espectador ou ator. Fazer ou deixar de fazer, cumprir ou não cumprir, fiscalizar ou não fiscalizar, agir ou omitir-se, fingir ou não fingir, que diferença faz?
Perdemos a noção e a razão de que deve haver sempre uma correta relação entre os fins e os meios. Meios e objetivos devem ser inconfundíveis. Infelizmente, não é o que ocorre!
A pertinência do tema se constitui a partir da óbvia constatação de que a política e a governança pública viraram caso de polícia e justiça. Não é à toa que assistimos à plenitude da judicialização da política nacional.
Aliás, essa judicialização não se dá em torno de questões de direito e liberdade, como seria normal, mas em torno da proteção de valores sociais, éticos e morais.
Face às eleições (e a sucessão de escândalos) que se avizinham é oportuno refletirmos sobre o relativismo ético-moral e a resignação do cidadão. Além de aplicar um relativismo, o resignado eleitor suporta a tudo isso sem se revoltar e sem esboçar reação.
A tolerância do eleitor acaba por contaminar os partidos, que não só abdicam dessa crítica, como inclusive apresentam candidatos com perfis pessoais discutíveis e de duvidosa qualidade e comportamento. Debochada e ousadamente.
O relativismo e a resignação popular evidenciam que existem “outros níveis de realidade” inevitáveis e insuperáveis, como os negócios, os interesses, a “velha” política e o “velho” direito.
Resumo da ópera. Estamos ficando cínicos. Comportamos-nos como condenados a aceitar determinado jogo e realidade porque não podemos mudá-la. Pior: sabemos que isto está errado e que não deveria ser assim. Que não deve ser assim!
A realidade deixou de ser um desafio e virou um destino. Sociedade e política vivem o auto-engano. O alimento do auto-engano é o círculo vicioso.
A consequência preocupante deste comportamento histórico é que os próprios políticos também já não sabem mais o que fazem e qual é sua real tarefa.
O jogo político-eleitoral diário, a promessa não cumprida, as exigências da própria realidade, o faz-de-conta nos jornais e na TV, transformou tudo em jogo de poder e encenação teatral.
Políticos e eleitores, governantes e cidadãos, ninguém mais sabe se é espectador ou ator. Fazer ou deixar de fazer, cumprir ou não cumprir, fiscalizar ou não fiscalizar, agir ou omitir-se, fingir ou não fingir, que diferença faz?
Perdemos a noção e a razão de que deve haver sempre uma correta relação entre os fins e os meios. Meios e objetivos devem ser inconfundíveis. Infelizmente, não é o que ocorre!
A pertinência do tema se constitui a partir da óbvia constatação de que a política e a governança pública viraram caso de polícia e justiça. Não é à toa que assistimos à plenitude da judicialização da política nacional.
Aliás, essa judicialização não se dá em torno de questões de direito e liberdade, como seria normal, mas em torno da proteção de valores sociais, éticos e morais.
Face às eleições (e a sucessão de escândalos) que se avizinham é oportuno refletirmos sobre o relativismo ético-moral e a resignação do cidadão. Além de aplicar um relativismo, o resignado eleitor suporta a tudo isso sem se revoltar e sem esboçar reação.
A tolerância do eleitor acaba por contaminar os partidos, que não só abdicam dessa crítica, como inclusive apresentam candidatos com perfis pessoais discutíveis e de duvidosa qualidade e comportamento. Debochada e ousadamente.
O relativismo e a resignação popular evidenciam que existem “outros níveis de realidade” inevitáveis e insuperáveis, como os negócios, os interesses, a “velha” política e o “velho” direito.
Resumo da ópera. Estamos ficando cínicos. Comportamos-nos como condenados a aceitar determinado jogo e realidade porque não podemos mudá-la. Pior: sabemos que isto está errado e que não deveria ser assim. Que não deve ser assim!
A realidade deixou de ser um desafio e virou um destino. Sociedade e política vivem o auto-engano. O alimento do auto-engano é o círculo vicioso.
05 março 2014
Guerrilheiros Digitais
Quem utiliza e freqüenta as redes sociais já percebeu que há uma batalha aberta entre defensores do governo e seus críticos. Quaisquer questionamentos aos seus representantes e suas práticas políticas, atos e obras públicas, verdadeiras ou não, merecem imediata contestação.
Em meio ao “tiroteio” digital há simples comentários feitos por cidadãos, tanto opositores quanto simpatizantes governamentais, mas há também, e de modo crescente, a presença de “profissionais”, blogueiros patrocinados, de parte a parte. Alguns com recursos públicos!
Resulta disso uma virulência verbal que beira a insanidade, farta em atos de ofensas pessoais e distorção de dados e informações. Tudo indica, então, que as próximas eleições terão na internet e nas redes sociais um campo minado e altamente explosivo.
Embora de maneira mais discreta e educada, se assim pudermos dizer, nas eleições de 2010 já houve importante ação político-partidário via internet. Mas o quadro atual indica que haverá uma mega intervenção digital na guerra eleitoral, tocante e notadamente na eleição para a presidência da república.
A programação televisiva (horário político-eleitoral) ainda tem significativa importância e continua demandando dos candidatos especial atenção e investimento. Mas números recentes indicam que 105 milhões de pessoas têm acesso à internet no Brasil. Em média, conectados por duas horas diárias.
Consequentemente, os marqueteiros partidários já estão voltados ao assunto e dedicados em recrutar seus “soldados de ação digital”. Os principais partidos estimam investimentos de mais de R$ 30 milhões e a mobilização de 100 mil ativistas e militantes digitais.
Então, cresce a convicção que nas próximas eleições, finalmente, a internet poderá ter uma influência absoluta e definitiva. Positivamente, será importante para esclarecer e confrontar idéias e propostas de todos participantes do processo.
Mas, sem dúvida, será o campo de guerra de ações de informação e contra-informação, de fofocas e intrigas, de falsos dossiês, de destruição de reputações e currículos pessoais. Será um campo de guerra digital digno de uma batalha da idade média.
Em meio ao “tiroteio” digital há simples comentários feitos por cidadãos, tanto opositores quanto simpatizantes governamentais, mas há também, e de modo crescente, a presença de “profissionais”, blogueiros patrocinados, de parte a parte. Alguns com recursos públicos!
Resulta disso uma virulência verbal que beira a insanidade, farta em atos de ofensas pessoais e distorção de dados e informações. Tudo indica, então, que as próximas eleições terão na internet e nas redes sociais um campo minado e altamente explosivo.
Embora de maneira mais discreta e educada, se assim pudermos dizer, nas eleições de 2010 já houve importante ação político-partidário via internet. Mas o quadro atual indica que haverá uma mega intervenção digital na guerra eleitoral, tocante e notadamente na eleição para a presidência da república.
A programação televisiva (horário político-eleitoral) ainda tem significativa importância e continua demandando dos candidatos especial atenção e investimento. Mas números recentes indicam que 105 milhões de pessoas têm acesso à internet no Brasil. Em média, conectados por duas horas diárias.
Consequentemente, os marqueteiros partidários já estão voltados ao assunto e dedicados em recrutar seus “soldados de ação digital”. Os principais partidos estimam investimentos de mais de R$ 30 milhões e a mobilização de 100 mil ativistas e militantes digitais.
Então, cresce a convicção que nas próximas eleições, finalmente, a internet poderá ter uma influência absoluta e definitiva. Positivamente, será importante para esclarecer e confrontar idéias e propostas de todos participantes do processo.
Mas, sem dúvida, será o campo de guerra de ações de informação e contra-informação, de fofocas e intrigas, de falsos dossiês, de destruição de reputações e currículos pessoais. Será um campo de guerra digital digno de uma batalha da idade média.
Ilusão de Poder
Duas ações obrigatórias ao cidadão – pagar impostos e votar - provocam uma ilusão (de poder) nos governantes. Ainda que realizados em bases legais, os cofres públicos recheados e o mandato decorrente das urnas não significam, nem garantem a respectiva legitimidade.
Desperdício, corrupção, ineficácia nas ações de estado e a transformação das eleições em mero mecanismo de substituição nas viciadas estruturas de governo, têm contribuído expressivamente para o atual estágio de desilusão e descrença. E protestos!
Histórica e crescentemente, a administração pública tem sido utilizada para resolver vulgares questões político-partidárias, num esquema de “feudalização” de secretarias e estatais. Em defesa dos atos, os governantes argumentam que é para garantir a governabilidade. Isso que assistimos é governabilidade?
Porém, e otimista, alguém dirá: “Mas o Estado brasileiro faz muita coisa boa para o povo. Estão aí vários exemplos positivos.” Evidentemente, que algo haveria de ser feito haja vista a abundância de recursos financeiros. Mas, deveríamos e poderíamos fazer muito mais!
Não esqueçamos que há uma enorme disparidade entre o que é arrecadado e o que é ofertado em termos de serviços públicos e infra-estrutura.
Então, não é mera coincidência o esgotamento físico-psicológico e o transbordamento da rebeldia popular. E com claros sinais que aumentará. Afinal, razões não faltam.
Seria um bom momento para as nossas autoridades relembrarem as célebres palavras de Abraham Lincoln (1809-1865), décimo-sexto presidente dos Estados Unidos. Disse ele:
“Não criarás a prosperidade se desestimulares a poupança. Não fortalecerás os fracos se enfraqueceres os fortes. Não ajudarás o assalariado se arruinares aqueles que o pagam.
