24 julho 2007

Anatomia do Erro

Foi uma semana catastrófica para toda a nação brasileira. Nada mais há para se dizer. Ou melhor, tudo mais há para se acrescentar. Porém, faltam verbos, substantivos e adjetivos em língua portuguesa para a descrição de todos os acontecimentos.

Mas não são só os fatos que se sucedem e que conspiram amarga e sombriamente sobre nosso presente/futuro que carecem de conceituações. Também faltam palavras para qualificar os gestos, as ações e as interpretações que se sucedem e que tentam explicar, justificar, amenizar e contemporizar os mesmos fatos.

Estes atos sucedâneos incorporam-se aos fatos originais e somados transcendem o conjunto anárquico e kafkiano que nos assombra.

Nenhum governo é infalível. Nenhuma pessoa é perfeita. E nem mesmo espera-se a solução de todos os problemas de parte de uma só pessoa, ou de um só governo. Objetivamente, espera-se um mínimo de coerência, dignidade, autocrítica e vergonha.

Hoje não vou me referir ao presidente Lula e seus aloprados amestrados (ou já me referi?), empenhados em bater todos os recordes em falas impróprias e gafes, contagiados pelas medalhas do Pan.

Proponho, pois, uma parada reflexiva sobre a natureza e anatomia do erro. Cataloguei algumas frases célebres. Ou lições, como quiserem.

“Errar é humano”, já dizia Sêneca (filósofo romano, 4ac-65dc), carimbando seu nome nas enciclopédias. Explica, mas não justifica uma das mais marcantes características da pessoa: não aprender com o próprio erro.

O oráculo chinês Confúcio (551ac-479ac) afirmou que “um homem que comete um erro e não o corrige, está cometendo outro erro.”.

Mais ou menos parecido com o que disse Cícero, filósofo romano (106ac-43ac): “Qualquer pessoa pode errar, mas só os tolos persistem no erro.”.

Então, está combinado. Podemos errar, mas repetir o erro é uma tolice. Mas, e ao esconder, ou negar o erro, como ficamos?

Um anônimo ditado já dizia: “Muita gente aprenderia com seus erros se não estivesse tão ocupada negando que os cometeu.”.

Mas, e sobre a segunda chance, a oportunidade de não fazer, deixar de errar, corrigir, ou fazer de modo diferente?

Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil (1902-1976), disse: “Volto atrás, sim. Com o erro não há compromisso”.

Já o grande ator italiano Vitório Gassman (1922-2000) queria o direito ao treino: “O único erro de Deus foi não ter dado duas vidas ao ser humano: uma para ensaiar, outra para atuar.”.

Mas quem paga pelos erros?

“Os erros têm um custo e alguém deve pagar por eles. O momento certo de se corrigir um erro é antes de cometê-lo. As causas dos erros são: primeiro, eu não sabia; segundo, não pensei; terceiro não me importei!”, palavras do jurista inglês Henry Buckley (1845-1935), com certeza, influenciado pelos julgamentos judiciais.

Mas o escritor norte-americano Edward Dahlberg (1900-1977), estava preocupado com a diferença entre erros e acertos: “Quem neste mundo tem crédito suficiente para pagar por seus erros?”.

Resumindo didaticamente e parafraseando um ditado anônimo: “Aprendamos com os erros dos outros. Não viveremos mesmo o tempo suficiente para cometer todos os erros possíveis.”.

Antes de encerrar, outro assunto (ou o mesmo assunto?!): não consigo pensar em outra coisa senão naquela cerimônia de entrega da Medalha Mérito Santos-Dummont. Dia 20 de julho, três dias depois do acidente em Congonhas. Prédio ainda em chamas, corpos em resgate, famílias em pranto e luto.

Quem são essas pessoas que participaram, entregaram e receberam a Medalha do Mérito? O que fazem, o que pensam, como são suas famílias, seus filhos, seus amigos, seus sentimentos, seus conceitos de dignidade, vergonha, honra, mérito, solidariedade e oportunidade? O que lhes representa uma medalha no peito ou um ato de outorga?

Com o perdão do meu juízo insinuado e antecipado, mas eu acho que ali, naquela cerimônia, naquele momento especial, pode estar a explicação central, filosófica, ética e moral acerca do que se passa com todos nós, povo e autoridades!

Para mim, mais difícil do que encontrar as palavras para descrever aquela cerimônia, é identificar a natureza dos sentimentos humanos ali presentes!

19 julho 2007

A Tragédia Anunciada e a Nudez do Rei

Nada mais trágico, nada mais arrasador do que a morte por razões não naturais, à conta da participação e/ou omissão humana.

Trata-se, sempre, da interrupção e anulação de uma vida, de uma perspectiva absolutamente particular e não renovável de uma existência e de um ilimitado espírito.

Também, trata-se de mais um parágrafo com variações sobre um mesmo tema nacional: incompetência e negligência.

Nosso dicionarista Aurélio informa que “competência é a qualidade de quem é capaz de fazer determinada coisa com capacidade, habilidade, aptidão, idoneidade”.

Por conseqüência, incompetência é a característica de incapacidade, inabilidade, inaptidão e não idoneidade na concretização de determinada tarefa. Deduzo que a negligência é sua irmã siamesa.

Objetivamente, a incompetência e a negligência são frutos de nossa aversão ao método. E por quê? Porque toda previsibilidade é monótona, é repetitiva, é cansativa.

De praxe, reagimos irônica e jocosamente aos profissionais porque sua competência e concentração é gélida e inumana, não combinando com nossa alegria e espontaneidade. Mas de que alegria e espontaneidade mesmo é que estamos falando?

Tristemente, nada mais monótono, repetitivo e cansativo do que a sucessão de tragédias.

Também somos incompetentes e negligentes ao tolerar lideranças e governantes que desperdiçam dinheiro público e privado em obras inacabadas, mal-localizadas e não funcionais.

Somos negligentes com governantes que promovem o loteamento dos cargos públicos com pessoas não habilitadas. Corruptíveis e corruptores!

Somos tolerantes com os governantes que repetem-se em auto-elogios, potencializados pelos bajuladores e pelos cegos de boa-vontade.

Somos tolerantes com nosso Presidente, que baseado em sua inculta e indomesticável soberba, simbolizada pelo já cansativo e irritante refrão “como nunca dantes”, supõe que durante sua dinastia inaugurou-se uma nova era.

Infelizmente, os desejos, sonhos e delírios presidenciais não têm força para superar a realidade do dia-a-dia. A realidade é absolutamente adversa.

Bastaria sair do Palácio e ir às ruas para ver o exército de desempregados, de biscateiros, de catadores de papel, de distintas senhoras donas-de-casa vendendo quitutes domésticos, de velhos e velhas aposentadas vendendo bilhetes de loteria e anunciando compradores de ouro.

Bastaria prestar atenção nas declarações e ações cada vez mais desencontradas e patéticas de seus ministros e assessores.

Infelizmente, o rei está cego. E toda forma de soberba é essencialmente uma forma de cegueira.

Entre a multidão, disse a criança: “O rei está nu!”

16 julho 2007

Condomínio Edifício Brasil

A contínua incapacidade do Estado em realizar melhorias na oferta de bens e serviços públicos, principalmente nas áreas de saúde, educação e segurança, tem aumentado o nível de repúdio e queixas da sociedade em relação ao Parlamento e ao Executivo.