Não estimularás a fraternidade humana se alimentares o ódio de classes. Não ajudarás os pobres se eliminares os ricos.
Não poderás criar estabilidade permanente baseada em dinheiro emprestado. Não evitarás dificuldades se gastares mais do que ganhas.
Não fortalecerás a dignidade e o ânimo se subtraíres ao homem a iniciativa e a liberdade. Não poderás ajudar os homens de maneira permanente se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si próprios”.
Digo eu: a realidade confrontada (e afrontada) não se submete aos ilusionismos de poder.
Desperdício, corrupção, ineficácia nas ações de estado e a transformação das eleições em mero mecanismo de substituição nas viciadas estruturas de governo, têm contribuído expressivamente para o atual estágio de desilusão e descrença. E protestos!
Histórica e crescentemente, a administração pública tem sido utilizada para resolver vulgares questões político-partidárias, num esquema de “feudalização” de secretarias e estatais. Em defesa dos atos, os governantes argumentam que é para garantir a governabilidade. Isso que assistimos é governabilidade?
Porém, e otimista, alguém dirá: “Mas o Estado brasileiro faz muita coisa boa para o povo. Estão aí vários exemplos positivos.” Evidentemente, que algo haveria de ser feito haja vista a abundância de recursos financeiros. Mas, deveríamos e poderíamos fazer muito mais!
Não esqueçamos que há uma enorme disparidade entre o que é arrecadado e o que é ofertado em termos de serviços públicos e infra-estrutura.
Então, não é mera coincidência o esgotamento físico-psicológico e o transbordamento da rebeldia popular. E com claros sinais que aumentará. Afinal, razões não faltam.
Seria um bom momento para as nossas autoridades relembrarem as célebres palavras de Abraham Lincoln (1809-1865), décimo-sexto presidente dos Estados Unidos. Disse ele:
“Não criarás a prosperidade se desestimulares a poupança. Não fortalecerás os fracos se enfraqueceres os fortes. Não ajudarás o assalariado se arruinares aqueles que o pagam.
Não estimularás a fraternidade humana se alimentares o ódio de classes. Não ajudarás os pobres se eliminares os ricos.
Não poderás criar estabilidade permanente baseada em dinheiro emprestado. Não evitarás dificuldades se gastares mais do que ganhas.
Não fortalecerás a dignidade e o ânimo se subtraíres ao homem a iniciativa e a liberdade. Não poderás ajudar os homens de maneira permanente se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si próprios”.
Digo eu: a realidade confrontada (e afrontada) não se submete aos ilusionismos de poder.
20 fevereiro 2014
O significado da "vaquinha"
Qual o significado das surpreendentes e bem sucedidas “vaquinhas” realizadas em prol dos condenados do “mensalão”, com o intuito de pagar as multas impostas pelo Supremo Tribunal Federal?
Que se trata de um conjunto de simpatizantes, militantes e filiados com extremo grau de fidelidade/solidariedade e liquidez financeira?
Que refutam tudo quanto se disse e provou até o momento, e, do seu ponto de vista, simplificam e reduzem tudo a um manipulado processo de julgamento político?
Que a acusação, o processo, o julgamento e a condenação são frutos diretos de uma extraordinária pressão midiática coordenada pelos setores conservadores da nação?
Que interpretam diferentemente as imagens e provas que todos vimos, formal e televisivamente, assim como o Procurador Geral da República, de então, e a maioria dos onze membros do maior tribunal nacional?
Que entendem que a fuga do condenado e ex-diretor do Banco do Brasil, o senhor Pizzolato, simplesmente se tratou de um ato de legítima defesa?
Que pouco importa se utilizou documentos do irmão morto, de modo prévio e deliberado, muito antes do julgamento e condenação final?
Admitidas todas essas hipóteses como razoáveis e compreensíveis, do ponto de vista dos simpatizantes dos condenados, evidentemente, podemos, então, contrapor alguns argumentos (perguntas) dos cidadãos que divergem.
Por exemplo, que aqueles que nominam como “partido da imprensa golpista”, mais precisamente os vários e históricos veículos de comunicação que noticiam fatos que não lhes agradam, merecem cerceamento e controle do direito de imprensa e opinião?
E que o fato de oito dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal terem sido nomeados pelos presidentes Lula (6) e Dilma (2), entre os quais alguns que optaram pelas condenações, significa uma traição?
Que os ministros deveriam ter tido mais condescendência com os partidários dos respectivos presidentes, em gesto de gratidão pela indicação e nomeação?
Dito de outro modo, admitem, então, que a justiça deve estar a serviço dos partidos e os pressupostos ideológicos que defendem, ainda que eventual e circunstancialmente flagrados em ações fora da lei em vigor?
Essa reação coletiva, simbolizada pela “vaquinha”, significa que esse agrupamento de pessoas não reconhece e acata o sistema judiciário e penal brasileiro?
Que se trata de um conjunto de simpatizantes, militantes e filiados com extremo grau de fidelidade/solidariedade e liquidez financeira?
Que refutam tudo quanto se disse e provou até o momento, e, do seu ponto de vista, simplificam e reduzem tudo a um manipulado processo de julgamento político?
Que a acusação, o processo, o julgamento e a condenação são frutos diretos de uma extraordinária pressão midiática coordenada pelos setores conservadores da nação?
Que interpretam diferentemente as imagens e provas que todos vimos, formal e televisivamente, assim como o Procurador Geral da República, de então, e a maioria dos onze membros do maior tribunal nacional?
Que entendem que a fuga do condenado e ex-diretor do Banco do Brasil, o senhor Pizzolato, simplesmente se tratou de um ato de legítima defesa?
Que pouco importa se utilizou documentos do irmão morto, de modo prévio e deliberado, muito antes do julgamento e condenação final?
Admitidas todas essas hipóteses como razoáveis e compreensíveis, do ponto de vista dos simpatizantes dos condenados, evidentemente, podemos, então, contrapor alguns argumentos (perguntas) dos cidadãos que divergem.
Por exemplo, que aqueles que nominam como “partido da imprensa golpista”, mais precisamente os vários e históricos veículos de comunicação que noticiam fatos que não lhes agradam, merecem cerceamento e controle do direito de imprensa e opinião?
E que o fato de oito dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal terem sido nomeados pelos presidentes Lula (6) e Dilma (2), entre os quais alguns que optaram pelas condenações, significa uma traição?
Que os ministros deveriam ter tido mais condescendência com os partidários dos respectivos presidentes, em gesto de gratidão pela indicação e nomeação?
Dito de outro modo, admitem, então, que a justiça deve estar a serviço dos partidos e os pressupostos ideológicos que defendem, ainda que eventual e circunstancialmente flagrados em ações fora da lei em vigor?
Essa reação coletiva, simbolizada pela “vaquinha”, significa que esse agrupamento de pessoas não reconhece e acata o sistema judiciário e penal brasileiro?
14 fevereiro 2014
Por que não te calas, ministro?
Lula acertou e errou ao questionar recente manifestação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Errou ao defender seus companheiros como se inocentes fossem e tivessem sido julgados por um tribunal de exceção. Um ato de solidariedade de quem é co-responsável pela lambança. Errou.
Mas Lula acertou quando afirmou que os ministros do STF deveriam falar apenas nos autos do processo e evitar os holofotes da televisão. Disse mais: se quiserem fazer política, que entrassem num partido e assumissem uma candidatura. Acertou.
Embora a última manifestação de Gilmar Mendes - sobre a “vaquinha” de arrecadação dos petistas para pagarem as multas dos companheiros condenados e presos – seja procedente, e realmente caiba a investigação sobre a origem dos recursos e os depositantes, não seria o ministro do STF a pessoa indicada para o óbvio comentário.
Há uma série de outras autoridades adequadas e aptas formalmente, em outros níveis de jurisdição e competência, a procederem tal iniciativa e respectiva investigação.
Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, principalmente, os mais freqüentes opinadores entre os ministros do STF, contribuem para a diminuição e desqualificação da importância de suas ações e decisões jurídicas, na proporção de suas incursões e aparições “cinematográficas”.
Pior: isso quando os ministros (todos) do STF não “lavam roupa suja” em público, fruto de suas sérias e profundas diferenças pessoais e políticas. Já que, possivelmente, não haja grandes diferenças doutrinárias e jurídicas.
Se ignorar o senso de decoro e a necessária solenidade que o cargo e a função exigem, pode perder boa reputação o juiz. Ou o próprio tribunal. Tanto numa hipótese quanto noutra, há um prejudicado maior: a nação e sua segurança jurídica.
Afinal, são os guardiões das leis e da constituição federal. Seu mandato e comportamento exigem resguardo e seriedade, de modo a garantir a qualidade e integridade dos atos e reflexões jurídicas. Não é à toa que é um tribunal de questões de direito, legalidade e constitucionalidade.
É claro que um ex-presidente da República também poderia ser discreto e zeloso acerca de sua relevância e histórico institucional. Mas pedir isso para Lula é absolutamente impossível!
Mas Lula acertou quando afirmou que os ministros do STF deveriam falar apenas nos autos do processo e evitar os holofotes da televisão. Disse mais: se quiserem fazer política, que entrassem num partido e assumissem uma candidatura. Acertou.