Ultimamente, face o caos na área de segurança pública e à liberalidade jurídico-judicial-policial, nem mesmo o Poder Judiciário escapa às críticas.

Mantido em fogo alto e constante, o caótico quadro social é um prato indigesto e temperado com a crescente concentração e elevação tributária e a inevitável corrupção que o gigantismo estatal proporciona. Uma receita explosiva!

Objetivamente, trata-se da constatação de que a sociedade está desamparada e abandonada à própria sorte e às eventuais soluções tópicas e passageiras.

O comportamento e a omissão dos políticos - parlamentares e executivos, depositários formais e legais da esperança popular, já extrapolou o limite da tolerância.

O mais irritante é que fazem um jogo de cena. Dizem-se favoráveis a investimentos nas áreas de saúde, educação e segurança, bem como à redução da carga tributária. Mas nada acontece!

Simplesmente, trata-se de um discurso para “manutenção de imagem pessoal”, tipo “todos defendem, logo preciso defender também”. Mas não há repercussões e soluções objetivas, nem comprometimentos sérios com estas transformações.

Esta não solução e inércia estão relacionados ao permanente empenho de parlamentares em “ficar de bem com o Governo”. Visando à obtenção e liberação de verbas e favores oficiais, não lhes é “conveniente e oportuno” causar constrangimentos ao governo.

Importa relacionar também como elemento que contribui para o estado de inércia e omissão, o fato de que estes assuntos (saúde-educação-segurança) não têm apelo eleitoral, embora devessem ter!. São interesses coletivos.

Atualmente, o que determina a hegemonia política e eleitoral são os assuntos pontuais e setoriais, demandas localizadas. Mas a retórica continua generalista e oportunista.

Enquanto isto se sucedem os abusos no setor público. Gastos incontroláveis, estagiários e serviços terceirizados às centenas, propaganda e publicidade de monopólios estatais e atividades-meio, autopromoção e remuneração abusiva, além de ressarcimentos de despesas que ofendem a inteligência e economia popular.

Assim, combinada a natureza da omissão e as razões de conveniência pessoal dos políticos, resulta que se encontra escravizada a sociedade por uma ditadura parlamentar, em todos os níveis da organização do estado brasileiro, seja no âmbito dos Municípios, dos Estados e da União.

Qualquer expectativa de mudanças sérias e estruturais, em todos os níveis, somente será possível com a participação ativa da sociedade civil. Como?

Talvez através de protestos, boicotes, denúncias, “panelaços”, desobediência civil. Uma sociedade ativa sempre encontrará meios de concretizar sua indignação. Às vezes, até uma vaia faz a diferença, não é, Presidente Lula?

Um bom começo seria a fixação de faixas salariais para vereadores e deputados estaduais, a extinção do Senado Federal e a redução expressiva do número de Deputados da Câmara Federal e das Assembléias Legislativas. Bem como a revisão dos privilégios, chamados direitos adquiridos, principalmente àqueles relacionados às aposentadorias e pensões.

Afinal, os moradores do Edifício Brasil podem e devem adequar suas expectativas condominiais à sua realidade e capacidade contributiva, o que pode significar o adiamento/eliminação de obras não essenciais, o corte de serviços terceirizados, a demissão/substituição do zelador e demais funcionários, a redução dos benefícios do síndico, a opção por soluções gerais mais econômicas. Ou os condôminos não podem?

10 julho 2007

A Bomba-Relógio

Somos os campeões mundiais em número de homicídios. 45 mil pessoas perdem a vida a cada ano. Metade dos assassinatos é cometida por cidadãos sem antecedentes. Embora tenhamos apenas 3% da população mundial, realizamos 13% dos homicídios.

Uma síntese e conseqüência trágica da combinação de problemas e desigualdades econômicas e sociais. Desintegração familiar, desigualdade de renda e trabalho, desemprego, urbanização desordenada, narcotráfico. Crimes em larga escala. Regra geral: a impunidade.

A maioria das cidades brasileiras tem em comum a desigualdade crescente. As evidências principais são a segregação sócio-espacial e a concentração da riqueza e da renda.

A segregação sócio-espacial afeta a maioria da população e é percebida nas questões relativas à moradia, ao saneamento, ao emprego e ao transporte público.

Os números não mentem. Dez milhões de famílias moram em áreas sem infra-estrutura urbana e de saneamento. Oitenta e três milhões de pessoas não são atendidos com pelo menos um destes serviços públicos: água, esgoto, coleta de lixo e energia elétrica.

Este número tem conexão com os números relativos aos jovens. Trinta milhões têm entre 15 e 24 anos e vivem no meio urbano. Dezessete milhões não estudam.

A desigualdade de riqueza e renda atinge a maioria dos jovens. Quatro milhões de jovens vivem em famílias com renda per capita de até ¼ (um quarto) do salário mínimo. Metade dos desempregados brasileiros são estes jovens.

A decorrência real e prática deste conjunto estatístico, de parte do jovem, é uma sensação de impotência, uma descrença na família e na sociedade.

Descrença no esforço coletivo, na comunidade e nas autoridades, desrespeito às normas e às regras de convivência. Todos sintomas visíveis de um monstrengo em gestação.

A violência nos grandes centros urbanos tem os jovens como maioria das vítimas e/ou agressores. Diariamente, o noticiário policial informa vários casos de envolvimento de jovens em crimes, principalmente de ataques à pessoas, constando casos de espancamentos seguidos de morte das vítimas.

Fica evidenciada que toda esta violência é, basicamente, conseqüência de uma grave crise de valores e uma absoluta falta de perspectivas pessoais.

Trata-se de uma geração que nasceu e cresceu sob o signo da violência. Sem alternativas e sem medo, e não encontrando soluções para seus problemas, inventa soluções radicais e anti-sociais.

Relógio ou não, toda bomba tem um tempo, tem um dispositivo que permite seu desligamento. Porém, desconfio que esta tenha os dispositivos emperrados.

Aliás, qual a distância segura de uma bomba? Pelas estatísticas policiais, pelos condomínios fechados, as cercas aramadas e elétricas, a quantidade de guardas e seguranças particulares, suponho que a distância já não mais exista!

02 julho 2007

PAN!!!...No Seu Bolso!

Toda a semana eu me prometo escrever um artigo mais otimista, mais positivo. Preferencialmente, sem reclamar do governo, até porque, segundo o presidente, este é o melhor desde a proclamação da república brasileira.

Mesmo ouvindo esta bobagem, juntamente com as periódicas asneiras oficiais, ainda assim eu me esforço para manter aquele desejo. Mas não dá. Não há jeito. É uma sucessão de abusos e deboches.

Vamos, pois, para um assunto até agora pouco comentado e esclarecido do ponto de vista financeiro e do gasto público: os Jogos Pan-americanos (anote: será o “senhor” assunto logo após os jogos).

Há cinco anos, a União, o Estado e o município do Rio de Janeiro afirmaram que gastariam R$ 409 milhões (atualizados) na organização do Pan. Hoje, a conta alcança R$3,2 bilhões. Um custo 682% maior que o previsto em 2002.