Embora a última manifestação de Gilmar Mendes - sobre a “vaquinha” de arrecadação dos petistas para pagarem as multas dos companheiros condenados e presos – seja procedente, e realmente caiba a investigação sobre a origem dos recursos e os depositantes, não seria o ministro do STF a pessoa indicada para o óbvio comentário.
Há uma série de outras autoridades adequadas e aptas formalmente, em outros níveis de jurisdição e competência, a procederem tal iniciativa e respectiva investigação.
Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, principalmente, os mais freqüentes opinadores entre os ministros do STF, contribuem para a diminuição e desqualificação da importância de suas ações e decisões jurídicas, na proporção de suas incursões e aparições “cinematográficas”.
Pior: isso quando os ministros (todos) do STF não “lavam roupa suja” em público, fruto de suas sérias e profundas diferenças pessoais e políticas. Já que, possivelmente, não haja grandes diferenças doutrinárias e jurídicas.
Se ignorar o senso de decoro e a necessária solenidade que o cargo e a função exigem, pode perder boa reputação o juiz. Ou o próprio tribunal. Tanto numa hipótese quanto noutra, há um prejudicado maior: a nação e sua segurança jurídica.
Afinal, são os guardiões das leis e da constituição federal. Seu mandato e comportamento exigem resguardo e seriedade, de modo a garantir a qualidade e integridade dos atos e reflexões jurídicas. Não é à toa que é um tribunal de questões de direito, legalidade e constitucionalidade.
É claro que um ex-presidente da República também poderia ser discreto e zeloso acerca de sua relevância e histórico institucional. Mas pedir isso para Lula é absolutamente impossível!
05 fevereiro 2014
É negócio ou é apoio político?
O governo brasileiro tem perdoado dívidas de outros países, notadamente nações africanas. Embora tenhamos razões e profundos laços históricos e culturais com a África, é importante esclarecer que não somos os únicos a assim proceder.
Outros países também perdoaram, principalmente os participantes do G8. Trata-se de um movimento internacional de perdão e renegociação de dívidas direcionado a países de extrema pobreza.
Entretanto, o que incomoda é que muitas nações beneficiadas são comandadas por ditadores sanguinários e seus familiares. Acusados de corrupção, roubo, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos, enriquecimento ilícito e assassinatos.
Alguns têm e mantêm inúmeras propriedades e depósitos financeiros no exterior, e estão entre as pessoas mais ricas do mundo. Outros respondem a processos em tribunais internacionais.
Entretanto, cabe um senão e esclarecimento importante: são raras as democracias na África. Possível e negativamente, influenciado pelo antigo colonialismo europeu. E pelo fato de que a maioria das nações tem origens históricas e políticas de natureza tribal.
Assim como tem chamado atenção o perdão das dívidas africanas, também tem merecido expressivo destaque e notícia a relação do governo brasileiro com Cuba.
Assunto mais recente foi a inauguração do moderno Porto de Mariel, com financiamento (US$ 800 milhões) do nosso BNDES e execução da construtora brasileira Odebrecht. É o maior investimento brasileiro em portos. Muito mais do que o investido nos caóticos e atrasados portos brasileiros.
Coincidência ou não, dominada pelos ditadores (e irmãos) Raul e Fidel Castro, trata-se de mais uma nação não democrática financiada com dinheiro dos brasileiros e com atuação de empreiteiras brasileiras.
Não pretendo fazer as mesmas ilações e relações que partidos de oposição fazem: de que seriam transações suspeitas e objeto de favorecimento e financiamento do Partido dos Trabalhadores (PT) através das empreiteiras.
Quero fazer outra indagação: orgulhosos de nossa democracia, e atualmente sob comando de líderes que se dizem de esquerda e libertários, o Brasil não deveria submeter/liberar esses perdões e financiamentos à pré-condições formais de transformação política dessas nações escravizadas pelos tiranos de ocasião? Dito de outra forma: o governo brasileiro está apoiando essas ditaduras?
Quero crer que a indignação dos brasileiros não está associada ao perdão de valores financeiros e empréstimos, mas sim ao fato de que significam um estimulo político à manutenção dessas ditaduras!
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Outros países também perdoaram, principalmente os participantes do G8. Trata-se de um movimento internacional de perdão e renegociação de dívidas direcionado a países de extrema pobreza.
Entretanto, o que incomoda é que muitas nações beneficiadas são comandadas por ditadores sanguinários e seus familiares. Acusados de corrupção, roubo, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos, enriquecimento ilícito e assassinatos.
Alguns têm e mantêm inúmeras propriedades e depósitos financeiros no exterior, e estão entre as pessoas mais ricas do mundo. Outros respondem a processos em tribunais internacionais.
Entretanto, cabe um senão e esclarecimento importante: são raras as democracias na África. Possível e negativamente, influenciado pelo antigo colonialismo europeu. E pelo fato de que a maioria das nações tem origens históricas e políticas de natureza tribal.
Assim como tem chamado atenção o perdão das dívidas africanas, também tem merecido expressivo destaque e notícia a relação do governo brasileiro com Cuba.
Assunto mais recente foi a inauguração do moderno Porto de Mariel, com financiamento (US$ 800 milhões) do nosso BNDES e execução da construtora brasileira Odebrecht. É o maior investimento brasileiro em portos. Muito mais do que o investido nos caóticos e atrasados portos brasileiros.
Coincidência ou não, dominada pelos ditadores (e irmãos) Raul e Fidel Castro, trata-se de mais uma nação não democrática financiada com dinheiro dos brasileiros e com atuação de empreiteiras brasileiras.
Não pretendo fazer as mesmas ilações e relações que partidos de oposição fazem: de que seriam transações suspeitas e objeto de favorecimento e financiamento do Partido dos Trabalhadores (PT) através das empreiteiras.
Quero fazer outra indagação: orgulhosos de nossa democracia, e atualmente sob comando de líderes que se dizem de esquerda e libertários, o Brasil não deveria submeter/liberar esses perdões e financiamentos à pré-condições formais de transformação política dessas nações escravizadas pelos tiranos de ocasião? Dito de outra forma: o governo brasileiro está apoiando essas ditaduras?
Quero crer que a indignação dos brasileiros não está associada ao perdão de valores financeiros e empréstimos, mas sim ao fato de que significam um estimulo político à manutenção dessas ditaduras!
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01 fevereiro 2014
Demagogia Inclusiva
“Boa noite a todos e todas. Quero saudar a presença de todos e todas”. Com certeza, você já ouviu, ultimamente, essas expressões em solenidades político-partidário-governamentais ou acadêmico-universitárias. Se não ouviu, com certeza, ouvirá!
Trata-se de um modismo denominado “linguagem inclusiva”. Sua utilização massiva teria se originado de reivindicação de movimento feminino. No entender das militantes, a gramática nacional torna as mulheres “invisíveis”. Entendem que a denominação genérica “todos” consolida e mantém uma supremacia masculina do cotidiano político, social e familiar.
Essa expressão é apenas mais uma apropriação lingüística entre centenas que surfam na onda do politicamente correto, uma praga que multiplicou seus fiéis. E que acreditam que a linguagem pode mudar a realidade.
Ora, ora, no máximo, conseguem influenciar a linguagem, mas não mudam a realidade. Consulte qualquer professor de português. São expressões redundantes. O português é uma língua que não tem o gênero neutro. De modo que o gênero masculino (todos!) ocupa esse papel.
E isso não tem nada a ver com machismo e exclusão social. Se pretendem de fato valorizar as mulheres devem encontrar outras soluções. Na vida real, não no campo da retórica. Aliás, é até um desrespeito tratar as pessoas assim, subestimando sua inteligência e sua percepção da realidade. E, sem dúvida, um desrespeito à gramática.
Essa onda do politicamente correto criou algumas preciosidades patéticas. Um exemplo é o tratamento verbal dispensado aos idosos. Velhice passou a ser chamada de “terceira idade”. Ou como dizem alguns mais exagerados e abusados: “melhor idade”.
Até parece que nunca conversaram com idosos sobre os inúmeros problemas e transtornos que decorrem da chegada ou do avanço da idade. São eufemismos ofensivos à realidade que as pessoas enfrentam na vida cotidiana.
Não vai demorar muito e veremos campanhas para
“abolir” expressões e/ou “domar” palavras tidas como perniciosas (sic) ao convívio social. Como se a língua fosse um “animal domesticável”.
Uma coisa são campanhas de esclarecimento e conscientização educacional e política, ou políticas públicas antidiscriminatórias e de transformação social. Outra coisa é manipular palavras.
“Todos e todas” é apenas mais uma das dezenas (ou serão centenas?) de bobagens com que o populismo e a demagogia nos brindam de tempos em tempos. E continuarão brindando.
Ou já esqueceram aquela ação de um procurador do Ministério Público Federal que tentou tirar de circulação o dicionário Houaiss, ou, a edição de lei que manda nominar bacharel mulher de bacharela e, ou, a recente perseguição judicial às obras de Monteiro Lobato?
Trata-se de um modismo denominado “linguagem inclusiva”. Sua utilização massiva teria se originado de reivindicação de movimento feminino. No entender das militantes, a gramática nacional torna as mulheres “invisíveis”. Entendem que a denominação genérica “todos” consolida e mantém uma supremacia masculina do cotidiano político, social e familiar.
Essa expressão é apenas mais uma apropriação lingüística entre centenas que surfam na onda do politicamente correto, uma praga que multiplicou seus fiéis. E que acreditam que a linguagem pode mudar a realidade.
Ora, ora, no máximo, conseguem influenciar a linguagem, mas não mudam a realidade. Consulte qualquer professor de português. São expressões redundantes. O português é uma língua que não tem o gênero neutro. De modo que o gênero masculino (todos!) ocupa esse papel.
E isso não tem nada a ver com machismo e exclusão social. Se pretendem de fato valorizar as mulheres devem encontrar outras soluções. Na vida real, não no campo da retórica. Aliás, é até um desrespeito tratar as pessoas assim, subestimando sua inteligência e sua percepção da realidade. E, sem dúvida, um desrespeito à gramática.
Essa onda do politicamente correto criou algumas preciosidades patéticas. Um exemplo é o tratamento verbal dispensado aos idosos. Velhice passou a ser chamada de “terceira idade”. Ou como dizem alguns mais exagerados e abusados: “melhor idade”.
Até parece que nunca conversaram com idosos sobre os inúmeros problemas e transtornos que decorrem da chegada ou do avanço da idade. São eufemismos ofensivos à realidade que as pessoas enfrentam na vida cotidiana.
Não vai demorar muito e veremos campanhas para
“abolir” expressões e/ou “domar” palavras tidas como perniciosas (sic) ao convívio social. Como se a língua fosse um “animal domesticável”.
Uma coisa são campanhas de esclarecimento e conscientização educacional e política, ou políticas públicas antidiscriminatórias e de transformação social. Outra coisa é manipular palavras.
“Todos e todas” é apenas mais uma das dezenas (ou serão centenas?) de bobagens com que o populismo e a demagogia nos brindam de tempos em tempos. E continuarão brindando.
Ou já esqueceram aquela ação de um procurador do Ministério Público Federal que tentou tirar de circulação o dicionário Houaiss, ou, a edição de lei que manda nominar bacharel mulher de bacharela e, ou, a recente perseguição judicial às obras de Monteiro Lobato?
29 janeiro 2014
Magia Desfeita
Pressionado pela evidente e crescente inflação, o Banco Central (BC) decidiu elevar a taxa básica de juros. É o sétimo aumento consecutivo. Obviamente, deduz-se que é uma clássica medida para conter a alta de preços. O efeito colateral ruim é que inibe o crescimento da economia.
Faz uns dois anos, a presidente Dilma “resolvera” mudar a história da nação (e os fundamentos da teoria econômica!) e “exigira” que os bancos reduzissem os juros. Na ocasião, no rádio e na televisão, em altos e heróicos brados retumbantes “defendera” o povo oprimido da ganância alheia. Ilusionismo e demagogia.
Perdoem minha ironia. Primeiramente, não existe magia em economia. Nem decreto, nem lei divina muda seus princípios de funcionamento. Se um grupo de pessoas atrasa suas prestações, ou o próprio governo tem dívidas astronômicas a financiar, os cidadãos pagarão por isso através de tributos elevados e financiamentos a taxas maiores de juros.
Fosse assim tão simples, a exemplo de decretar a redução ou o fim dos juros, afinal, haveria algum líder político que não quisesse entrar nas páginas definitivas da história nacional como o sujeito que libertou sua nação da escravatura financeira?
Ou então, ainda de modo irônico, por que os poderosos e governistas Banco Central, Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal não recebem ordem em contrário, desde sempre, e ofereçam dinheiro mais barato? Com certeza, os brasileiros abandonariam os “mafiosos” bancos privados e migrariam para os bancos estatais. Uma maravilha, não é mesmo?
Particularmente, não espero, nem exijo muito dos governantes. Com certeza, é difícil presidir uma nação com tantas contradições e diferenças sociais. Mas, tocante às autoridades, não cedo quanto à honestidade intelectual e verdade como princípios.
À época, a presidente Dilma poderia ter sido franca e honesta na exposição de seus planos e motivos. Poderia ter demonstrado como se constitui o “negócio” dos bancos. Quais são suas obrigações com o governo (como os depósitos compulsórios, por exemplo), seus impostos, seus custos administrativos e de pessoal, níveis de inadimplência e sua margem de lucro.
E explicar se a redução da remuneração da poupança (lembram?) serviria para garantir que os bancos privados continuassem capitalizados para comprar e vender lucrativamente os títulos públicos que garantem as novas dívidas do próprio governo e a rolagem das dívidas antigas.
E também explicar por que essa dívida pública continua a crescer e por que o governo não reduz seus gastos, não controla suas despesas, não corrige seus erros e seus níveis de desperdícios e corrupção. Afinal, nessa dívida pública não está a origem e causa fundamental para a existência das elevadas taxas de juros ao consumidor?
Teria sido uma conversa de país sério. E uma atitude digna de um presidente da República.
Faz uns dois anos, a presidente Dilma “resolvera” mudar a história da nação (e os fundamentos da teoria econômica!) e “exigira” que os bancos reduzissem os juros. Na ocasião, no rádio e na televisão, em altos e heróicos brados retumbantes “defendera” o povo oprimido da ganância alheia. Ilusionismo e demagogia.
Perdoem minha ironia. Primeiramente, não existe magia em economia. Nem decreto, nem lei divina muda seus princípios de funcionamento. Se um grupo de pessoas atrasa suas prestações, ou o próprio governo tem dívidas astronômicas a financiar, os cidadãos pagarão por isso através de tributos elevados e financiamentos a taxas maiores de juros.
Fosse assim tão simples, a exemplo de decretar a redução ou o fim dos juros, afinal, haveria algum líder político que não quisesse entrar nas páginas definitivas da história nacional como o sujeito que libertou sua nação da escravatura financeira?
Ou então, ainda de modo irônico, por que os poderosos e governistas Banco Central, Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal não recebem ordem em contrário, desde sempre, e ofereçam dinheiro mais barato? Com certeza, os brasileiros abandonariam os “mafiosos” bancos privados e migrariam para os bancos estatais. Uma maravilha, não é mesmo?
Particularmente, não espero, nem exijo muito dos governantes. Com certeza, é difícil presidir uma nação com tantas contradições e diferenças sociais. Mas, tocante às autoridades, não cedo quanto à honestidade intelectual e verdade como princípios.
À época, a presidente Dilma poderia ter sido franca e honesta na exposição de seus planos e motivos. Poderia ter demonstrado como se constitui o “negócio” dos bancos. Quais são suas obrigações com o governo (como os depósitos compulsórios, por exemplo), seus impostos, seus custos administrativos e de pessoal, níveis de inadimplência e sua margem de lucro.
E explicar se a redução da remuneração da poupança (lembram?) serviria para garantir que os bancos privados continuassem capitalizados para comprar e vender lucrativamente os títulos públicos que garantem as novas dívidas do próprio governo e a rolagem das dívidas antigas.
E também explicar por que essa dívida pública continua a crescer e por que o governo não reduz seus gastos, não controla suas despesas, não corrige seus erros e seus níveis de desperdícios e corrupção. Afinal, nessa dívida pública não está a origem e causa fundamental para a existência das elevadas taxas de juros ao consumidor?
Teria sido uma conversa de país sério. E uma atitude digna de um presidente da República.
22 janeiro 2014
Rolezinho de verão
Com presença de maioria de descendência negra e presumivelmente pobre e de periferia (quem disse isso? pesquisaram? ou deduziram?), seria um encontro de jovens, de modo a protestar contra a segregação social.
A exemplo das manifestações de junho de 2013, qualquer consenso crítico e analítico é impossível. Foram expostas opiniões razoáveis entremeadas e alardeadas com outro tanto de absurdos e tentativas de manipulação político-ideológico-partidária.
Há uma tentativa de conectar os fatos e as reivindicações do ano passado com o atual movimento. Ora, não há nada em comum entre ambos, a exceção dos meios tecnológicos de comunicação e mobilização, ou seja, celular, internet e as redes sociais.
Essa gurizada está em férias escolares. Só quer zoar, fazer azaração, se divertir e namorar. E, de preferência, beijar muito. Quer mostrar sua camiseta e boné de grife, celular e tablet, tirar umas fotos para postar no Facebook e no Instagram. E ouvir e dançar “um funkizinho maneiro”.
Mas como vivemos a era do patrulhamento político-ideológico e dos descarados “caroneiros” partidários, o que mais se ouviu foi que os shoppings são templos de consumo da burguesia e que seriam altamente discriminatórios e elitizantes. Que idiotice!
Não há nada mais democrático nas cidades do que os shoppings. Seguros, limpos, agradáveis e populares. Pergunte às lojas-âncora, tipo Renner, Riachuelo, C&A, Americanas e McDonald’s, entre outras, sobre o perfil da clientela e suas condições de pagamento.
Reclamam dos gerentes dos shoppings por haver chamado preventivamente a polícia e apelado ao poder judiciário, atitudes que confirmariam a censura e a discriminação social e racial. Outra idiotice!
Uma, duas, três mil ou mais pessoas entram de surpresa no local. Então, queriam o quê? Que se omitissem tocante a tranqüilidade, integridade e segurança dos demais freqüentadores e lojas-condôminas?
Já que a onda é fazer proselitismo e demagogia, vou colaborar. Quem sabe os próximos “rolezinhos” sejam em escolas, hospitais e nos palácios de governo. Afinal, ali também há discriminação social e racial. Ah, e alguns têm o mesmo ar condicionado dos shoppings. Só não pode tocar o “pancadão!”