O dinheiro desembolsado pelo governo federal, inicialmente previsto em R$ 138 milhões, chega a R$ 1,5 bilhão. Um aumento de 10 vezes (986%).

A participação da Prefeitura do Rio saltou de R$239 milhões para R$1,2 bilhão (404% a mais). Relativa e percentualmente, o maior estouro será do Estado do Rio: de R$32 milhões para R$ 500 milhões (1.513%).

O Pan do Rio custará 12 vezes mais que qualquer outra edição dos jogos. "Somados os quatro últimos Pan’s não dão o que está dando esse. É triste (...) a gente sabia que isso ia acontecer”, afirmou Juca Kfouri, comentarista esportivo.

Entre os absurdos está a construção de um novo estádio - o João Havelange, conhecido como Engenhão. Em janeiro de 2003, o Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro informou que o estádio custaria R$60 milhões (R$75 milhões, atualizados). O custo já está em R$380 milhões.

Temendo um eventual fracasso do Pan - negativo para a imagem brasileira, o governo federal virou refém dos organizadores e do "fato consumado".

Apesar dos pesares, os governos defendem que os investimentos públicos na competição se justificam pelos benefícios à cidade do Rio de Janeiro.

Historicamente, os investimentos realizados pelas cidades-sedes de grandes eventos esportivos revertem em favor da população, seja através de utilização das estruturas remanescentes, de melhorias de infra-estrutura urbana, ou de incremento da qualidade de vida e dos negócios.

Porém, e infelizmente, no caso do Rio, as melhorias ambientais e nos transportes, prometidas como legado, ficaram no papel.

Recordando: da Barra da Tijuca sairia uma nova linha de barca até o centro, uma linha de metrô e um bonde até o aeroporto. A via expressa que liga o bairro à zona sul seria duplicada. Cinco lagoas da região seriam despoluídas. Nada feito! Balela!

Menos mal que o Tribunal de Contas da União (TCU) já está de olho. Em relatório, aponta algumas razões – criminosas, acrescento eu – para o superdimensionamento e atrasos nas obras e o aumento desmedido dos gastos.

Segundo o TCU, já são 2 bilhões de gastos da União. Não há um plano de metas. Muitos projetos nem sequer tinham prazo para seu término. Conclusão: devido à sucessão de atrasos e imprevistos, os serviços passaram a ser contratados às pressas, sem licitação. Esse filme nos já vimos!

Gente, estamos falando de muito, muito dinheiro. A base de R$40.000,00 a unidade, significa 80.000 automóveis zero dos bons. Ou 80.000 casas populares das boas! 80.000 casas!

Lula defendeu os gastos públicos com a competição: "Temos que defender o nome do país, ou seja, se algum deles [Estado ou Município] tiver algum problema, o governo federal tem que entrar [com dinheiro] porque quando foram abertos os Jogos o que vai ficar é a imagem do Brasil".

Mas a “pérola” maior na fala presidencial foi: “o Tribunal de Contas pode investigar depois se houve excessos!”(grifo meu).

Ah, bom! Menos mal. Vai descobrir todos os abusos, identificar os responsáveis e recuperar o dinheiro desviado. Ainda bem!

26 junho 2007

Coração de Estudante

“Quero falar de uma coisa, adivinha onde ela anda? Deve estar dentro do peito ou caminha pelo ar, pode estar aqui do lado, bem mais perto que pensamos, a folha da juventude, é o nome certo desse amor”.
Coração de Estudante, de Milton Nascimento e Wagner Tiso

Inexorável, o tempo rouba a juventude. Há quem diga que floresce um novo tempo, cujos passos e gestos lentos, longe de significar fraqueza, revelariam sabedoria.

Mas, às vezes, o tempo também rouba a alma. Por isto, na lembrança tantos gestos e desejos de força, de vontade, de rebeldia, de mudança.

O conformismo invade corpos e mentes, derrubando ícones. Cala a alma, cega os olhos e sufoca a indignação.

Mas resta sempre a esperança e a certeza na geração seguinte. As vozes do coração.

Todavia, emerge, forte e triste, a constatação do envelhecimento precoce da juventude. Senão, onde estão os estudantes secundaristas e universitários e suas bandeiras? Perdidos no túnel do tempo?

Não bastaria o exemplo do jovem chinês à frente do tanque de guerra, desafiando com o próprio corpo não apenas a máquina, mas um modelo de poder?

Ou dos brasileiros que foram às ruas pelo “Estado de Direito”, contra a ditadura militar, pela “anistia ampla, geral e irrestrita”, pelas “Diretas Já”, ou, mais recentemente, pelo “Fora Collor”?

As perguntas que o tempo nos faz em todas as esquinas do próprio tempo são desafios apenas respondidos pelo coração.

Força silenciosa, que mesmo sem saber, às vezes, o sentido da razão, diz, intuitivamente, que aquela é a hora e aquele é o caminho a seguir na encruzilhada das gerações.

Não cabe alegar crise de valores, falta de oportunidades, ausência de bandeiras. Trata-se de não aceitar o envelhecimento precoce do espírito, porque, naturalmente, contrário às ordens do coração!

Poderia falar de família, de drogas, de desemprego, de política e corrupção, e recolher em cada assunto a indignação de um tempo que massacra e que descaracteriza o sentido da vida e da idéia de juventude.

Ou perguntar, objetivamente, como está a educação e a escola pública? E a cada vez mais cara universidade, instrumento de formação profissional, cívica e civilizatória, que não tem formado cidadãos, e que vive e convive às voltas com “mestres e doutores no próprio umbigo”?

E as questões acadêmicas cotidianas como crédito educativo, conteúdo curricular, provão, transporte coletivo, estágio, mercado de trabalho, especialização, emprego e trabalho?

Mas há quem diga que não há mais bandeiras de luta! Ou supõem como bandeira de luta as patéticas ocupações de reitorias, dissimulando suas inegáveis identidades partidárias e jurássicas ideologias, empenhados em “proteger” os novos donos do poder?

Final e tristemente, há também quem diga que a juventude ”acabou”. Acorda, coração de estudante! Acorda!

16 junho 2007

Ilusão de Ótica e de Ação

A ascensão e queda das expectativas políticas nutridas pelos militantes partidários e pelo povo, bem como a histórica e repetida evaporação das esperanças depositadas nas urnas, parecem ser uma sina, uma danação, uma praga brasileira.

Regra geral, uma vez no poder, os partidos e seus representantes acomodam-se de tal modo que esquecem o conjunto das promessas e das responsabilidades públicas.

Por exemplo, o PT - a frustração do momento de eleitores e partidários, confirma que não tinha um projeto de governo. Apenas um projeto de poder. Quer dizer, bom para ele, pior para o povo.

Estes fenômenos de transformação da essência partidária e ideológica não são novos. A Arena, por exemplo, de um projeto de transformação da política nacional, redundou num monstrengo. O PMDB, que sucedera a Arena, igualmente migrou de uma esperança e unanimidade para uma decepção unânime nacional.

Entretanto, em comum e em qualquer época, os partidos têm alguns filiados e simpatizantes que supõem que ainda resta uma possibilidade de retomada do caminho e da vocação original.

Trata-se da mudança/revolução por dentro. Embora possa significar uma esperança para partidários e eleitores, trata-se, infelizmente, de uma ilusão de ótica e ação, de um desejo que não resiste à realidade.

As estruturas partidárias são rígidas e extremamente sensíveis à influência/benefícios/regalias do poder. Não são sensíveis aos sonhos e idealismos.

Na verdade, sempre reinou um clima de salve-se quem puder, isto é, quem está dentro, está dentro e pode se dar bem. Basta não incomodar.

Em suma, sucedem-se compromissos e trajetórias históricas e populares comprometidas pela ambição, soberba e arrogância dos carreiristas.

Começa-se com pequenas concessões e acaba-se em grandes escândalos. E belas páginas da história de um partido vão para o ralo da história maior.

A lastimar neste processo de pauperização da prática política, é que, regra geral, muitos inocentes tombam no caminho, implacavelmente. Vítimas da retórica e da demagogia!

Mas tombam também pelo caminho as esperanças, cada vez mais escassas, e crescem as descrenças e as desconfianças nas possibilidades de superação de nossas contradições sociais através deste processo político-eleitoral.

Em verdade, neste vai-vem da política, aprendemos a sentir o amargo sabor da verdade e da realidade. Á medida que a utopia e a paixão dão lugar à compreensão acerca das fraquezas humanas e das vocações autoritárias dos grupelhos políticos, aprendemos a valorizar os instrumentos básicos de um Estado Democrático de Direito.

O que não significa que devamos abafar ou sepultar os nobres sentimentos e esperanças que alimentamos em nossas consciências, sobretudo em torno de um senso de justiça social, nem diminuir nosso empenho e participação comunitária.

A aprender, é que na política, como no amor, por conta de nossa idealização, demoramos em ver os defeitos de nosso objeto amoroso.

12 junho 2007

Os Homens-Invisíveis

As crescentes dificuldades que nosso povo tem enfrentado, haja vista o evidente empobrecimento geral, têm gerado e lançado às ruas um exército de viradores de lixo, catadores de papel, guardadores de carro, moradores de rua (sem-teto), enfim, uma multidão de sem-nada!

Tirante a estética da pobreza, que enriquece poucos e que a mídia explora muito bem, notadamente o cinema e a televisão, resta a verdade nua e crua das rotinas de sobrevivência, onde se confundem situações de exclusão absoluta, degradação humana, alcoolismo, loucura, perda de identidade, entre outras situações.

Miséria, fome, fracasso, sofrimento, é o que têm em comum estes personagens de nosso cotidiano. Eu disse nosso cotidiano?! Errado!

Eles são os homens-invisíveis. Ninguém os vê, ninguém os percebe. Apesar de estarem aqui, ali e acolá, é como se não existissem. Pois esta é uma resolução de nossa sociedade. Ignora-se!

Gestos isolados, como a mão que alcança uns trocados, uma roupa usada, um cigarro pela metade, não tornam seus corpos visíveis por inteiro, salvo a mão estendida.

Seus rostos, seus espíritos, suas almas, continuam nas trevas às quais os relegamos. Nem ousamos olhar em seus olhos porque insuportável.

Olhar fixamente em seus olhos é como uma fotografia que nos acompanhará para sempre. Incomodativa e indeletável!

São homens, mulheres e crianças, são os homens- invisíveis que caminham à margem de nossos belos e floridos jardins, com quem cruzamos à caminho do trabalho, à saída para as baladas noturnas, à porta de nossas soberbas e centenárias igrejas e palácios de governo.

São nossos irmãos estes homens-invisíveis!


De frente pro crime

Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto uma foto de um gol
Em vez de reza uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém
Pôxa, cara, tô ligado no seu drama
Com a cara nessa lama teve medo de morrer
de viver, de sofrer, de nem ter o que comer
Ninguém liga pra você
Ninguém liga nem nunca ligou
O bar mais perto depressa lotou
Malandro junto com trabalhador
Um homem subiu na mesa de um bar
E fez discurso pra vereador
É, ninguém liga pra você nem nunca ligou
Hoje sobra tanta indiferença, indignação
Falta luz, falta governo, falta educação
Tanto que com o preconceito em alta
Só não sentem a tua falta, meu irmão!
Veio camelô vender anel, cordão, perfume barato
E baiana pra fazer pastel e um bom churrasco de gato
Quatro horas da manhã baixou o santo na porta-bandeira
E a moçada resolveu parar e então
Tá lá o corpo estendido no chão
Quem sabe agora você pode descansar,
Se livrar da injustiça
Desse medo dos bandidos
Medo da polícia
Maldita cena projetada na janela
TV de todo dia, gente pobre é sempre réu
O que te resta é um pouco dessa lua
Refletida na sarjeta, teu pedaço lá do céu
Sem pressa foi cada um pro seu lado
Pensando numa mulher ou num time
Olhei o corpo no chão e fechei
Minha janela de frente pro crime

(música de João Bosco e Aldir Blanc - 1975)

07 junho 2007

A Universidade Estadual e Seu Erro de Nascença

A criação e desenvolvimento de uma universidade estadual é uma meta administrativa complexa e polêmica, seja pelas razões econômico-financeiras do empreendimento (e do próprio Estado), seja quanto à natureza de sua definição estratégico-pedagógica.

Na véspera de sua criação legal, tive oportunidade de participar de inúmeras atividades de mobilização, estudos e divulgação. Pois, a razão deste artigo é justamente recuperar uma concepção pessoal acerca de uma hipótese alternativa de implemento e concretização da UERGS, já defendida à época.

No meu entendimento, o pressuposto essencial para a definição e caracterização de uma universidade estadual pública demandaria a prévia confecção de um raio-x das atuais universidades gaúchas - federais, privadas e comunitárias, de modo a demonstrar sua situação patrimonial-financeiro, humana, físico-estrutural, grau de inserção social, áreas de influência geográfica e pedagógica, os graus de expectativa e repercussão sócio-econômica regionais, entre outros indicadores (1).

Com certeza, este diagnóstico haveria de revelar a importância e a necessidade de promover, primeiramente, a integração institucional e acadêmica das regiões e do Estado (2).

Consequentemente, promover e assegurar a representação da sociedade, a previsão e oneração dos municípios via lei Orgânica Municipal, o comprometimento empresarial, a formalização rotineira de convênios nacionais e internacionais de repercussão técnico-pedagógica e financeira (3).

O estudo prévio revelaria, também, com certeza, a urgência e necessidade de democratização política e administrativa das atuais universidades, a publicidade de suas planilhas de receitas e despesas, comprometendo-as com metas de otimização das receitas e redução de custos (4).

O máximo atendimento destes pré-requisitos (1-2-3-4), pelas atuais universidades, seria o pressuposto de acesso a um crédito educativo estadual ampliado, aos recursos de pesquisa e aos convênios/parcerias com a futura universidade estadual pública.

Na realização (ou não) destes pré-requisitos se revelariam as condições necessárias de ação/intervenção de uma hipotética universidade estadual. Aliás, cujas metas deveriam se concentrar em áreas altamente estratégicas e especializadas, fundada nos princípios da auto-sustentabilidade, inspirada no trinômio negócios-tecnologia-ecologia, e tendo como regra básica a não sobreposição de objetivos e cursos em relação às demais e atuais entidades universitárias.