15 janeiro 2014
Causa e Consequência
Volto ao assunto. Sai dia, entra dia, o “filme” se repete. Afinal, qual a surpresa? Por que ainda se surpreendem os brasileiros se já viram o mesmo enredo e final “umas duzentas vezes”?
A ingenuidade e passividade de nosso povo não é novidade. O que mais impressiona é que dito setores bem informados e influentes (é mesmo?), a exemplo de movimentos sociais, universidades, imprensa, empresariado, partidos e parlamentares, tangenciam a questão central relacionada à corrupção.
A rigor e basicamente, na proporção de sua incidência e não repressão objetiva e saneadora, a corrupção é um retrato da desorganização social e penal da sociedade.
Se estivermos de acordo que há elementos não mensuráveis que dizem respeito à conduta de representados e representantes, e cuja solução se supõe passe pela elevação dos níveis de educação e incremento do aparato repressivo, o que nos resta como alternativa de ação e reação?
O núcleo central de nossa indignação e combate deveria ser a diminuição do tamanho funcional, burocrático e arrecadatório do Estado. Esse é o verdadeiro fator de atração ao delito, de estímulo à corrupção endêmica!
Por demais conhecido, é desnecessário relembrar o número de impostos, taxas e contribuições que infernizam e empobrecem o cidadão. Apropriação e extorsão responsáveis pelos sucessivos recordes de arrecadação tributária que alimentam o “monstro” estatal.
União e os estados federados, uns mais outros menos, são estruturas arcaicas e hiperdimensionadas física e burocraticamente. O governo federal, o melhor exemplo do absurdo, tem 39 ministérios (ou com status de ministério) e outro tanto em estatais e secretarias especiais (alguém sabe o número exato?).
É humanamente impossível gerenciar um “monstro” desse tamanho. Menos pelo tamanho, mais pela natureza do “monstro”.
Uma nação - seu povo, seus líderes sócio-políticos e governantes - que tolera isso, a dimensão dessa tragédia, desse abuso, não é responsável, nem representa qualquer expectativa séria e otimista tocante ao seu futuro. Dolorosa verdade. Simples, nua e crua.
Desorganização, desmandos, desídia e ineficácia são retratos do tamanho do estado brasileiro. Quanto mais aparato público, mais dinheiro. Quanto mais dinheiro, mais aparato. Um círculo vicioso sem fim.
A corrupção, doença social mais grave, é mera conseqüência!
A ingenuidade e passividade de nosso povo não é novidade. O que mais impressiona é que dito setores bem informados e influentes (é mesmo?), a exemplo de movimentos sociais, universidades, imprensa, empresariado, partidos e parlamentares, tangenciam a questão central relacionada à corrupção.
A rigor e basicamente, na proporção de sua incidência e não repressão objetiva e saneadora, a corrupção é um retrato da desorganização social e penal da sociedade.
Se estivermos de acordo que há elementos não mensuráveis que dizem respeito à conduta de representados e representantes, e cuja solução se supõe passe pela elevação dos níveis de educação e incremento do aparato repressivo, o que nos resta como alternativa de ação e reação?
O núcleo central de nossa indignação e combate deveria ser a diminuição do tamanho funcional, burocrático e arrecadatório do Estado. Esse é o verdadeiro fator de atração ao delito, de estímulo à corrupção endêmica!
Por demais conhecido, é desnecessário relembrar o número de impostos, taxas e contribuições que infernizam e empobrecem o cidadão. Apropriação e extorsão responsáveis pelos sucessivos recordes de arrecadação tributária que alimentam o “monstro” estatal.
União e os estados federados, uns mais outros menos, são estruturas arcaicas e hiperdimensionadas física e burocraticamente. O governo federal, o melhor exemplo do absurdo, tem 39 ministérios (ou com status de ministério) e outro tanto em estatais e secretarias especiais (alguém sabe o número exato?).
É humanamente impossível gerenciar um “monstro” desse tamanho. Menos pelo tamanho, mais pela natureza do “monstro”.
Uma nação - seu povo, seus líderes sócio-políticos e governantes - que tolera isso, a dimensão dessa tragédia, desse abuso, não é responsável, nem representa qualquer expectativa séria e otimista tocante ao seu futuro. Dolorosa verdade. Simples, nua e crua.
Desorganização, desmandos, desídia e ineficácia são retratos do tamanho do estado brasileiro. Quanto mais aparato público, mais dinheiro. Quanto mais dinheiro, mais aparato. Um círculo vicioso sem fim.
A corrupção, doença social mais grave, é mera conseqüência!
08 janeiro 2014
Mais do mesmo
Não imagine você que seja assim tão simples escrever um texto, ainda que semanalmente. Razão pela qual, eventualmente, consulto bem informados amigos sobre assuntos inovadores e possibilidades criativas de agradar e “provocar” o leitor. Assim como submeto rascunhos à apreciação.
Devo confessar que, às vezes, devolvem a provocação e “castigam” o autor, apenas afirmando: “- É mais do mesmo!”. Principalmente, quando aponto mazelas de nossa sociedade e desvios governamentais.
São tempos difíceis para quem pretende escrever e argumentar. Afinal, facilitados pela internet e redes sociais, os governos (e governantes) têm muitos colaboradores (remunerados ou não) para divulgar e promover aquilo que denominam de evidentes e incontestáveis progressos nacionais e recentes. Ainda que a realidade afirme diariamente o contrário.
Então, diante da amigável resposta “é mais do mesmo”, retruco e insisto: como posso não escrever sobre fatos evidentes e socialmente comprometedores? Só por que é “mais do mesmo”?
Política e eleitoralmente, compreendo o ufanismo e proselitismo das autoridades e seus fiéis seguidores, sejam do partido que forem, na esfera de poder que estejam. Afinal, cada qual sempre se acha melhor que o outro. “Nunca dantes”, diria o ex-presidente Lula (olha aí, pessoal, mais do mesmo).
Mas há uma realidade insuperável e incontestável (e nem vou falar de saúde e educação!): ultimamente, não há nenhuma tranquilidade e paz de espírito entre os brasileiros. A sensação e os fatos são todos públicos e notórios. Mas, os números nem sempre.
Informações e dados coletados em 2012 indicam que os homicídios cresceram 8% em relação a 2011. Em 2012, alcançamos a histórica marca de 50.108 mortes. Estamos entre os dez países mais violentos do mundo.
E tocante a roubos e furtos (crimes contra o patrimônio de pessoas, residências, empresas, bancos, etc...) as estatísticas são igualmente estratosféricas. Com um agravante: não representam, nem de longe, a realidade e a totalidade das ocorrências. E por quê? Porque as vítimas não fazem os devidos registros policiais. Não acreditam do sistema.
Simplesmente, estamos incapacitados e inaptos para esse enfrentamento e drama social. Seja pela defasagem da legislação penal, da insuficiência do aparato policial, ou do caótico ambiente carcerário. Mas, sobretudo pela falta de coragem política das autoridades constituídas.
Criminalidade, violência e desorganização social são as evidências. Cresce o sentimento de medo e insegurança. Reina a tensão. É muito mais do mesmo.
Provoco e pergunto, então, considerando os índices de criminalidade, de não solução dos problemas sociais, de exploração tributária governamental, etc....
- Se você pudesse, moraria em outro país?
Devo confessar que, às vezes, devolvem a provocação e “castigam” o autor, apenas afirmando: “- É mais do mesmo!”. Principalmente, quando aponto mazelas de nossa sociedade e desvios governamentais.
São tempos difíceis para quem pretende escrever e argumentar. Afinal, facilitados pela internet e redes sociais, os governos (e governantes) têm muitos colaboradores (remunerados ou não) para divulgar e promover aquilo que denominam de evidentes e incontestáveis progressos nacionais e recentes. Ainda que a realidade afirme diariamente o contrário.
Então, diante da amigável resposta “é mais do mesmo”, retruco e insisto: como posso não escrever sobre fatos evidentes e socialmente comprometedores? Só por que é “mais do mesmo”?
Política e eleitoralmente, compreendo o ufanismo e proselitismo das autoridades e seus fiéis seguidores, sejam do partido que forem, na esfera de poder que estejam. Afinal, cada qual sempre se acha melhor que o outro. “Nunca dantes”, diria o ex-presidente Lula (olha aí, pessoal, mais do mesmo).
Mas há uma realidade insuperável e incontestável (e nem vou falar de saúde e educação!): ultimamente, não há nenhuma tranquilidade e paz de espírito entre os brasileiros. A sensação e os fatos são todos públicos e notórios. Mas, os números nem sempre.
Informações e dados coletados em 2012 indicam que os homicídios cresceram 8% em relação a 2011. Em 2012, alcançamos a histórica marca de 50.108 mortes. Estamos entre os dez países mais violentos do mundo.
E tocante a roubos e furtos (crimes contra o patrimônio de pessoas, residências, empresas, bancos, etc...) as estatísticas são igualmente estratosféricas. Com um agravante: não representam, nem de longe, a realidade e a totalidade das ocorrências. E por quê? Porque as vítimas não fazem os devidos registros policiais. Não acreditam do sistema.
Simplesmente, estamos incapacitados e inaptos para esse enfrentamento e drama social. Seja pela defasagem da legislação penal, da insuficiência do aparato policial, ou do caótico ambiente carcerário. Mas, sobretudo pela falta de coragem política das autoridades constituídas.