Finalmente, sua base de apoio pedagógico - material e humano - deveria se constituir a partir dos recursos existentes (entre as atuais universidades privadas e/ou públicas, comunitárias e/ou federais), realizando seus objetivos através de contratos temporários, de médio e longo prazo, planos de metas e gestão, norteando e se concentrando - sempre e apenas - nos seus fins, e não na constituição de repetitivos, onerosos e comprometedores meios físicos e humanos, a exemplo de construção de prédios e contratação de professores.

05 junho 2007

Políticos e o Mal de Alzheimer

O Mal de Alzheimer é uma doença degenerativa do cérebro caracterizada por uma perda das faculdades cognitivas e de memória.

O nome da doença é um tributo aos estudos realizados por Alois Alzheimer (1864-1915), neuropatologista alemão (ver Wikipédia na internet).

O início da doença pode se dar com alterações de personalidade. Com a progressão da doença, se agravam efeitos de amnésia. .

Não se trata de uma simples falha na memória, mas sim de uma progressiva incapacidade. Na sua fase adiantada, os pacientes já não apresentam mais condições de se perceberem doentes, por falha da autocrítica.

Há uma piora crescente na consciência de si próprio e dos outros. Sintomas depressivos são comuns, com instabilidade emocional e choros. Há uma total perda de noção de lugar e de tempo.

Agora, me diga, são ou não são sintomas típicos de muitos políticos brasileiros?! Esquecem tudo, compromissos, promessas, companheiros, partidos e vergonha na cara. Virou epidemia. Surto. Praga.

Esquecem, principalmente, a origem e o destino do dinheiro da campanha eleitoral, do dinheiro pessoal, do dinheiro dos financiadores de campanha. Esquecem até como pagaram suas próprias despesas!

Esquecem os nomes das pessoas, o local e a data de suas reuniões, o destino e a razão das viagens que realizaram. Perdem suas agendas e esquecem todos seus telefonemas.

No escândalo mais recente, o senador Renan Calheiros também não lembra a origem do dinheiro com que pagava a “pensão alimentícia” da filha de três aninhos de idade. R$12.500,00 por mês! Imagina lembrar-se de uma merreca dessas!

Jacques Wagner, recém eleito governador da Bahia, também não lembra quem era o dono da lancha emprestada que utilizou para passear com a Ministra Dilma Roussef.

Antes deles, o Delúbio, o Silvinho, o Marcos Valério, Roberto Jefferson e demais participantes da gangue do mensalão, também esqueceram nomes, procedimentos, valores e contas bancárias. Esqueceram tudo.

Quando flagrados em contradições (e delitos), entram em depressão, choram copiosamente e, regra geral, apresentam atestado médico. Enfim, todos os sintomas são típicos e coincidentes.

Mas há outros casos interessantes. Fernando Henrique Cardoso não só esqueceu o que havia escrito, como pediu para que a gente também esquecesse. Pode?

O caso de Lula é gravíssimo. Esqueceu tudo. O passado de sindicalista, as origens do PT, as denúncias que fazia contra os governos anteriores, os tradicionais adversários políticos, o lucro dos bancos. Esqueceu até mesmo porque mesmo é que queria ser Presidente. E, ultimamente, anda com mania de perfeição!

O agora senador Collor de Mello também esqueceu tudo, tanto que voltou à Brasília como se nada houvera no passado. Mas, estranhamente, sempre pareceu que ele tinha uma certa consciência sobre a gravidade e inevitabilidade da doença, tanto que pedia insistentemente: “Não me deixem só!”.

Mas há quem diga que o mal de Alzheimer é uma doença endêmica que também afeta o eleitorado brasileiro a cada quatro anos.

Bem, haja vista a similaridade patológica, e como sugestão para os cientistas nas pesquisas laboratoriais do Mal de Alzheimer, creio que poderiam usar alguns políticos ao invés de ratos.

29 maio 2007

Profissão 5198

O acesso à profissão é livre aos maiores de dezoito anos; a escolaridade média está na faixa de quarta a sétima série do ensino fundamental. O pleno desempenho das atividades ocorre após dois anos de experiência.

As condições gerais de exercício profissional são: trabalham por conta própria, na rua, em bares, boates, hotéis, porto, rodovias e em garimpos. Atuam em ambientes a céu aberto, fechados e em veículos, em horários irregulares. No exercício de algumas das atividades podem estar expostos à inalação de gases de veículos, a intempéries, a poluição sonora e a discriminação social. Além de riscos de contágios de DST, sofrem maus-tratos, violência de rua e morte.

Competências pessoais complementares são importantes, a exemplo de: demonstrar capacidade de persuasão e expressão gestual, capacidade de realizar fantasias eróticas, agir com honestidade, demonstrar paciência, planejar o futuro, prestar solidariedade aos companheiros, ouvir atentamente (saber ouvir), demonstrar capacidade lúdica, respeitar o silêncio do cliente, demonstrar capacidade de comunicação em língua estrangeira, demonstrar ética profissional, manter sigilo profissional, respeitar código de não cortejar companheiros de colegas de trabalho, proporcionar prazer, cuidar da higiene pessoal, conquistar o cliente, demonstrar sensualidade.

A descrição sumária de suas atividades diárias diz que batalham programas sexuais em locais privados, vias públicas e garimpos; atendem e acompanham clientes homens e mulheres, de orientações sexuais diversas; administram orçamentos individuais e familiares; promovem a organização da categoria. Realizam ações educativas no campo da sexualidade; propagandeiam os serviços prestados. As atividades são exercidas seguindo normas e procedimentos que minimizam as vulnerabilidades da profissão.

Tocante a formação e experiência pessoal, o exercício profissional requer que os trabalhadores participem de oficinas sobre sexo seguro oferecidas pelas associações da categoria. Outros cursos complementares de formação profissional, como por exemplo, cursos de beleza, de cuidados pessoais, de planejamento do orçamento, bem como cursos profissionalizantes para rendimentos alternativos também são oferecidos pelas associações.

Igualmente importantes são os recursos de trabalho: guarda-roupa de batalha, preservativo masculino e feminino, cartões de visita, documentos de identificação, gel lubrificante à base de água, papel higiênico, lenços umedecidos, acessórios, maquilagem, álcool, telefone celular e agenda.

A profissão 5198 também atende pelos títulos de “profissional do sexo, garota de programa, garoto de programa, meretriz, messalina, michê, mulher da vida, prostituta, puta, quenga, rapariga, trabalhador do sexo, transexual e travesti”.

Todas as informações acima foram extraídas do saite do Ministério do Trabalho e Emprego, mais precisamente na Classificação Brasileira de Ocupações-CBO. São contribuintes do INSS (www.mtecbo.gov.br).

Palavras do Ministério: “A existência de um código e a organização desses profissionais facilita tanto o trabalho dos ministérios (saúde e previdência) como potencializa a eficácia dos programas de disseminação de informações”.

Justo, não? Afinal, dizem que é a profissão mais antiga do mundo!

Mensalinho e Mensalão

Não, não é uma nova dupla caipira da popular música sertaneja. Trata-se de mais uma inovação governamental federal, na falta do que fazer.

Com a experiência de quem gestou o mensalão, o governo começa a semana anunciando “um bicho extra” para gurizada passar de ano na escola. É o “mensalinho”, uma propinazinha para turbinar os estudos.

Mais um vale-qualquer coisa. Coisa pouca para quem já tem bolsa-alimentação, vale-transporte, vale-gás, bolsa-escola, salário-família, programa de renda mínima, vale-etc... Só não tem dinheiro e emprego.

Anúncio de mais tempo, o Programa de Aceleração do Crescimento, o PACquiderme amestrado, não anda nem pra frente, nem para os lados. Mas na propaganda de televisão retumba como se de fato existisse. A peso de ouro!

Aliás, semanalmente, o governo tem novidades. Outro dia anunciou – e vai fazer mesmo, pasmem!, a criação de uma televisão pública federal, cujo orçamento inicial já passa de 300 milhões.

Mas como disse o ministro aos jornais: “A proposta do governo será conhecida em 15 dias, para debate, e em dois meses será editada uma medida provisória criando a TV Pública”. Disse mais: “O governo ainda não sabe quanto terá que investir na criação da TV.”

É assim mesmo. Sem planejamento prévio, sem orçamentos. Feito criança, quer porque quer, não interessa quanto custa. Afinal, dinheiro não é problema. O incrível é que eles não ficam corados!

Aliás, os não corados de vergonha querem mais, além de uma TV só para eles. Querem reintroduzir a censura prévia na televisão brasileira, a ponto de provocar um manifesto à nação pelas associações nacionais de jornais, revistas, rádio e televisão (Brasília, 8 de maio de 2007).

Mas sai semana, entra semana, uma coisa é sempre igual. O auto-elogio.

O governo autista de Lula (também nominado de “próximo da perfeição da silva” ou “luís inácio como nunca dantes igual na história do brasil”) conta vantagens e lorotas.

“Mortos” de ciúmes, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek já não “dormem” direito.

Diariamente, Lula coloca seu disco velho de 78 rotações na eletrola – com a agulha de diamante gasta, e repete, e repete: “A economia está bem, nunca esteve tão bem. A economia está bem, nunca esteve tão bem.” E a agulha não sai do lugar.

Lula puxa a brasa para seu assado e finge ignorar as razões externas pelas quais o seu veleiro navega em brisas favoráveis.

São mundiais os ventos serenos, as águas cálidas e tranqüilas no mar dos negócios internacionais. Como nunca dantes na história do comércio mundial!

São ventos que sopram também para os demais países em desenvolvimento. Aliás, com indicadores sócio-econômicos muito melhores que os nossos.

Ao invés trabalhar na redução dos impostos e na conseqüente diminuição do tamanho do estado, o governo navega em sentido contrário.

Enquanto isto, desorganizado e sem representação política, o povo se diverte com os corruptos jogados na arena dos leões.

E fica a sonhar que a seleção cinematográfica de um corrupto por semana, com direito a exibição em rede nacional de TV, vá diminuir a corrupção nacional.

Com quarenta por cento de carga tributária, centenas de impostos e taxas, bilhões em arrecadação, um estado gigantesco e intervencionista, o filé mignon não vai acabar. Nem a corrupção. E nem a “criatividade” governamental!

14 maio 2007

d'O Jeitinho Que o Povo Gosta

Das aulas sobre história brasileira, deveríamos ter aprendido com mais atenção àquela que diz respeito ao fato de que o Estado foi criado antes da constituição de uma sociedade civil.

Relembrando, à época da colonização, não houve resistência local ao modelo e projeto do estado português. Depois do fracasso das capitanias hereditárias, o governo português inventou os governadores-gerais. E com eles, a burocracia.

Há registros históricos sobre o desembarque de nobres, funcionários públicos, soldados e criminosos (réus e degredados). Aliás, quase todos solteiros e interessados em grana fácil. Não houve a imigração de famílias, ou por motivação religiosa, como na América do Norte.

Pois, resultou uma estrutura estatal forte, organizada, centralizadora e burocrática. Que não encontrou resistência civil. Conseqüentemente, nossa incipiente sociedade de então se adaptou a esta estrutura estatal.

Segundo o ilustre gaúcho de Vacaria, advogado e historiador Raimundo Faoro (1925-2003), a responsabilidade pelo nosso subdesenvolvimento é do aparelhamento burocrático, herdeiro da administração colonial portuguesa.

Trata-se do domínio de uma casta de altos funcionários aliada ao patronato político cujos interesses comuns formam uma associação parasitária.

Juntos compõem uma rede que, espalhada pelo país, extrai dele tudo o que pode (leia Os Donos do Poder, 1958). Repito, a sociedade submissa se adapta!

Consequentemente, o fruto principal dessa deformação histórica e dessa adaptação social é o “jeitinho brasileiro”.

Com o passar do tempo, lei e ordem passaram a significar pouco, ou quase nada, em nosso comportamento social. Fraudes, falsificações, desrespeito a contratos, entre outros exemplos, são atitudes que não sofrem imputação ou reprovação moral.

Assim, não surpreendem a corrupção disseminada e os sucessivos escândalos políticos e comerciais. Não faltam notícias e episódios diários que relacionam a conduta do brasileiro ao famoso estigma de “querer levar vantagem em tudo”.

Seguidamente, repercute o expressivo número de fraudes relacionadas à distribuição e utilização do Programa Bolsa Família. Valores insignificantes. Mas não o suficiente para inibir a tentação e o oportunismo.

Inúmeras dessas fraudes são praticadas por autoridades, a exemplo de vereadores, lideranças políticas, funcionários municipais, em conluio com pessoas do povo e da própria comunidade.

Esses delitos comportamentais, ainda que de menor valor ou conseqüência social, não deixam de traduzir uma índole suspeita. Uma carência de perspectiva ética balizadora.

Em verdade, estamos a merecer, como povo e sociedade, um apurado estudo de caráter sociológico/psicológico, de modo a revelar, ou complementar, teorias sobre o caráter do povo, sobre a natureza (a)ética do brasileiro.

Auto-contestação: ou então, não é nada disto acima descrito, e sim, simplesmente, falta de educação, repressão, punição e cadeia!

De qualquer modo, possível e infelizmente, estudos e atitudes que nos levarão a desagradáveis constatações e conclusões.

08 maio 2007

Teu Outro Cartão de Crédito

Sabias que tu tens outro cartão de crédito, usado por estranhos e pago por ti, denominado cartão de crédito corporativo?

Os cartões de crédito do governo servem para que determinados servidores possam fazer pagamentos ou saques sem precisar de uma autorização prévia.

O uso dos cartões de crédito corporativos foi criado em 2001, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso(1995-2002), para facilitar os pagamentos de rotina das autoridades, limitados a pequenos valores.

Ainda assim, em 2002, o pagamento de faturas e saques com cartões da Presidência da República somou R$ 1,3 milhão.

Já no Governo Lula, em 2004, os gastos com cartões da Presidência atingiram R$ 5,2 milhões. Além disto, outros 68 órgãos federais gastaram R$ 8,9 milhões, sendo R$ 5,1 milhões em dinheiro vivo.

Em 2005, o total de gastos foi de R$ 21 milhões. Dos quais R$ 10,2 milhões foram da Presidência, com saques em dinheiro de R$ 6,8 milhões.

O funcionário recordista no uso dos cartões para realizar saques movimentou quase R$ 330 mil entre os meses de janeiro e dezembro de 2005. Em dinheiro vivo. Outros dois colegas movimentaram R$ 321 mil e R$ 294 mil.