Criminalidade, violência e desorganização social são as evidências. Cresce o sentimento de medo e insegurança. Reina a tensão. É muito mais do mesmo.
Provoco e pergunto, então, considerando os índices de criminalidade, de não solução dos problemas sociais, de exploração tributária governamental, etc....
- Se você pudesse, moraria em outro país?
18 dezembro 2013
Castas Públicas
Do conjunto de todos os tributos que os brasileiros recolhem aos cofres públicos, atual e aproximadamente, 60% fica com a União, 24% com os Estados e 16% com os municípios.
É possível que em algum momento da história pudéssemos ter mudado esse absurdo centralismo político-tributário nacional, concretizando o ideal de uma autêntica república, com o máximo de descentralização (de poder e finanças) entre estados e municípios.
Infelizmente, isso não se realizou. Assim e paralelamente, ocorreu um empoderamento das corporações, da alta burocracia, das diversas estatais, das elites de servidores dos três poderes, todas, indistintamente, verdadeiras castas de prerrogativas e benesses.
Não são apenas insaciáveis sorvedouros dos recursos públicos. Para garantir seu “status quo”, interferem diretamente na não concretização das mudanças essenciais e estruturais que a população espera em seu favor. E exemplos (e abusos) não faltam.
O jornal carioca, O Globo, edição de domingo (15-dez), tem ampla reportagem sobre o plano de saúde médico-odontológico do Supremo Tribunal Federal (STF). Embora haja previsão de contribuições dos beneficiados pelo plano - e de fato contribuem, o STF demanda altos valores dos cofres públicos. Uma média anual de 15 milhões nos últimos quatro anos.
Mas há um agravante: há registro de continuados alertas da Secretaria de Orçamento Federal de que o STF aumenta (artificialmente) o número de dependentes para obter maiores repasses financeiros do Tesouro. No período, o STF declarara que teria, em média, 6.720 dependentes, mas tem apenas (apenas?) 4.227.
Estão acolhidos e incluídos 1,6 mil titulares, dois mil dependentes e quase 600 agregados (pais, mães, padrastos, madrastas, filhos e enteados). São ministros em atividade e aposentados, comissionados, servidores cedidos, cônjuges e filhos.
Entrementes, há promessas do STF de que o “erro” não se repetirá. Um erro de 2.493 dependentes? Honestamente, você imagina que é possível controlar um “monstrengo” do tamanho do Brasil, com centenas de órgãos, inflados e inchados, e com valores e informações manipuladas?
Os governos mais recentes, dos presidentes Fernando Henrique (1995-2002), Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2014), embora com absoluto controle do parlamento e das ações político-legais, não promoveram mudanças nesse cenário. Pelo contrário, a arrecadação nacional e centralizada aumenta a cada ano, e com ela as benesses e abusos das corporações. Somos escravos tributário-legislativos!
Porém, cantemos: “Liberdade, liberdade! Abra as asas sobre nós. E que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz.” (Samba enredo da escola Imperatriz Leopoldinense - carnaval de 1989).
É possível que em algum momento da história pudéssemos ter mudado esse absurdo centralismo político-tributário nacional, concretizando o ideal de uma autêntica república, com o máximo de descentralização (de poder e finanças) entre estados e municípios.
Infelizmente, isso não se realizou. Assim e paralelamente, ocorreu um empoderamento das corporações, da alta burocracia, das diversas estatais, das elites de servidores dos três poderes, todas, indistintamente, verdadeiras castas de prerrogativas e benesses.
Não são apenas insaciáveis sorvedouros dos recursos públicos. Para garantir seu “status quo”, interferem diretamente na não concretização das mudanças essenciais e estruturais que a população espera em seu favor. E exemplos (e abusos) não faltam.
O jornal carioca, O Globo, edição de domingo (15-dez), tem ampla reportagem sobre o plano de saúde médico-odontológico do Supremo Tribunal Federal (STF). Embora haja previsão de contribuições dos beneficiados pelo plano - e de fato contribuem, o STF demanda altos valores dos cofres públicos. Uma média anual de 15 milhões nos últimos quatro anos.
Mas há um agravante: há registro de continuados alertas da Secretaria de Orçamento Federal de que o STF aumenta (artificialmente) o número de dependentes para obter maiores repasses financeiros do Tesouro. No período, o STF declarara que teria, em média, 6.720 dependentes, mas tem apenas (apenas?) 4.227.
Estão acolhidos e incluídos 1,6 mil titulares, dois mil dependentes e quase 600 agregados (pais, mães, padrastos, madrastas, filhos e enteados). São ministros em atividade e aposentados, comissionados, servidores cedidos, cônjuges e filhos.
Entrementes, há promessas do STF de que o “erro” não se repetirá. Um erro de 2.493 dependentes? Honestamente, você imagina que é possível controlar um “monstrengo” do tamanho do Brasil, com centenas de órgãos, inflados e inchados, e com valores e informações manipuladas?
Os governos mais recentes, dos presidentes Fernando Henrique (1995-2002), Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2014), embora com absoluto controle do parlamento e das ações político-legais, não promoveram mudanças nesse cenário. Pelo contrário, a arrecadação nacional e centralizada aumenta a cada ano, e com ela as benesses e abusos das corporações. Somos escravos tributário-legislativos!
Porém, cantemos: “Liberdade, liberdade! Abra as asas sobre nós. E que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz.” (Samba enredo da escola Imperatriz Leopoldinense - carnaval de 1989).
11 dezembro 2013
Tenebrosas Transações
Quais são os limites sociais e políticos suportáveis de uma nação? O que machuca mais um povo: a espoliação tributária? A corrupção? As injustiças sociais? Os níveis de criminalidade? Ou o deboche das autoridades?
Essas hipóteses não são privilégio da época presente, nem marca exclusiva desse governo. É sina brasileira, quase uma maldição. Somadas ou alternadas, se repetem em diferentes ciclos, independentes de governos, representantes e partidos.
Claro que o povo contribui para esses fatos ao reconduzir eleitoralmente determinadas figuras aos níveis governamentais ou representativos. Historicamente, episódios não nos faltam. Nem nomes. Mas, concentremo-nos no deboche das autoridades
A própria justiça, que deveria ser exemplar, contribui com atos e fatos que extrapolam o deboche e humilham a nação. Mordomias, nepotismo, abusos de poder, aposentadorias precoces e compulsórias (para agentes em delito), entre outros casos.
O poder executivo, embora o mais vigiado de todos, e, portanto, mais flagrado em delitos, afinal, é o detentor e guardião (?) do maior volume de recursos público-financeiros, não cansa de contribuir com maus exemplos que desmoralizam e desanimam o cidadão e contribuinte bem informado.
No rol de escândalos nacionais, contribui na proporção dos níveis de intervenção estatal na economia e na vida das pessoas. Ignora que quanto maior a intervenção, maior a corrupção e o desperdício. A pretexto de um ufanismo e nacionalismo de museu somos seus reféns históricos.
O deboche tem variantes. Exemplo mais recente, a tal oferta de emprego ao agora apenado José Dirceu, ex-ministro e deputado e poderoso lobista, a base de R$20 mil mensais, em empresa relacionada à paraísos fiscais e à atos de “lavagem” de dinheiro, é ou não é um deboche?
Pior: queriam fazer crer que os anunciados R$20 mil realmente sairiam dos cofres do hotel? E agora querem fazer crer que o selecionado gerente não sabia de nada?
Felizmente, a imprensa não precisou mais do que uma semana para desfazer o castelo de cartas e elucidar os truques baratos dos mágicos de ocasião. Assim como já fizera com outros e anteriores governos e personalidades.
Atos que se configuram como deboches são bem piores que a espoliação tributária, a corrupção, as injustiças e a criminalidade. O deboche de governantes e demais representantes do povo “quebra a espinha dorsal” da nação e esvazia, paulatinamente, a esperança coletiva.
Chico Buarque já cantava (e denunciava) em “Vai Passar” (1984), mas hoje, infelizmente, não canta mais, nem sei por quê (ou sei?). Dizia: “Num tempo, página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória das nossas novas gerações, dormia a nossa pátria mãe tão distraída sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”
Essas hipóteses não são privilégio da época presente, nem marca exclusiva desse governo. É sina brasileira, quase uma maldição. Somadas ou alternadas, se repetem em diferentes ciclos, independentes de governos, representantes e partidos.
Claro que o povo contribui para esses fatos ao reconduzir eleitoralmente determinadas figuras aos níveis governamentais ou representativos. Historicamente, episódios não nos faltam. Nem nomes. Mas, concentremo-nos no deboche das autoridades
A própria justiça, que deveria ser exemplar, contribui com atos e fatos que extrapolam o deboche e humilham a nação. Mordomias, nepotismo, abusos de poder, aposentadorias precoces e compulsórias (para agentes em delito), entre outros casos.
O poder executivo, embora o mais vigiado de todos, e, portanto, mais flagrado em delitos, afinal, é o detentor e guardião (?) do maior volume de recursos público-financeiros, não cansa de contribuir com maus exemplos que desmoralizam e desanimam o cidadão e contribuinte bem informado.
No rol de escândalos nacionais, contribui na proporção dos níveis de intervenção estatal na economia e na vida das pessoas. Ignora que quanto maior a intervenção, maior a corrupção e o desperdício. A pretexto de um ufanismo e nacionalismo de museu somos seus reféns históricos.