Entre os 48 ecônomos de departamentos e órgãos ligados ao Palácio do Planalto, oito sacaram acima de R$ 250 mil durante aquele ano, registrou o Siafi.

Em meados de 2006, segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira - Siafi, já haviam sido gastos R$ 34,4 milhões.

Só a Presidência já havia gasto R$ 10 milhões. Dos R$ 10 milhões, metade foram saques em dinheiro vivo.

O Ministro Marcos Vilaça, do Tribunal de Contas da União-TCU, responsável pela fiscalização, anotou em seu relatório: “A equipe de auditoria registra a existência de dificuldades para a obtenção de detalhes relativos às transações efetuadas com cartão de crédito".

A falta de transparência é mais grave nos saques em dinheiro. Sem registros dos fornecedores de bens e serviços nas faturas dos cartões de crédito.

Diante da pressão por informações, a Secretaria de Administração da Presidência da República informou que “não é permitido o fornecimento de informações detalhadas dos gastos com as peculiaridades da Presidência da República, por questões de segurança".

No último debate presidencial, falando em caixa-preta do cartão de crédito corporativo, o candidato Geraldo Alckmin perguntou a Lula: “O cartão corporativo do seu gabinete teve crescimento exponencial. O senhor abre o sigilo dos gastos do cartão de crédito?"

Satisfeito? Melhor ficar! Imagina se tu ficas sabendo de todos estes gastos, um a um, detalhadamente, quem gastou o quê, por quê, quando e com quem? Melhor não saber.

Mas tem o lado bom desta história. Tu nem sabias que tinha todo esse crédito em conta, hein? Mas tem que entrar na fila para usar o “teu outro cartão de crédito”!

02 maio 2007

O Aniversário do Coronel

O fim-de-semana santa-cruzense foi muito rico para o folclore político local e para os pesquisadores das ciências sociais.

Objetivamente, refiro-me às repercussões e comentários inerentes e decorrentes à teatralidade festiva do aniversariante ilustre.

Não restam muitas adjetivações possíveis para descrever a construção do mito local. De histórico, práticas e valores polêmicos, mas inspirado e legitimado pelos mandatos eleitorais adquiridos, move-se como que imantado por um salvo-conduto comportamental.

Em seu universo mágico prevalecem conceitos ético-políticos muito próprios, a exemplo da publicidade e ostensividade do seu mais aclamado convidado.

Uma animada e sorridente caminhada pelas ruas centrais da cidade desafiou a memória popular dos fatos recentes que enxovalharam a política nacional e lesaram os cofres públicos.

Mas a ponderar pela fila de abraços e cumprimentos e poses fotográficas, o convidado foi política e moralmente anistiado. Ou será apenas parte da memória pública esclerosada?

O mitificado anfitrião e o anti-herói convidado sorriem, ainda que meio sem jeito. Inteligentes que são, bem dissimulam. Mas seu sorriso “amarelo” ainda é bem menor que o “amarelo” sorriso do povo.

Mas o que importa a “cor” de um sorriso, ou a não-autenticidade de um gesto naquilo que se denomina um jogo. E, em sendo um jogo, de verdade não é! Ou é?

Verdades e mentiras, crimes e inocência, defeitos e virtudes, piadas e fofocas, tudo transcende ao seu próprio significado.

A verdade sucumbe diante da construção de um mito. O mito se sobrepõe a quaisquer julgamentos de valor acerca de qualquer coisa. O mito tem o poder da sedução.

O povo se “entrega” e assiste à metódica desconstrução da verdade, sob o predomínio da indiferença e da não indignação.

A julgar pela peregrinação e o beija-mão, a sedução do mito é tão intensa que sucumbem emergentes valores e vocações pessoais.

Claro, é da natureza dos partidos e do político seu agudo instinto de sobrevivência. Muda o discurso, muda o comportamento, muda o que for necessário e de acordo com a nova perspectiva. Submetem-se às exigências do vir-a-ser.

É tão “natural e inocente” seu procedimento que “todos” assimilam e legitimam seus valores e sua conduta. Então, como é possível desafiar a verdade nova e sua inevitabilidade temporal?

Tudo isto significa que nada mais é absoluto e, portanto, não há princípios ou limites. Tudo é permitido, tudo é relativo. Não há mais valores e compromissos inalteráveis.

24 abril 2007

Yeda e o Homem Invisível

A governadora do estado pediu ao novo secretário de segurança pública que se mantenha “invisível”, na medida das possibilidades. Trata-se de um pedido de realização impossível.

Antecipo que não examinarei a questão do ponto de vista da fraqueza humana, relacionado a um dos sete pecados capitais, qual seja, a vaidade. Ainda que na política um pecado aceitável, eis que inerente ao meio e à “sobrevivência” do sujeito.

Mas o pedido refere-se a uma (in)visibilidade total ou parcial, relativa ou absoluta? Cabe esclarecer estas diferenças.

A “invisibilidade” pretendida deverá ocorrer relativamente aos níveis de visibilidade da própria governadora? Ou será relativamente aos demais secretários? Afinal, todos investidos e revestidos de profundas e iguais responsabilidades de gestão.

Mas o quê, realmente, determina o grau de visibilidade de uma autoridade pública? A personalidade da própria ou os fatos que lhe dizem respeito? Ou, ainda, as circunstâncias eventuais, positivas e negativas, que caracterizam a inconstância da prestação de nosso serviço público?

No caso em questão, me aparece óbvio que são os fatos e as atribuições da Secretaria da Justiça e da Segurança que determinam sua visibilidade.

O povo elegeu a segurança pública como seu maior drama e tem expectativa de soluções governamentais. Consequentemente, se compreende porque seus responsáveis diretos sejam objetos da mídia.

Como já estamos no fundo do poço mesmo, significa agregar que qualquer ato positivo se reveste de simpatia popular.

Bem, e quanto às demais secretarias, qual poderia mostrar-se capaz de disputar os holofotes da imprensa? Saúde? Provavelmente. Nem preciso justificar. Uma tragédia governamental. Educação? Pouco provável. Já não comove ninguém, contaminada pela desesperança.

Aliás, em relação a estas três tarefas públicas, diga-se, de passagem, a população reage diferentemente. E os governantes (e os políticos, em geral) na mesma proporção.

O desastre educacional não gera conseqüências políticas relativamente aos seus (ir) responsáveis porque o prejuízo não tem dimensão instantânea. Quantificável em número e (falta de) qualidade apenas gerações seguintes.

A saúde apenas comove aquele que diretamente envolvido, ou como profissional, ou como cidadão objeto de uma doença que exija a prestação de serviços públicos. Trata-se de uma indignação localizada e personalizada. Esvai-se com o tempo. Por isto não muda nada.

Já a demanda por segurança é diferente. Virou uma síndrome, uma epidemia, um contágio universal. Ainda que não diretamente atingido, o cidadão se sente potencialmente alvo fácil e imediato.

Antes de demitir algum próximo secretário, a governadora precisa compreender que são as particularidades das crises setoriais e as expectativas populares que determinam a intensidade dos holofotes.

Mas, e os holofotes na Governadora como ficam? Infelizmente, tocante aos papéis e responsabilidades da governadora é de se supor - a realidade indica - que poucas notícias positivas serão possíveis.