O deboche tem variantes. Exemplo mais recente, a tal oferta de emprego ao agora apenado José Dirceu, ex-ministro e deputado e poderoso lobista, a base de R$20 mil mensais, em empresa relacionada à paraísos fiscais e à atos de “lavagem” de dinheiro, é ou não é um deboche?
Pior: queriam fazer crer que os anunciados R$20 mil realmente sairiam dos cofres do hotel? E agora querem fazer crer que o selecionado gerente não sabia de nada?
Felizmente, a imprensa não precisou mais do que uma semana para desfazer o castelo de cartas e elucidar os truques baratos dos mágicos de ocasião. Assim como já fizera com outros e anteriores governos e personalidades.
Atos que se configuram como deboches são bem piores que a espoliação tributária, a corrupção, as injustiças e a criminalidade. O deboche de governantes e demais representantes do povo “quebra a espinha dorsal” da nação e esvazia, paulatinamente, a esperança coletiva.
Chico Buarque já cantava (e denunciava) em “Vai Passar” (1984), mas hoje, infelizmente, não canta mais, nem sei por quê (ou sei?). Dizia: “Num tempo, página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória das nossas novas gerações, dormia a nossa pátria mãe tão distraída sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”
07 dezembro 2013
Devo e não pago
O Brasil tem uma longa e histórica prática político-governamental de irresponsabilidade fiscal e orçamentária. É uma das razões pelas quais sempre recorríamos aos agentes financeiros internacionais. Para suprir financeiramente os rombos contábeis e para obter créditos para realização de obras. Concomitantemente, convivíamos com o “monstro” da inflação, ora razão, ora conseqüência desses desencontros contábeis-gerenciais.
Assim, face aos repetidos desequilíbrios das contas públicas, fomos brindados com alguns planos econômicos. Tanto o Plano Real (1994), que alcançou objetivos importantes, entre eles o razoável controle da inflação e a instituição de uma cultura da responsabilidade fiscal, quanto os demais e anteriores, geraram expressivas divergências e demandas judiciais.
Agora na mesa dos juízes do Supremo Tribunal Federal (STF), estão em julgamento os planos Bresser (1987), Verão (1989), Collor I(1990) e Collor II(1991). Em apreciação os possíveis prejuízos causados aos depositantes e poupadores, que alegam diferenças (inflação x correção da poupança) não contabilizadas pelos bancos.
Governo e bancos afirmam que se a vitória for dos correntistas-poupadores, a economia e o sistema financeiro entrarão em colapso. Que não haverá mais recursos para financiar o desenvolvimento e o prosseguimento dos negócios nacionais.
Calculam que o montante do ressarcimento alcançará R$150 bilhões. A CAIXA, maior devedor, arcaria com R$50 bilhões. O Banco do Brasil com R$28 bilhões. Alarmado, o próprio governo reúne documentos e declarações de ex-ministros de todas as gestões, ainda que opositores e tradicionais adversários, para argumentar e jurar junto ao STF acerca da iminência da catástrofe.
Na outra ponta, os defensores dos depositantes/poupadores acusam o governo e os bancos de realizarem um “terrorismo financeiro”. Afirmam que a conta alcançaria, no máximo, uns R$15 bilhões.
Duas hipóteses são bem prováveis. Sob pressão governamental, o STF poderá “enrolar” e adiar tudo dado o tamanho do “rolo”. E se decidir favoravelmente aos poupadores, você já sabe quem vai a pagar conta.
Mas, além da união de bancos e governo contra os depositantes/poupadores, há algo muito surpreendente e irônico. Deve ser a primeira vez que um devedor (bancos) afirma que deve (muito!!!) mais do que pede o credor (depositante)!
Assim, face aos repetidos desequilíbrios das contas públicas, fomos brindados com alguns planos econômicos. Tanto o Plano Real (1994), que alcançou objetivos importantes, entre eles o razoável controle da inflação e a instituição de uma cultura da responsabilidade fiscal, quanto os demais e anteriores, geraram expressivas divergências e demandas judiciais.
Agora na mesa dos juízes do Supremo Tribunal Federal (STF), estão em julgamento os planos Bresser (1987), Verão (1989), Collor I(1990) e Collor II(1991). Em apreciação os possíveis prejuízos causados aos depositantes e poupadores, que alegam diferenças (inflação x correção da poupança) não contabilizadas pelos bancos.
Governo e bancos afirmam que se a vitória for dos correntistas-poupadores, a economia e o sistema financeiro entrarão em colapso. Que não haverá mais recursos para financiar o desenvolvimento e o prosseguimento dos negócios nacionais.
Calculam que o montante do ressarcimento alcançará R$150 bilhões. A CAIXA, maior devedor, arcaria com R$50 bilhões. O Banco do Brasil com R$28 bilhões. Alarmado, o próprio governo reúne documentos e declarações de ex-ministros de todas as gestões, ainda que opositores e tradicionais adversários, para argumentar e jurar junto ao STF acerca da iminência da catástrofe.
Na outra ponta, os defensores dos depositantes/poupadores acusam o governo e os bancos de realizarem um “terrorismo financeiro”. Afirmam que a conta alcançaria, no máximo, uns R$15 bilhões.
Duas hipóteses são bem prováveis. Sob pressão governamental, o STF poderá “enrolar” e adiar tudo dado o tamanho do “rolo”. E se decidir favoravelmente aos poupadores, você já sabe quem vai a pagar conta.
Mas, além da união de bancos e governo contra os depositantes/poupadores, há algo muito surpreendente e irônico. Deve ser a primeira vez que um devedor (bancos) afirma que deve (muito!!!) mais do que pede o credor (depositante)!
20 novembro 2013
Presos, mas nem tanto
O tempo cura todos os males, apaga algumas lembranças, faz cicatrizar feridas, e principalmente, no caso do memorável povo brasileiro, inocenta históricos meliantes de todos os pecados.
Prova disso é a rica e ativa vida política de Collor, Renan, Sarney, Maluf e outros tantos beneméritos homens públicos. Lendas urbanas e políticas enriquecidas por figuras adicionais, mas não menos espertas, como o banqueiro Cacciola e o agora neofugitivo Henrique Pizzolatto. O injustiçado diretor do Banco do Brasil(quem diria, um diretor do BB?). Que fugiu e pediu asilo político na Itália. Te cuida, Cesare Battisti, vais virar moeda de troca!
Agora, por exemplo, assistiremos à comovente ressocialização dos condenados do mensalão. Condenados, mas nem tanto. Afinal, a verificar pela imensa e pública lista de apoio que receberam, nem criminosos são.
São apenas incompreendidos mártires e heróis nacionais e defensores da pátria. Se fizeram o que fizeram, apesar de suas negativas, o fizeram pela pátria. Voltarão nos braços do povo, com certeza.
Até juízes sensibilizaram-se e relaxaram rapidamente na natureza das prisões. Nem soubemos o que exatamente são ou serão. São presos? Ou semipresos? Como trabalham durante o dia, poderão apenas dormir na prisão. Não é verdade que todos trabalham?!
Ficou tudo reduzido ao espetáculo do simbolismo. Nem mesmo o Joanquinzão resistiu. E mandou prender no dia da república. Que república?
O malabarismo jurídico também prosseguirá. Até o carnaval muitas alas e blocos sairão às ruas. Já assistimos uma exibição do Bloco dos Embargos Infringentes. Agora virão o bloco dos Embargos Declaratórios, o bloco dos Embargos dos Embargos e o bloco dos Amigos da Papuda. É o que dizem por aí os carnavalescos e simpatizantes da hora.
Na mais escandalosa tentativa e experiência histórica brasileira, de perpetuação no poder através da cooptação sistemática, via aluguel financeiro de parlamentares, vocês, caros eleitores, não queriam que eu falasse sério hoje, depois de ver a romaria de simpatizantes endeusando seus ex-presos políticos, agora políticos presos. Presos, mas nem tanto.
O Brasil vive um momento de extrema complexidade política. Para compreender a natureza do poder instalado, ou em vias de instalação, é necessário reler os clássicos da história política mundial.
Prova disso é a rica e ativa vida política de Collor, Renan, Sarney, Maluf e outros tantos beneméritos homens públicos. Lendas urbanas e políticas enriquecidas por figuras adicionais, mas não menos espertas, como o banqueiro Cacciola e o agora neofugitivo Henrique Pizzolatto. O injustiçado diretor do Banco do Brasil(quem diria, um diretor do BB?). Que fugiu e pediu asilo político na Itália. Te cuida, Cesare Battisti, vais virar moeda de troca!
Agora, por exemplo, assistiremos à comovente ressocialização dos condenados do mensalão. Condenados, mas nem tanto. Afinal, a verificar pela imensa e pública lista de apoio que receberam, nem criminosos são.
São apenas incompreendidos mártires e heróis nacionais e defensores da pátria. Se fizeram o que fizeram, apesar de suas negativas, o fizeram pela pátria. Voltarão nos braços do povo, com certeza.
Até juízes sensibilizaram-se e relaxaram rapidamente na natureza das prisões. Nem soubemos o que exatamente são ou serão. São presos? Ou semipresos? Como trabalham durante o dia, poderão apenas dormir na prisão. Não é verdade que todos trabalham?!
Ficou tudo reduzido ao espetáculo do simbolismo. Nem mesmo o Joanquinzão resistiu. E mandou prender no dia da república. Que república?