Notadamente relacionada às finanças e a incapacidade estatal de dar conta das demandas públicas, atuais, reprimidas e supervenientes, a crise (estrutural) perpassa a capacidade gerencial da governadora. Terreno árido e sem luzes!

10 abril 2007

Janelas Quebradas

O assunto diz respeito à ação da polícia, da justiça e da comunidade. Conhecido no meio jurídico e acadêmico, raramente vem a público de forma simples e direta.

Depois de muitos anos de criminalidade crescente, os Estados Unidos apresentam expressiva redução de criminalidade. E a que se deve isso? Em 1982, estudiosos americanos estabeleceram uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade.

Janelas quebradas. Este foi o exemplo de desordem que utilizaram. Se uma janela de uma casa, prédio ou fábrica fosse quebrada, e não fosse imediatamente consertada, as pessoas poderiam concluir que ninguém se importava com isso. E mais: que não havia autoridade responsável pela manutenção.

Na seqüência, outras janelas seriam quebradas. As pessoas concluiriam que ninguém seria responsável por aquele prédio, nem pela rua. Assim, começaria a decadência do bairro e daquela comunidade.

Outros exemplos poderiam ser equiparados às “janelas quebradas”. Lixo crescente na rua. Terrenos sujos e abandonados. Crianças e adolescentes desordeiros, sem repreensão dos adultos. Ocupação de frentes de lojas e bares, bebedeiras, brigas e desordens. Depredações, pichações, desrespeito aos proprietários e vizinhos.

Conclusão: a desordem, mesma pequena, levaria à desordem maior. E mais tarde ao crime. Ou seja, a tolerância com pequenos delitos e contravenções conduziria à criminalidade.

No mesmo estudo, os autores afirmaram, também, que a relação de causalidade entre desordem e criminalidade era mais forte do que a relação entre criminalidade e a pobreza, minorias raciais, desemprego e falta de oportunidades.

Em Nova Iorque, a tolerância com a desordem e os pequenos ilícitos foi determinante para a progressiva decadência urbana. Os (maus) exemplos estavam no crescimento das gangues, na ocupação de parques, praças e metrôs por desocupados e sem-teto, nas pichações de prédios públicos e particulares, principalmente. Mas o exemplo mais significativo de tolerância e não repressão ocorria no metrô. Muitos não pagavam a passagem. Pulavam as catracas. Eram as “janelas quebradas” de Nova Iorque.

Assim, com base na teoria das janelas quebradas (broken windows theory), foi adotada a política criminal de "tolerância zero", notadamente na gestão do prefeito Rudolf Giuliani.

Sistematicamente, as forças policiais da cidade realizaram, caso a caso, região por região, o combate à desordem e aos pequenos delitos. Foi restaurada, inclusive, a integração polícia-comunidade através do patrulhamento a pé. E desde 1994, os índices criminais vêm diminuindo.

Mas esta prática preventiva e repressiva não foi uma questão consensual na comunidade. Muitos críticos argumentavam que a polícia perseguia apenas os pobres, os necessitados e as minorias.

Mas, diante dos resultados visíveis e favoráveis à Polícia e à maioria da população, os críticos perdiam a razão. O problema não era a condição das pessoas, mas sim o seu comportamento.

Até então, a desordem também crescera, se expandira e fora tolerada, porque vários desvios comportamentais foram considerados como expressão de liberdade e direitos individuais.

Porém, lenta, mas seguramente, prevaleceu a compreensão de que o desejo e a necessidade por ordem e segurança não podiam ser entendidos como uma lesão aos direitos individuais.

Assim, os valores comunitários positivos se contrapunham ao crescimento da desordem e da criminalidade. O desejo de ordem e paz era comum a todas as classes sociais e grupos étnicos.

E nós, brasileiros, combatemos a desordem e os pequenos delitos? Creio que é o caso de refletirmos e aprendermos com a experiência de Nova Iorque.

03 abril 2007

Pornografia Política e o Apagão da Vergonha

Tirem as crianças da sala. Desliguem a TV. O noticiário tem mostrado cenas e discursos pornográficos. Pornografia política.

O Presidente Lula continua inovando. Depois da esmola pública, também chamada de Bolsa-Família, agora criou o Bolsa-Oposição.

Trata-se da compra dos partidos de oposição sob o discurso de um governo de coalizão política. A mercadoria negociada são 36 ministérios e secretarias especiais.

De verdade, é a distribuição grosseira de cargos com o único fim de neutralizar as críticas ao marasmo governamental e anular as tentativas de esclarecimentos dos escândalos e da malversação do dinheiro público.

Aliás, é tanto escândalo que tem fila. Os escândalos têm que tirar senha para serem esclarecidos. Mas como agora não haverá mais CPI, nem investigação alguma, tudo ficará calmo. Como nos cemitérios.

Mas não foram só os partidos de oposição que se renderam. As principais categorias sindicais também. E os estudantes “caras pintadas” preferem correr atrás do Bush.

Sem gatos e com queijo à vontade, alguns ratos afugentados já ensaiam sua volta ao poder. Uns já voltaram à cena (do crime) através do voto.

E os que ainda não conseguiram voltar, agora viraram consultores. No caso, nome chique e moderno para “traficante de influência”.

Sumiram também os “revolucionários de ontem”. Queimaram seus discursos. Sepultaram a coerência. Aliás, os revolucionários também estão na fila. Na fila de milionárias indenizações por danos pessoais e profissionais sofridos durante a ditadura.

Resumindo, de novo os cidadãos e eleitores são desrespeitados. Há um descumprimento dos papéis institucionais reservados aos partidos. Isto é, uns de governar, e outros de fazer oposição e fiscalizar, principalmente.

Fica aquela sensação incômoda de quebra de confiança e delegação, confirmando a máxima popular de permanente desconfiança em relação aos políticos.

Claro que os defensores do governo dirão que se trata de formar uma maioria no Congresso, capaz e suficiente para promover um conjunto de reformas importantes para a nação. Compreensível e importante, é verdade!

Mas qual é o conjunto de reformas inadiáveis para a nação? Qual é a natureza das reformas e quem são seus possíveis perdedores (pagadores) ou vencedores (beneficiários)?

Este é o debate que deveria anteceder a formação das alianças partidárias. A definição do conjunto das reformas e o balanço de perdas e ganhos sociais, possibilitando uma visão de conjunto, suficiente para a compreensão e avaliação do povo, e, sobretudo, para a responsabilização partidária.

Está bem, vou parar de reclamar. Vamos às notícias boas. Vem aí uma nova atração. Uma televisão pública e estatal, que não vai “puxar o saco” do governo, e que custará apenas 250 milhões. Te cuida, Faustão. Vem aí o Domingão do Lulla.

A outra notícia boa é que o IBGE refez as contas sobre o PIB brasileiro. Mudou alguns critérios de cálculo e chegou à conclusão de que o Brasil cresceu. Mais do que no tempo do FHC. Agora, além do Haiti, passamos à frente do Paraguai e El Salvador.

Tchan, tchan, tchan! Notícia boa sempre me faz lembrar da música das vitórias do Airton Senna. Que saudades daquelas manhãs de domingo. Saudade de tanta coisa!