O malabarismo jurídico também prosseguirá. Até o carnaval muitas alas e blocos sairão às ruas. Já assistimos uma exibição do Bloco dos Embargos Infringentes. Agora virão o bloco dos Embargos Declaratórios, o bloco dos Embargos dos Embargos e o bloco dos Amigos da Papuda. É o que dizem por aí os carnavalescos e simpatizantes da hora.
Na mais escandalosa tentativa e experiência histórica brasileira, de perpetuação no poder através da cooptação sistemática, via aluguel financeiro de parlamentares, vocês, caros eleitores, não queriam que eu falasse sério hoje, depois de ver a romaria de simpatizantes endeusando seus ex-presos políticos, agora políticos presos. Presos, mas nem tanto.
O Brasil vive um momento de extrema complexidade política. Para compreender a natureza do poder instalado, ou em vias de instalação, é necessário reler os clássicos da história política mundial.
15 novembro 2013
República Já!
“A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição.” (art.18).
Autônomos? Apenas teoricamente. Afinal, não é uma república um país que escraviza seu povo através de um sistema legal e tributário em que a União (governo federal) concentra mais de sessenta por cento dos recursos arrecadados.
Cujo povo sofre e vê, dia após dia, a corrupção disseminada e seu dinheiro escorrendo pelo ralo governamental em centenas de focos de desperdício e a “cupinização” de suas estruturas burocráticas e de serviços.
Um povo que pretende ser reconhecido, mas que tolera a espoliação e o deboche. Fosse outra a nação, já estaria em situação de desobediência civil, modesta e comportada alternativa de protesto entre outras mais radicais.
Não é uma república um país em que o Parlamento renuncia ao seu dever e tarefa essencial, a exemplo de fiscalização e mudanças legislativas, e em que vigora a inoperância e a omissão.
Óbvio que não é uma república um país em que parlamentares e governantes estaduais e municipais falam subordinadamente acerca de suas relações de amizade pessoal e partidária com o governo central como fator de facilitação e obtenção de recursos financeiros para suas comunidades. Um ridículo discurso de submissão “real” e tributária que nos transporta de volta no tempo político uns 100 anos.
Sem vergonha e em bordões sucessivos cantam em prosa e vídeo nos seus palanques midiáticos e eletrônicos os atos de benemerência e generosidade palaciana, em loas sem fim ao governo central.
Com certeza não é uma república uma nação que se revela omissa, seja por incompetência ou “interesse”. Ou não é o interesse menor que explica a bajulação que legitima e inspira a centralizante e endinheirada “realeza brasiliense e sua corte”?
Assistimos a silenciosa “entrega” e a metódica e sistemática desconstrução da verdade, sob o predomínio da indiferença e da não indignação.
Mas se não é uma república, o que é? E o que poderá vir a ser?
Uma nação que já se uniu em torno das bandeiras nacionais da anistia, das diretas-já e da constituinte, entre outras, não será capaz de erguer a urgente, atualíssima, única e fundamental bandeira política? Ou já não há motivos de esperança relativamente ao municipalismo, federalismo e a república? Vamos esperar mais 124 anos?
República já!
Autônomos? Apenas teoricamente. Afinal, não é uma república um país que escraviza seu povo através de um sistema legal e tributário em que a União (governo federal) concentra mais de sessenta por cento dos recursos arrecadados.
Cujo povo sofre e vê, dia após dia, a corrupção disseminada e seu dinheiro escorrendo pelo ralo governamental em centenas de focos de desperdício e a “cupinização” de suas estruturas burocráticas e de serviços.
Um povo que pretende ser reconhecido, mas que tolera a espoliação e o deboche. Fosse outra a nação, já estaria em situação de desobediência civil, modesta e comportada alternativa de protesto entre outras mais radicais.
Não é uma república um país em que o Parlamento renuncia ao seu dever e tarefa essencial, a exemplo de fiscalização e mudanças legislativas, e em que vigora a inoperância e a omissão.
Óbvio que não é uma república um país em que parlamentares e governantes estaduais e municipais falam subordinadamente acerca de suas relações de amizade pessoal e partidária com o governo central como fator de facilitação e obtenção de recursos financeiros para suas comunidades. Um ridículo discurso de submissão “real” e tributária que nos transporta de volta no tempo político uns 100 anos.
Sem vergonha e em bordões sucessivos cantam em prosa e vídeo nos seus palanques midiáticos e eletrônicos os atos de benemerência e generosidade palaciana, em loas sem fim ao governo central.
Com certeza não é uma república uma nação que se revela omissa, seja por incompetência ou “interesse”. Ou não é o interesse menor que explica a bajulação que legitima e inspira a centralizante e endinheirada “realeza brasiliense e sua corte”?
Assistimos a silenciosa “entrega” e a metódica e sistemática desconstrução da verdade, sob o predomínio da indiferença e da não indignação.
Mas se não é uma república, o que é? E o que poderá vir a ser?
Uma nação que já se uniu em torno das bandeiras nacionais da anistia, das diretas-já e da constituinte, entre outras, não será capaz de erguer a urgente, atualíssima, única e fundamental bandeira política? Ou já não há motivos de esperança relativamente ao municipalismo, federalismo e a república? Vamos esperar mais 124 anos?
República já!
06 novembro 2013
Violência Encomendada
As sucessivas manifestações do denominado e mascarado grupo Black Bloc negam e contestam regras sociais, leis e decisões de autoridades. Violência e desobediência civil são seu manual de ação.
Mobilizam-se pela internet e “colam-se” dissimuladamente em apoio às manifestações pacíficas. Retoricamente, afirmam que não são “um grupo”. Que representam uma "atitude", um "pensamento", e que não tem uma liderança identificada.
Essa roupagem pretensamente ideológica não esconde a sua demagógica e covarde violência e depredação. Porém, surpreendente e irresponsavelmente, há quem simpatize e os defenda. E dizem que é o ônus da democracia.
Ora, a organização, a plenitude e o exercício democrático que a nação alcançou, desde o fim da ditadura, não avalizam tais atitudes. Afinal, há outros meios de demonstrar divergências, inconformidades e reivindicações.
Ainda que tenhamos restrições e inúmeros questionamentos, por exemplo, sobre a qualidade do destino do dinheiro público e da representação político-partidário, isso não assegura o direito (e a liberdade) de “sair por aí” depredando patrimônio alheio, público e privado.
Afinal, suponho que os contestadores, eles próprios, seus pais e amigos, também acumularam bens e pagaram por eles. Consequentemente, todos compreendem a natureza do sistema econômico e social nacional. Em outras palavras, “as coisas não caem do céu!”.
Porém, há algo pior acontecendo. A omissão das autoridades. Noutro episódio recente, um juiz não deu reintegração de posse à direção da Universidade de São Paulo, pois entendera como legítimo o ato dos invasores da reitoria da famosa universidade. Os invasores haviam quebrado portas, vidros e objetos à base de marretas e machados!
Mas há algo mais intrigante. Onde estão os serviços de inteligência policial? Por que não monitoram esses movimentos? Por que não conseguem se antecipar aos fatos e mobilizar forças policiais suficientes para prender e identificar “uns cem ou duzentos” de uma só vez?
Concluindo, parece evidente que os movimentos violentos são encomendados e desempenham uma tarefa política. E por quê? Porque assustam e inibem o povo, que teria reivindicações e contestações a fazer. Com viés fascista, a violência esvazia os pacíficos movimentos populares.
Mobilizam-se pela internet e “colam-se” dissimuladamente em apoio às manifestações pacíficas. Retoricamente, afirmam que não são “um grupo”. Que representam uma "atitude", um "pensamento", e que não tem uma liderança identificada.
Essa roupagem pretensamente ideológica não esconde a sua demagógica e covarde violência e depredação. Porém, surpreendente e irresponsavelmente, há quem simpatize e os defenda. E dizem que é o ônus da democracia.
Ora, a organização, a plenitude e o exercício democrático que a nação alcançou, desde o fim da ditadura, não avalizam tais atitudes. Afinal, há outros meios de demonstrar divergências, inconformidades e reivindicações.
Ainda que tenhamos restrições e inúmeros questionamentos, por exemplo, sobre a qualidade do destino do dinheiro público e da representação político-partidário, isso não assegura o direito (e a liberdade) de “sair por aí” depredando patrimônio alheio, público e privado.
Afinal, suponho que os contestadores, eles próprios, seus pais e amigos, também acumularam bens e pagaram por eles. Consequentemente, todos compreendem a natureza do sistema econômico e social nacional. Em outras palavras, “as coisas não caem do céu!”.
Porém, há algo pior acontecendo. A omissão das autoridades. Noutro episódio recente, um juiz não deu reintegração de posse à direção da Universidade de São Paulo, pois entendera como legítimo o ato dos invasores da reitoria da famosa universidade. Os invasores haviam quebrado portas, vidros e objetos à base de marretas e machados!
Mas há algo mais intrigante. Onde estão os serviços de inteligência policial? Por que não monitoram esses movimentos? Por que não conseguem se antecipar aos fatos e mobilizar forças policiais suficientes para prender e identificar “uns cem ou duzentos” de uma só vez?
Concluindo, parece evidente que os movimentos violentos são encomendados e desempenham uma tarefa política. E por quê? Porque assustam e inibem o povo, que teria reivindicações e contestações a fazer. Com viés fascista, a violência esvazia os pacíficos movimentos populares.
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